segunda-feira, 5 de março de 2012

Cena inusitada

Tomando o caminho de saída do motel: ela, cerca de um metro e setenta de altura, corpo bem torneado, loira, a maquiagem feita com esmero, as pernas valorizadas pelo salto alto, talvez de 10 ou 12 centímetros. Carregava uma bolsa que, pelo seu tom neutro, combinava com a roupa: uma blusinha vermelha bem decotada, sem mangas. A saia jeans revelava suas coxas, sem bronze mas brilhantes, graças à depilação caprichada e, certamente, aos cremes hidratantes.

Ela. Tomava o caminho de saída do motel, já despontava na rua. Caminhando com desenvoltura e sensualidade. Sozinha. Ela, tão bela, saía solitária e a pé de um motel.

Não baixou a cabeça, não deixou o queixo arrastar no chão, não mostrou-se arrasada. Mas ia com a cabeça envolta em pensamentos. Devia parar com aquilo. Arrumava-se com tanto carinho, com um cuidado todo especial, e para quê? Para passar uma tarde acompanhada de um marido no motel. Não o marido dela - sequer tinha algum marido -, mas pegava este emprestado, e se emprestava a ele. Para quê? Para nada. Nada e uma tarde no motel tinham lá suas semelhanças. Não ganhava jantares, nem presentes, tampouco passeios de mão dada por aí. No motel não ganhava carinhos, só desejos da carne.

A raiva começava a gotejar seu pensamento. Nem carona ganhava. O cara ainda teve o trabalho de colar um adesivo escrito "Proibido carona" no vidro da frente do seu Audi A3.

Precisava parar com isso, pensava a bela loira, ao ouvir a buzina de algum carro ali perto, enquanto saía sozinha e a pé do motel. Pelo menos dessa vez deixou a conta com ele.

***


Vestiu-se: calcinha, minissaia, blusa vermelha. Recolocou os brincos, as pulseiras, os anéis. Retocou rapidamente a maquiagem. Subiu nas sandálias de salto alto que havia deixado próximas à porta que estava abrindo com um quê de pressa - nada que o homem deitado na cama ali perto notasse - e fechou-a, o barulho ecoando pelo corredor, pelos seus pensamentos, por dentro da bolsa onde conferiu se o dinheiro do pagamento (feito antecipadamente) pelo seu serviço ainda estava ali. E estava.

Foi tomando o rumo da rua pelo caminho dos carros mesmo. Nem se importou com o teor inusitado da situação, estava acostumada, sabia que era linda. E, com aquelas roupas, todo mundo olhava mesmo. Mas não se importava. Precisava que olhassem, quem sabe assim ganharia mais um cliente. No caminho dos carros desfilou, deslumbrante e impura, indo embora do motel. A única companhia estava na bolsa: o pagamento. Generoso pagamento, pensou, tão generoso que resolveu se dar ao luxo de encerrar o expediente daquele dia. É isso. Por hoje, chega.

Estava tão resolvida que nem deu bola para o carro que passou buzinando. Podia ser um novo cliente, mas e daí? Expediente encerrado é expediente encerrado. Seguiu determinada seu desfile. Por hoje, chega.

***


O caminho era para carros. Como não havia indicativos que proibissem um pedestre de andar por ali, resolveu seguir. Também, ninguém lhe indicou o caminho de saída. Simplesmente saiu caminhando por ali mesmo, já que parecia que era um caminho para a rua.

Estava confiante, tão confiante que não percebeu o inusitado da situação: uma mulher, sozinha, saindo a pé de um motel. E não era uma mulher qualquer. A blusinha vermelha, a curta saia jeans e as sandálias de salto alto exibiam uma loira, corpo esbelto, talvez 1,70m, rosto maquiado, acentuando as feições delicadas, os cabelos lisos esforçando-se para tocarem os ombros, o andar provocante de quem tenta se equilibrar na tênue linha entre a sensualidade de mulher e a inocência de menina.

Tudo tão inusitado e ela ali, tão imersa em sua confiança que não ouviu a buzina de um carro passando. Certamente algum exemplar de homo sapiens sapiens do sexo masculino, encantado por tamanha beleza. Ou algum conhecido dela, que não quis parar porque achou a cena por demais inusitada. Ela não sabia, nem tinha ouvido a buzina.

Estava absorta em sua confiança. Havia escolhido a roupa certa para causar uma boa impressão nos futuros patrões, que certamente leriam o currículo deixado ali por ela, a moça que saiu a pé e sozinha, confiante que, dali a poucos dias, seria a nova camareira daquele motel.

***


Eu vi uma loira espetacular, de blusinha vermelha e minissaia, saindo sozinha e a pé de um motel. Fiquei tão desconcertado com tão inusitada cena que, se não fosse a buzinada que eu levei, teria batido o carro.

sábado, 17 de dezembro de 2011

A mudança de nome do Adriano

Todo mundo viu, inclusive o Rodrigo Cabelo, o Fábio Ice e eu. Sentados numa mesa do bar e restaurante Vila Real, há exatos 5 anos atrás, em 2006, vimos pela TV Fernandão sentindo cãimbras e saindo de campo. Em seu lugar, estava entrando Adriano Gabiru - que 15 minutos depois mudou de nome. Ao meu lado, o Rodrigo, vulgo Cabelo, ficou desolado. E acho que a energia despendida naquele desolamento foi tão grande que proporcionou o momento mais Pai Dináh da minha vida:

- Te acalma, Cabelo. Esse cara vai fazer o gol.

Para uma melhor análise da minha frase, peço que a leiam com ênfase no artigo masculino definido anterior ao substantivo máximo do futebol, porque foi exatamente como eu falei. Eu enfatizei que o sujeito ("esse cara", Gabiru) iria fazer O GOL. E fiz essa profecia unicamente porque eu era megalomaníaco: ao dizer "o gol", com ênfase no "o", estava dizendo que Adriano Gabiru ia dar uma caneta em um adversário, um chapéu no outro, matar a bola no peito e mandar de voleio pro gol. Seria uma obra de arte, o gol dos gols, já que eu, megalomaníaco, havia apostado que a partida terminaria em 3 a 0 para o time capitaneado por Fernandão.

Errei tudo, placar e jogada. Mas não é que eu acertei?



O Gabiru fez o gol. O GOL do Inter contra o Barcelona. Dois minutos depois da minha profecia. Quinze minutos depois, Fernandão virava o Capitão Planeta. E enquanto o Cabelo, o Ice e eu berrávamos ensandecidos pela avenida, o tal de Gabiru já havia mudado de nome: era Adriano Me Perdoa Gabiru.

terça-feira, 6 de dezembro de 2011

Crise na Lapônia - A realidade do Papai Noel

LAPÔNIA, Pólo Norte - Parece que a crise do euro ultrapassou as mais gélidas barreiras. O mercado mais proeminente da Lapônia está em crise, ameaçando toda a economia pólo-nortista.

A preocupação surge de todos os lados. "O trabalho do Papai Noel é um saco!", dispara um duende, que não quis se identificar. Um colega é mais controlado e argumenta: "Somos obrigados a trabalhar em 1 mês o que não trabalhamos em 1 ano. É sempre assim, é tudo de última hora. No resto do ano, ficamos à mercê da sorte, fazendo bicos em peças teatrais da Branca de Neve ou fazendo pose ao lado de anões de gesso, em jardins de burgueses.", reclama, também sem se identificar.

As renas são mais resignadas. "Somos obrigadas a fazer milagres. Quem disse que rena voa? Já tentou voar sem asas? É meio difícil.", ironiza a rena Corredora. "Esse negócio de pensar em coisas leves é mais difícil do que se pensa." Mas as reclamações também existem entre os bichos: "Não temos plano de saúde e preciso de um psiquiatra urgente. Sofro de distúrbios de dupla personalidade. Sou uma rena, mas meu nome é Raposa.", desabafa, contendo as lágrimas. Rodolfo aproveita a deixa e acrescenta: "Falam que meu nariz vermelho representa o dom que tenho de guiar o Papai Noel, mas a verdade é que eu vivo gripado. Sou muito sensível a este frio."

Papai Noel mostra-se ciente das reclamações. "Não tenho condições de oferecer algo melhor a eles.", desabafa. "Por duas vezes fui convidado a participar de uma produção hollywoodiana com o Macaulay Culkin, mas o agente de lá simplesmente sumiu e nunca mais retornou minhas ligações. Fiquei à míngua.", revelou.

Ele conta ainda que incentiva seus empregados a procurarem outras atividades durante o ano. "Não posso sustentá-los, então sempre sugiro que atuem em peças teatrais. Mas nem todos se dão bem. Em "Branca de Neve", por exemplo, são apenas sete vagas para todos eles. E para as renas a coisa piora, porque são duas míseras vagas em "Bambi" e outra mísera vaga em "Branca de Neve". E essa nem tem fala, então o cachê é ainda menor."

Sobre as acusações de trabalhar em apenas 1 mês do ano, ele se defende. "Se ninguém faz encomendas durante o ano, o que eu posso fazer? Produzir e deixar tudo estragando no frio? Só recebo pedidos em dezembro, só posso trabalhar em dezembro", explica.

E as perspectivas não são animadoras. "Diante dessa crise, entrei em contato com o Lula pra ele me substituir esse ano. O Barack Obama me disse que o cara é bom, confiei. Estava tudo acertado, tinha esperança que ele ia nos tirar dessa fria. Mas agora ele adoeceu. Fazer o quê?", conforma-se.

Apesar de tantos problemas, o bom velhinho mantém a esperança para o ano que vem - mas mantém o mistério. "Só quem pode falar sobre a minha esperança são os maias.", encerrou.

segunda-feira, 3 de outubro de 2011

É sério, é piada

O Brasil tá vendo uma safra de novos humoristas surgindo. Diogo Portugal, Marcela Leal, Danilo Gentili, Rafinha Bastos... é um bocado de gente que prefere contar piadas de cara limpa num palco a encarnar um personagem qualquer.

O Danilo Gentili contou uma muito bacana no Twitter há um tempo atrás: "King Kong, um macaco que, depois que vai para a cidade e fica famoso, pega uma loira. Quem ele acha que é? Jogador de futebol?". Já o Rafinha Bastos fez um texto debochadíssimo para o seu show de stand-up, dizendo: "Toda mulher que eu vejo na rua reclamando que foi estuprada é feia pra caralho. Tá reclamando do quê? Deveria dar graças a Deus. Isso pra você não foi um crime, e sim uma oportunidade. Homem que fez isso não merece cadeia, merece um abraço." E semana passada ele largou um comentário mais espontâneo:



"Que horror, isso não são piadas, Egídio." Sim, são piadas. "Mas são piadas pesadas e grosseiras, pois falam de assuntos delicados, não pode."

Tenho uma novidade para vocês: assuntos delicados são alvo de piadas desde que o mundo é mundo. Religião é assunto polêmico e pedofilia é um crime repugnante, mas todo mundo já riu da piada do coroinha que recebia um pastel e um refri do padre. Torturar animais é terrível, revoltoso, mas todo mundo já riu da piada do papagaio que passou a noite costurando o cu. O alcoolismo está catalogado no Código Internacional de Doenças da Organização Mundial de Saúde e destrói famílias todos os dias das mais diversas maneiras. E o Tom Cavalcante faz o João Canabrava desde antes de nascer. E o que dizer do Jorge Lafond, que era negro e homossexual?

A coisa tá complicada pro Rafinha Bastos. A piada com a Wanessa Camargo rendeu-lhe um afastamento do CQC, com direito a críticas dos próprios colegas de bancada. Em nota, Marco Luque disse: "Eu, como pai, entendo e apoio a revolta e a indignação do Marcus Buaiz [marido de Wanessa]. Se fizessem uma piada com este contexto sobre a minha família, certamente ficaria ofendido." Luque só esqueceu que o próprio Rafinha Bastos também é pai. A criança ainda não completou 1 ano.

Essa polêmica não foi a primeira do Rafinha Bastos. Lembra da piada sobre estupro? Ela rendeu uma investigação do Ministério Público, sob a alegação de "apologia ao estupro". Ora, quantos pontos de QI são necessários pra perceber que essa é uma cena que não é rotineira da maneira como ele fala? Quem aí já passou por uma amiga na rua e, ao perguntar "como estão as coisas?", recebeu como resposta um "nossa, minha semana tá uma merda, fui estuprada ontem, e tu?"

E tem mais:



Esse é o cara que, segundo o Ministério Público, faz apologia ao estupro. Como ele consegue ser tão contraditório, a ponto de fazer apologia ao estupro e defender pena de morte a estupradores? Será que ele deve ser punido por essa intolerância com vendedores de telemarketing? A quem tá se fazendo essas perguntas, eu tenho a resposta: desencana. O cara só tá fazendo piada.

"Ah Egídio, mas com os outros é diferente. Certo que tu vais ficar de cara se fizerem piada contigo ou com algum parente teu." Bom, talvez eu discorde.

Por comparar o King Kong com um jogador de futebol, Danilo Gentili foi taxado de racista. Mas quem é mais racista: o Danilo Gentili, por fazer essa piada, ou um sujeito que vai a um restaurante e diz "senhor gerente, exijo ser atendido por outro garçom e não por este negro"?

O que é mais preconceito: contar a piada do viadinho que foi correndo botar a bunda na goteira ao saber que ia "chover pra caralho" ou negar emprego a um jovem brilhante porque ele é homossexual? Ou quem sabe agredir um casal por ser homossexual?

O que é mais deselegante: fazer piadas de defeitos físicos ou viver em uma sociedade incapaz de tratar bem um cadeirante, onde a esmagadora maioria dos prédios públicos não possuem acesso a deficientes físicos?

Por que é tão difícil entender que respeito não se mede através de piada?

Não é porque eu faço piada com uma tragédia que eu deixo de me comover com ela. Fazer piadas com negros ou homossexuais não impede que eu ame meus amigos negros ou homossexuais. Eu posso zoar uma pessoa, da sua profissão, do seu cabelo, do seu defeito físico, mas só vou deixar de respeitá-la se ela é uma pessoa que rouba, ou que prejudica um colega de trabalho só para tirar proveito próprio, ou que pára o carro em cima da faixa de pedestres, ou...

O pior é encerrar esse texto me achando um completo imbecil por me estender tanto sobre o que parece ser gritante de tão óbvio.

sexta-feira, 9 de setembro de 2011

Relação estável

- Vocês têm filhos?
- Não.
- São casados há quanto tempo?
- Não somos casados, na verdade.
- Bem... moram juntos?
- Não.
- Então como querem provar que possuem um relacionamento estável?
- Meu carro tem o adesivo da família feliz. Dois bonequinhos, o meu e o dela. E no carro dela também tem adesivo da família feliz. Tem até o gatinho que a gente adotou anteontem.

domingo, 28 de agosto de 2011

Motorola

Nos anos 1980:

"A moto eu vou vender e o rádio eu vou dar para minha avó".
(Biro Biro, ex-jogador do Corinthians, ao responder a um repórter o que iria fazer com o "Motoradio" que ganhou como melhor jogador da partida)

Em 2011:

"A moto eu vou vender e a rola... ai, acho que vai ficar pra mim, né?"
(Um jogador aí, ao responder a um repórter o que iria fazer com o Motorola que ganhou como melhor jogador da partida)

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Esta é uma história fictícia. Qualquer semelhança com a realidade é mera coincidência e uma faixa escrita "eu já sabia" seria perfeitamente indicada para o caso.

quinta-feira, 21 de julho de 2011

Sem calcinha, sem casamento

A capital do Estado de Alagoas é Maceió. A cidade é berço de Djavan, Zagallo e do primeiro casamento cancelado por falta de calcinha que eu tive notícia, segundo o Cada Minuto.

A cena poderia ser espetacular, digna de um enredo de pornochanchada:

- Se alguém tem algo contra esse casamento, que fale agora ou cale-se pra sempre.
- Não tenho nada contra esse casamento, seu padre, mas só quero dizer que a noiva esqueceu a calcinha no meu carro. Tá aqui, ó.

Podia ser algo mais comédia pastelão:

- Onde estão as alianças? Que lindas! E a calcinha? Como, não tem calcinha? Ah não. Sem calcinha, sem casamento.

Mas não.

O padre já não havia gostado de notar o imenso decote nas costas do vestido de noiva de uma professora, de 25 anos. Imediatamente após sua chegada no altar, quando se colocou de frente para o noivo o padre percebeu que o decote da moça permitia ver o derrière absolutamente desnudo.

Neste instante o padre solicitou que a noiva acompanhasse uma ministra da eucaristia até a sala de sacristia para averiguação. A ministra confirmou a suspeita do padre e o informou sobre o veredito. Depois de comunicar aos pais dos nubentes a decisão, o padre Jonas foi até ao altar avisar aos convidados que o casamento não seria realizado, pois a noiva "não estava respeitando o altar sagrado".


Aposto o minguinho perdido do Lula que o padre fez isso por pura inveja. Afinal de contas o casamento foi em Maceió, e se lá já faz um calor do cacete, imagina a situação de um sujeito que veste uma batina do pescoço aos pés e ainda tem que usar uma manta? E se houve desrespeito ao altar sagrado por falta de roupas íntimas, gostaria de denunciar que nunca vi um escultor fazer cuecas, calcinhas e sutiãs nas estátuas que estão no altar das igrejas.

Ele ainda disse que a ministra da eucaristia notou que "a noiva estava totalmente depilada na região pubiana, o que para o pároco é um flerte com a pedofilia".

Se é um flerte com pedofilia, a coisa muda de figura: é provável que o padre tenha sentido uma atração pela noiva. O nobre pároco quis apenas evitar um constrangimento maior. Bravo!

Segundo o padre Jonas "os pêlos pubianos marcam a transição entre a infância e a vida adulta, portanto retirá-los seria realizar apelo pedófilo para a prática sexual".

No planeta que eu nasci, os padres encerram esse sermão dizendo: "agora, se vocês me dão licença, vou me retirar. Vocês estão atrapalhando o meu lance com o coroinha."

Dizem que alguns padres são mais flexíveis. Eles falam: "quer depilar, depila. Mas se eu sentir tesão, não diga que eu não avisei."

A noiva confirmou que estava sem calcinha e disse que se o padre notou este detalhe é porque "ao invés de celebrar ele estava pensando em taradice comigo".

Essa noiva deve ter ficado um pouco confusa. Porque, na minha humilde visão, pensar em taradice também é celebrar.

Depois do episódio o padre Jonas deixou afixado na apostila do curso de noivas dois avisos: "noiva sem calcinha é satanás na cabecinha" e "vagina careca é o diabo na boneca".

Além de padre, um poeta. Bravo! Bravíssimo! Mas noivas de Maceió, lembrem-se: padre Jonas não fez nenhuma rima com "calcinha fio-dental minúscula".