A constante e tradicional umidade da cidade, aliada à forte neblina e o frio dos últimos dias, trouxeram trabalho à polícia de Pelotas. O iceberg que há mais de 100 anos causou o naufrágio do Titanic buscou refúgio na Princesa do Sul.
Aproveitando-se do clima pelotense, o iceberg e meliante de fama internacional passeava despercebido e sem rumo pelas ruas da cidade. E continuaria assim se não fosse por Rose Dawson, uma fã do filme "Titanic".
- Eu sabia que já tinha visto aquela cara branca em algum lugar. - declarou a moça, que teve seu nome trocado a pedido dela mesma, visando anonimato.
A partir daí, diversas pessoas reconheceram o vândalo de navios. O 190 foi bastante acionado.
- Recebemos diversas denúncias nas noites de segunda pra terça e de terça pra quarta. - contou o subtenente-coronel investigador e delegado da 51ª Delegacia de Pelotas, Joaquim Bauer.
Após uma intensa perseguição, o iceberg foi preso na manhã de quinta, quando a forte cerração aliviou e permitiu visualizar um revesgueio de um pedaço de um cantinho da cidade. "A noite a perseguição era arriscada, porque ele se camuflava muito bem", declarou Joaquim Bauer. De acordo com policiais que participaram da operação, o iceberg só foi localizado devido às suas marcas de vandalismo. "Ele já estava começando a alagar algumas regiões do Centro da cidade", disse um policial.
Preso, o iceberg que ficou famoso ao afundar o Titanic admitiu que avacalhou a garganta de alguns pelotenses e revelou que veio à cidade para visitar a Fenadoce. Mas avisa:
- Vim pra ficar. Simplesmente amei o clima da cidade, tem tudo a ver comigo. - derreteu-se o iceberg.
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sábado, 15 de junho de 2013
quarta-feira, 12 de junho de 2013
12 de Junho
Aah, 12 de Junho... 12 de Junho é uma data muito especial. Principalmente para quem participa deste relacionamento tão íntimo entre duas pessoas, um relacionamento que exige reflexão e respeito mútuo. Parabéns a todos os jogadores de xadrez de São Paulo pelo Dia do Enxadrista no Estado.
Mas não é disso que quero falar. 12 de Junho também é Dia dos Namorados. Não sei vocês, mas mais uma vez eu estou passando esta data sozinho. Eu só passei o Dia dos Namorados acompanhado uma única vez. Eu namorava uma moça de cabelos castanhos e olhos verdes, coisa mais linda. A parte ruim é que eu acordei justo quando ela ia me dar um beijo depois de me presentear com um striptease.
Desde o ano passado, as pessoas brincam que estão disponíveis para serem alugadas no Dia dos Namorados. Quero dizer que, a partir deste ano, estou oferecendo o mesmo serviço. Para diferenciar-me da concorrência, ao término do serviço a cliente (sim, "a", artigo definido feminino) tem a opção de acionar o pacote "sócio-empresarial": a locatária entra com o pé e eu entro com a bunda. Aceito frases como "o problema não é você, sou eu", "eu conheci outro cara" e "você mudou muito e eu não acompanhei". Quem escolher o pacote "Friendzone" ganha um presente surpresa que pode ser retribuído com a frase "obrigado querido, mas a gente precisa conversar, é que eu te vejo mais como amigo, irmão, sabe?". Consulte os meus preços, gata.
Pra quem é como eu e está passando o Dia dos Namorados na mais pura solteirice pela cagalhésima vez, eu ofereço algumas dicas. A primeira delas é: saia da rotina. Que tal acessar o XVideos ao invés do RedTube? A segunda dica é: saia da rotina mesmo. Bata com a outra mão. É destro? Vá de esquerda. É canhoto? Vá de direita. Mas muito cuidado: essas aventuras carnais acabam por machucar as pessoas.
Estar solteiro no Dia dos Namorados não é estar morto. Podemos aproveitar esta data para fazer as maiores loucuras, aquelas que jamais faríamos se estivéssemos namorando. Eu mesmo, comi um pacotão de Cebolitos sozinho. Sim: sozinho! Mas muita atenção: coma o Cebolitos antes de sair da rotina. O contrário é nojento e até mesmo pra cometer loucuras é preciso um limite.
É possível aproveitar a solteirice dessa data amorosa para presentearmos o grande amor da nossa vida: nós mesmos. Eu fiz isso e recomendo: comprei uma luva em forma de lingerie. A noite promete!
A verdade é que eu não gosto do Dia dos Namorados. Nem é tanto por abrir o Facebook e ver o mel escorrer pelo meu monitor, afinal dele também escorre sangue, que tanto pode ser a lágrima de namoradas que tiveram seus planos românticos frustrados por ciclos menstruais como também pode ser o resquício do ódio causado por um solteiro invejoso. A verdade é que eu não gosto do Dia dos Namorados, em primeiro lugar, porque não gosto de datas comemorativas. Há um dia especial para comemorar o amor entre um casal? Pra mim esse dia é o aniversário de namoro. Dia dos Namorados é hora extra.
Em segundo lugar, 12 de Junho é Dia dos Namorados somente no Brasil. No resto do mundo essa celebração é feita em 14 de Fevereiro, dia de São Valentim. O que acontece é que, em terras tupiniquins, o mês de Junho era bastante fraco para o comércio, o que fez um comerciante ter a ideia de transplantar o Dia dos Namorados. Escolheu o 12 de Junho supostamente por ser véspera de Santo Antônio, o santo casamenteiro. E eis aí um problema: se é por causa de Santo Antônio, por que ele não escolheu o próprio dia 13? Vai ver ele queria evitar acontecimentos macabros, tipo "Sexta-feira 13 de Dia dos Namorados". Chora, Jason Voorhees.
Eis o outro problema: a gente sai do Dia dos Namorados direto pro dia do santo casamenteiro. É muita pressão! E nessas horas é uma bênção estar solteiro. Como eu explicaria a uma namorada que o Dia dos Namorados no Brasil é uma imposição de comerciantes paulistas? Que eu não preciso de uma data específica para dá-la carinho, atenção, conforto nas horas difíceis ou caras de bobo apaixonado? Como eu digo que a data escolhida no Brasil não é exatamente uma grande coincidência, já que cai na véspera do dia de Santo Antônio, o santo casamenteiro? Como explicar que é muita pressão sair do Dia dos Namorados e cair no dia do santo casamenteiro?
- Peraí, quer dizer que nosso relacionamento não é sério pra ti?
É por isso que eu digo: a melhor parte do Dia dos Namorados é quando acaba o Dia dos Namorados.
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Mas não é disso que quero falar. 12 de Junho também é Dia dos Namorados. Não sei vocês, mas mais uma vez eu estou passando esta data sozinho. Eu só passei o Dia dos Namorados acompanhado uma única vez. Eu namorava uma moça de cabelos castanhos e olhos verdes, coisa mais linda. A parte ruim é que eu acordei justo quando ela ia me dar um beijo depois de me presentear com um striptease.
Desde o ano passado, as pessoas brincam que estão disponíveis para serem alugadas no Dia dos Namorados. Quero dizer que, a partir deste ano, estou oferecendo o mesmo serviço. Para diferenciar-me da concorrência, ao término do serviço a cliente (sim, "a", artigo definido feminino) tem a opção de acionar o pacote "sócio-empresarial": a locatária entra com o pé e eu entro com a bunda. Aceito frases como "o problema não é você, sou eu", "eu conheci outro cara" e "você mudou muito e eu não acompanhei". Quem escolher o pacote "Friendzone" ganha um presente surpresa que pode ser retribuído com a frase "obrigado querido, mas a gente precisa conversar, é que eu te vejo mais como amigo, irmão, sabe?". Consulte os meus preços, gata.
Pra quem é como eu e está passando o Dia dos Namorados na mais pura solteirice pela cagalhésima vez, eu ofereço algumas dicas. A primeira delas é: saia da rotina. Que tal acessar o XVideos ao invés do RedTube? A segunda dica é: saia da rotina mesmo. Bata com a outra mão. É destro? Vá de esquerda. É canhoto? Vá de direita. Mas muito cuidado: essas aventuras carnais acabam por machucar as pessoas.
Estar solteiro no Dia dos Namorados não é estar morto. Podemos aproveitar esta data para fazer as maiores loucuras, aquelas que jamais faríamos se estivéssemos namorando. Eu mesmo, comi um pacotão de Cebolitos sozinho. Sim: sozinho! Mas muita atenção: coma o Cebolitos antes de sair da rotina. O contrário é nojento e até mesmo pra cometer loucuras é preciso um limite.
É possível aproveitar a solteirice dessa data amorosa para presentearmos o grande amor da nossa vida: nós mesmos. Eu fiz isso e recomendo: comprei uma luva em forma de lingerie. A noite promete!
A verdade é que eu não gosto do Dia dos Namorados. Nem é tanto por abrir o Facebook e ver o mel escorrer pelo meu monitor, afinal dele também escorre sangue, que tanto pode ser a lágrima de namoradas que tiveram seus planos românticos frustrados por ciclos menstruais como também pode ser o resquício do ódio causado por um solteiro invejoso. A verdade é que eu não gosto do Dia dos Namorados, em primeiro lugar, porque não gosto de datas comemorativas. Há um dia especial para comemorar o amor entre um casal? Pra mim esse dia é o aniversário de namoro. Dia dos Namorados é hora extra.
Em segundo lugar, 12 de Junho é Dia dos Namorados somente no Brasil. No resto do mundo essa celebração é feita em 14 de Fevereiro, dia de São Valentim. O que acontece é que, em terras tupiniquins, o mês de Junho era bastante fraco para o comércio, o que fez um comerciante ter a ideia de transplantar o Dia dos Namorados. Escolheu o 12 de Junho supostamente por ser véspera de Santo Antônio, o santo casamenteiro. E eis aí um problema: se é por causa de Santo Antônio, por que ele não escolheu o próprio dia 13? Vai ver ele queria evitar acontecimentos macabros, tipo "Sexta-feira 13 de Dia dos Namorados". Chora, Jason Voorhees.
Eis o outro problema: a gente sai do Dia dos Namorados direto pro dia do santo casamenteiro. É muita pressão! E nessas horas é uma bênção estar solteiro. Como eu explicaria a uma namorada que o Dia dos Namorados no Brasil é uma imposição de comerciantes paulistas? Que eu não preciso de uma data específica para dá-la carinho, atenção, conforto nas horas difíceis ou caras de bobo apaixonado? Como eu digo que a data escolhida no Brasil não é exatamente uma grande coincidência, já que cai na véspera do dia de Santo Antônio, o santo casamenteiro? Como explicar que é muita pressão sair do Dia dos Namorados e cair no dia do santo casamenteiro?
- Peraí, quer dizer que nosso relacionamento não é sério pra ti?
É por isso que eu digo: a melhor parte do Dia dos Namorados é quando acaba o Dia dos Namorados.
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quinta-feira, 30 de maio de 2013
Atitude
Atitude. Precisava tomar uma. Sempre soube disso e agora estava escancarado em si mesmo, como um tiro de espingarda estuprando-lhe o coração. E olha que nem era surpresa: sempre soube que a Bruna e o Caio estavam juntos, "aquele filhodaputa do Caio", ele dizia, "ele não é filhodaputa, ele é legal", diziam-lhe, "tá, ele pode ser legal, pode não ser filhodaputa, mas está filhodaputa", retrucava. Ele admitia a possibilidade do Caio ser legal porque com ele nunca trocara mais que um "oi" educado. Não o conhecia. Já a Bruna ele conhecia um pouco mais - bem pouco: com ela trocava "oi", beijinho, abracinho, sorrisos, beijinho, abracinho, "tchau". O suficiente.
Não conhecia o Caio. Admitia que ele podia ser legal, admitia que ele podia não ser um filhodaputa, mas estava filhodaputa, porque o Caio ocupava na vida da Bruna um posto devia ser de outro: devia ser dele. E agora o Caio noticiava isso para o mundo - e para ele também. A Bruna era do Caio, o Caio, da Bruna. Estava ali, na tela do computador, a manchete que o Facebook estampava: "Bruna Gomes adicionou um evento cotidiano de 5 de maio de 2013 à linha do tempo dela: 'Em um relacionamento sério com Caio Rodrigues'".
A Bruna, justo a Bruna, com esse filhodaputa. Devastador. Isso não podia acontecer, não podia ficar assim. Precisava tomar uma atitude. E tomou.
Clicou em "Denunciar história ou spam".
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Não conhecia o Caio. Admitia que ele podia ser legal, admitia que ele podia não ser um filhodaputa, mas estava filhodaputa, porque o Caio ocupava na vida da Bruna um posto devia ser de outro: devia ser dele. E agora o Caio noticiava isso para o mundo - e para ele também. A Bruna era do Caio, o Caio, da Bruna. Estava ali, na tela do computador, a manchete que o Facebook estampava: "Bruna Gomes adicionou um evento cotidiano de 5 de maio de 2013 à linha do tempo dela: 'Em um relacionamento sério com Caio Rodrigues'".
A Bruna, justo a Bruna, com esse filhodaputa. Devastador. Isso não podia acontecer, não podia ficar assim. Precisava tomar uma atitude. E tomou.
Clicou em "Denunciar história ou spam".
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quarta-feira, 15 de maio de 2013
Uma vez Lara Croft, eternamente Lara Croft
O dia de ontem, 14 de maio de 2013, foi marcante na história da humanidade - talvez tanto quanto aquele dia lá que dois aviões derrubaram uns tais prédios grandões nos Estados Unidos. E é marcante nem tanto pela polêmica ausência de Ronaldinho na convocação que Felipão fez para a Copa das Confederações, mas pela corajosa decisão de Angelina Jolie: ela resolveu extrair os próprios seios para evitar que desenvolvesse câncer de mama.
Quem nunca viu, não vê mais
Dá até pra pensar que enquanto 10 em cada 10 jornalistas especializados vociferavam contra a ausência de Ronaldinho Gaúcho na Seleção, o protesto mais impressionante foi o da Angelina Jolie, que provavelmente deve ter pensado "já que ele não vai jogar, não vou precisar disso aqui". Mas não: o caso é que, após uma análise genética, ela descobriu que tem 87% mais chances de desenvolver câncer de mama (além de 50% mais chances de desenvolver câncer de ovário).
Como atriz hollywoodiana que é, ela poderia confiar nos 13% e, se fosse o caso, extirpar um pedaço de teta caso um câncer aparecesse para, posteriormente, ser capa de revistas no mundo inteiro como "o símbolo sexual que venceu o câncer" - o que seria incrível, por sinal. Mas ela foi além: agora ela é assunto mundial por ser o símbolo sexual que prioriza a própria saúde, deixando a própria imagem em segundo plano.
Vejam bem: ser ator ou atriz de Hollywood significa, segundo dados do IECA (Instituto Egídio de Chutômetro e Achismo), ter no mínimo 50% de seus vencimentos adquiridos através da própria imagem. Isso significa ter corpão, rosto bonito e enfim, tudo aquilo que eu não tenho. Eis que uma das mais bem sucedidas atrizes hollywoodianas de todos os tempos e símbolo sexual de igual magnitude resolveu abrir mão de um dos maiores símbolos de feminilidade (não, salto alto e batom não estão na lista) em prol da própria saúde. Angelina Jolie, que depende da própria imagem pra ganhar o que ganha, abriu mão dos próprios seios.
E mais que símbolo de feminilidade, os seios são importantíssimos na autoconfiança da pessoa. Não é à toa que mulheres que vencem um câncer de mama sentem-se intimidadas, diminuídas, envergonhadas do próprio corpo. Não é incomum que achem que seus parceiros jamais voltarão a sentir atração física por elas: sentem-se mutiladas.
Em alto e bom tom, um dos maiores símbolos sexuais do mundo disse: "não quero meus seios, prefiro minha saúde". "Dane-se minha imagem, prefiro que minha família não sofra o que eu sofri por ver minha mãe lutar 10 anos contra um câncer". "Numa observação pessoal, eu não me sinto menos mulher. Sinto-me fortalecida por ter feito uma escolha corajosa que de nenhuma maneira diminui a minha feminilidade." Esse último período entre aspas ela disse mesmo, no artigo que escreveu ao The New York Times.
É evidente que minha comparação dessa data com o 11 de setembro, lá no início do texto, não tem lá muito sentido. Mas o fato é que é, sim, uma data marcante na história da humanidade. Em tempos que uma tal funkeira quer chamar a atenção colocando tudo o que puder de silicone e exibindo o corpo por aí; em tempos que uma fulana quer capitalizar o máximo possível por ser vice - vice! - Miss Bumbum; em tempos que uma beltrana quer que todos olhem como ela fez um sem-número de plásticas pra ficar bonita; em tempos, enfim, que tantas mulheres querem que a mídia exalte suas belezas - duvidosas -, um dos maiores símbolos sexuais da história expõe, pra quem quiser ver e da maneira mais soberba possível, que prefere a alegria dos filhos, o carinho do marido, a tranquilidade de uma boa saúde... enfim, expõe que a beleza que mais lhe importa é a da vida.
Ao tirar os seios, Angelina Jolie prova que pode tirar até as próprias pernas que vai continuar sendo mais atraente que uma Geisy Arruda da vida.
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Dá até pra pensar que enquanto 10 em cada 10 jornalistas especializados vociferavam contra a ausência de Ronaldinho Gaúcho na Seleção, o protesto mais impressionante foi o da Angelina Jolie, que provavelmente deve ter pensado "já que ele não vai jogar, não vou precisar disso aqui". Mas não: o caso é que, após uma análise genética, ela descobriu que tem 87% mais chances de desenvolver câncer de mama (além de 50% mais chances de desenvolver câncer de ovário).
Como atriz hollywoodiana que é, ela poderia confiar nos 13% e, se fosse o caso, extirpar um pedaço de teta caso um câncer aparecesse para, posteriormente, ser capa de revistas no mundo inteiro como "o símbolo sexual que venceu o câncer" - o que seria incrível, por sinal. Mas ela foi além: agora ela é assunto mundial por ser o símbolo sexual que prioriza a própria saúde, deixando a própria imagem em segundo plano.
Vejam bem: ser ator ou atriz de Hollywood significa, segundo dados do IECA (Instituto Egídio de Chutômetro e Achismo), ter no mínimo 50% de seus vencimentos adquiridos através da própria imagem. Isso significa ter corpão, rosto bonito e enfim, tudo aquilo que eu não tenho. Eis que uma das mais bem sucedidas atrizes hollywoodianas de todos os tempos e símbolo sexual de igual magnitude resolveu abrir mão de um dos maiores símbolos de feminilidade (não, salto alto e batom não estão na lista) em prol da própria saúde. Angelina Jolie, que depende da própria imagem pra ganhar o que ganha, abriu mão dos próprios seios.
E mais que símbolo de feminilidade, os seios são importantíssimos na autoconfiança da pessoa. Não é à toa que mulheres que vencem um câncer de mama sentem-se intimidadas, diminuídas, envergonhadas do próprio corpo. Não é incomum que achem que seus parceiros jamais voltarão a sentir atração física por elas: sentem-se mutiladas.
Em alto e bom tom, um dos maiores símbolos sexuais do mundo disse: "não quero meus seios, prefiro minha saúde". "Dane-se minha imagem, prefiro que minha família não sofra o que eu sofri por ver minha mãe lutar 10 anos contra um câncer". "Numa observação pessoal, eu não me sinto menos mulher. Sinto-me fortalecida por ter feito uma escolha corajosa que de nenhuma maneira diminui a minha feminilidade." Esse último período entre aspas ela disse mesmo, no artigo que escreveu ao The New York Times.
É evidente que minha comparação dessa data com o 11 de setembro, lá no início do texto, não tem lá muito sentido. Mas o fato é que é, sim, uma data marcante na história da humanidade. Em tempos que uma tal funkeira quer chamar a atenção colocando tudo o que puder de silicone e exibindo o corpo por aí; em tempos que uma fulana quer capitalizar o máximo possível por ser vice - vice! - Miss Bumbum; em tempos que uma beltrana quer que todos olhem como ela fez um sem-número de plásticas pra ficar bonita; em tempos, enfim, que tantas mulheres querem que a mídia exalte suas belezas - duvidosas -, um dos maiores símbolos sexuais da história expõe, pra quem quiser ver e da maneira mais soberba possível, que prefere a alegria dos filhos, o carinho do marido, a tranquilidade de uma boa saúde... enfim, expõe que a beleza que mais lhe importa é a da vida.
Ao tirar os seios, Angelina Jolie prova que pode tirar até as próprias pernas que vai continuar sendo mais atraente que uma Geisy Arruda da vida.
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segunda-feira, 13 de maio de 2013
Desafio dos sonhos
Sinto-me à vontade para lançar um desafio a quem quer que esteja lendo estas linhas: eu duvido que alguém tenha sonhos mais bisonhos que os meus. Antes que alguém aceite o desafio, devo alertar que sou um expert com PhD na escola da vida na arte de sonhar. Eu tenho um arquivo onde anoto alguns sonhos (os que eu lembro, na verdade) e vou mostrar algumas das anotações pra deixar todo mundo com medo de aceitar meu desafio:
03/10/2009 - Sonhei que tinham me cravado um garfo no alto da cabeça e eu não percebi. Quando percebi, fui no médico e o garfo simplesmente caiu.
05/01/2010 - Sonhei que o Sylvester Stallone anunciava o lançamento de "Rambo 13" para o ano 3013.
01/12/2012 - Essa noite sonhei com 2 filhotes de porco atacando as meias que eu estava usando porque eu tinha zoado eles.
Não quero me gabar, mas eu realmente sou um expert na arte de sonhar. Tanto que sugiro também a leitura de dois posts, este e este. E contei que outro dia sonhei que a Suzane Von Richtofen era um espírito aprisionado em espelhos do apartamento de uma colega minha de 17 anos? Foi assustador. A Suzane Von Richtofen tocava um terror tão grande quanto o que tocou na casa dela certa noite, acompanhada do namorado e do cunhado.
Eu juro que sonhei tudo isso. Não obstante, outro dia sonhei com o Kid Bengala.
Não se deixe levar por esse sorriso de velho simpático. O Freddy Krueger tem medo de sonhar com esse cara.
Pra quem não sabe quem é o Kid Bengala, as dicas estão na cor da pele e no apelido que ele carrega. Se isso ainda não é o suficiente pra entender, eu digo: o cara é ator pornô. E se isso ainda não basta para entender, deixa assim. Confia em mim: não há necessidade de procurar imagens dele no Google.
Pois bem, sonhei com ele. Foi menos traumatizante do que se pode pensar, mas não menos atemorizante. Sucedeu que o cara, acompanhado de duas morenas eróticas, apitou a campainha da minha casa. Eu tomei um susto grande, porque tinha esquecido completamente que tinha dado o meu consentimento de ceder minha humilde residência para a gravação pornô que o Kid Bengala e as duas morenas tinham que fazer naquele dia. E agora, o que eu ia dizer à minha família, que estava prestes a chegar?
E chegaram no momento que as moças estavam no banheiro trocando de roupa (item violentamente indispensável em um filme pornô) e se maquiando, enquanto Kid Bengala aguardava, paciente, na cozinha. Sabe-se lá como minha mãe nada percebera, mas eu ainda carregava o medo, porque era questão de tempo até ela perceber e me dar uma mijada sem precedentes na história. Minha irmã, por sua vez, percebeu e me lançou apenas um olhar de revesgueio, em um leve tom de reprovação.
Lamento informar que ela não fez o que todos estão pensando: enquanto ela e eu lavávamos as mãos no banheiro (as distintas atrizes já tinham ido para a sala, a fim de se prepararem para as cenas - como eu não sei; talvez estivessem fazendo um alongamento adequado), tornamo-nos cúmplices daquela situação, já que a mãe - ainda - desconhecia tudo. Porque lavávamos as mãos é um mistério que só será dissolvido depois que descobrirem a verdadeira identidade de Jack The Ripper, mas foi nesse momento que trocamos algumas palavras em um sussurro inaudível, daqueles que só são decifrados através da leitura labial:
- Sabe quem é esse cara que tá aí? - e eu sinalizava com a cabeça (de cima) a cozinha, onde o Kid Bengala estava fumando, aguardando suas nobres colegas ficarem prontas.
- Sei - sussurrou minha irmã, sem voz - a mãe dele fumava maconha comigo.
Pronto. Eu era detentor de um terrível segredo familiar do Kid Bengala: sua mãe era uma porra louca que, na infância, fumava maconha com a minha irmã. E o pior é que o desgraçado estava fumando um cigarro - convencional - fedorentíssimo na minha cozinha.
- Ei Kid - disse eu pra ele -, olha só, desculpa te pedir, mas tem como tu fumar lá no pátio? É que o cheiro, sabe como é, aqui complica, amigo. - É evidente que eu chamei o cara de amigo e estava tratando ele cheio de receio. Se ele come o cu de amigas dele, eu não quero saber o que ele faz com seus inimigos.
Foi aí que, por um milagre angelical, eu acordei. Se eles gravaram a cena em algum universo paralelo, eu desconheço.
E aí? Quem topa o desafio de ter sonhos mais bisonhos que os meus?
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03/10/2009 - Sonhei que tinham me cravado um garfo no alto da cabeça e eu não percebi. Quando percebi, fui no médico e o garfo simplesmente caiu.
05/01/2010 - Sonhei que o Sylvester Stallone anunciava o lançamento de "Rambo 13" para o ano 3013.
01/12/2012 - Essa noite sonhei com 2 filhotes de porco atacando as meias que eu estava usando porque eu tinha zoado eles.
Não quero me gabar, mas eu realmente sou um expert na arte de sonhar. Tanto que sugiro também a leitura de dois posts, este e este. E contei que outro dia sonhei que a Suzane Von Richtofen era um espírito aprisionado em espelhos do apartamento de uma colega minha de 17 anos? Foi assustador. A Suzane Von Richtofen tocava um terror tão grande quanto o que tocou na casa dela certa noite, acompanhada do namorado e do cunhado.
Eu juro que sonhei tudo isso. Não obstante, outro dia sonhei com o Kid Bengala.
Não se deixe levar por esse sorriso de velho simpático. O Freddy Krueger tem medo de sonhar com esse cara.
Pra quem não sabe quem é o Kid Bengala, as dicas estão na cor da pele e no apelido que ele carrega. Se isso ainda não é o suficiente pra entender, eu digo: o cara é ator pornô. E se isso ainda não basta para entender, deixa assim. Confia em mim: não há necessidade de procurar imagens dele no Google.
Pois bem, sonhei com ele. Foi menos traumatizante do que se pode pensar, mas não menos atemorizante. Sucedeu que o cara, acompanhado de duas morenas eróticas, apitou a campainha da minha casa. Eu tomei um susto grande, porque tinha esquecido completamente que tinha dado o meu consentimento de ceder minha humilde residência para a gravação pornô que o Kid Bengala e as duas morenas tinham que fazer naquele dia. E agora, o que eu ia dizer à minha família, que estava prestes a chegar?
E chegaram no momento que as moças estavam no banheiro trocando de roupa (item violentamente indispensável em um filme pornô) e se maquiando, enquanto Kid Bengala aguardava, paciente, na cozinha. Sabe-se lá como minha mãe nada percebera, mas eu ainda carregava o medo, porque era questão de tempo até ela perceber e me dar uma mijada sem precedentes na história. Minha irmã, por sua vez, percebeu e me lançou apenas um olhar de revesgueio, em um leve tom de reprovação.
Lamento informar que ela não fez o que todos estão pensando: enquanto ela e eu lavávamos as mãos no banheiro (as distintas atrizes já tinham ido para a sala, a fim de se prepararem para as cenas - como eu não sei; talvez estivessem fazendo um alongamento adequado), tornamo-nos cúmplices daquela situação, já que a mãe - ainda - desconhecia tudo. Porque lavávamos as mãos é um mistério que só será dissolvido depois que descobrirem a verdadeira identidade de Jack The Ripper, mas foi nesse momento que trocamos algumas palavras em um sussurro inaudível, daqueles que só são decifrados através da leitura labial:
- Sabe quem é esse cara que tá aí? - e eu sinalizava com a cabeça (de cima) a cozinha, onde o Kid Bengala estava fumando, aguardando suas nobres colegas ficarem prontas.
- Sei - sussurrou minha irmã, sem voz - a mãe dele fumava maconha comigo.
Pronto. Eu era detentor de um terrível segredo familiar do Kid Bengala: sua mãe era uma porra louca que, na infância, fumava maconha com a minha irmã. E o pior é que o desgraçado estava fumando um cigarro - convencional - fedorentíssimo na minha cozinha.
- Ei Kid - disse eu pra ele -, olha só, desculpa te pedir, mas tem como tu fumar lá no pátio? É que o cheiro, sabe como é, aqui complica, amigo. - É evidente que eu chamei o cara de amigo e estava tratando ele cheio de receio. Se ele come o cu de amigas dele, eu não quero saber o que ele faz com seus inimigos.
Foi aí que, por um milagre angelical, eu acordei. Se eles gravaram a cena em algum universo paralelo, eu desconheço.
E aí? Quem topa o desafio de ter sonhos mais bisonhos que os meus?
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quarta-feira, 27 de março de 2013
Um pequeno gastrônomo sem noção
Sábado último aconteceu a Hora do Planeta. Pra quem não conhece, "a Hora do Planeta é um ato simbólico, promovido no mundo todo pela Rede WWF, no qual governos, empresas e a população demonstram a sua preocupação com o aquecimento global, apagando as suas luzes durante sessenta minutos", segundo o site do evento. Eu não dou bola para a Hora do Planeta porque tento consumir energia de modo mais responsável possível. A verdade é que eu precisaria de 1 milhão de eventos como a Hora do Planeta, porque há alguns muitos anos atrás aconteceu algo que me fez contrair uma enorme dívida com a Terra.
Eu devia ter 6 anos e já naquela época tinha a maldita mania de comer pelo simples prazer de mastigar algo, sem necessariamente ter fome - muita gente deve ter essa mania. O que piorava meu caso é que eu era adepto de misturebas sem o menor sentido. Era muito comum que, no almoço, eu tivesse um pacote de merenguinho (que gente muito fresca chama de "suspiro") ao lado do meu prato. Volta e meia um desses merenguinhos acompanhava uma colherada de arroz, feijão, galinha, ervilha, beterraba e outros. O merenguinho podia ser substituído por chocolate, salgadinhos industrializados e outras guloseimas que causam arrepios a nutricionistas renomados.
Meu almoço daquele dia certamente teve essa mistura. Minha memória não é lá essas coisas, então eu arrisco que eu devo ter almoçado guisado com vagem, arroz, feijão e... merenguinho. Findo o almoço, teve início uma bela tarde de sol de muita alegria e diversão com uma família do barulho - a minha. E é evidente que volta e meia eu abandonava a companhia dos meus entes queridos para mastigar alguma porcaria qualquer.
Passei a tarde fazendo visitas esporádicas à despensa. Como eu disse, minha memória não é lá essas coisas, de modo que eu não lembro com exatidão o que eu comi depois do almoço, mas posso muito bem imaginar. É provável que eu tenha comido um picolé metade creme, metade morango (que era chamado de "minissaia", veja bem), já que, depois do almoço, minha irmã e eu tínhamos a mania de correr atrás de um sujeito que, às buzinadas, empurrava um carrinho de picolés, como se a gente fosse policiais federais e o sujeito fosse o ladrão mais procurado do mundo.
E há uma grande chance de que eu tenha comido meio pacote de Fandangos, e depois outro meio pacote de Tostines, para depois abrir a geladeira e comer algumas fatias de mortadela, que devem ter sido seguidas por alguns merenguinhos e uns pedacinhos de chocolate, que por sua vez devem ter sido sucedidos por algum pedaço de galinha que havia sobrado do almoço do dia anterior. E é claro que isso deve ter sido regado a algumas colheradas de açúcar cristal puro, para depois comer a outra metade do Fandangos. E também a do Tostines.
Suponho que a simples leitura deste texto já esteja causando algum tipo de náusea nos meus leitores - sem contar os que já estão com um revertério avassalador. Se é esse o caso, peço que se acalme, porque a partir daqui vem a parte que eu lembro com uma clareza invejável: agarrei-me a uma lata de Nescau e, munido de uma colher, comi uma boa dose de Nescau puro. Que delícia! Pouco depois achei uma lata de salsichas na geladeira, degustando 1 ou 2 delas. Alguns minutos depois, a mágica teve início.
Minha barriga já devia estar há um bom tempo louca com aquela macumba gastronônica, aquela festa rave alimentar, mas só deu sinais de alerta quando já estava emitindo sinais de pânico completo. A mistureba fez nascer algum ser vivo não catalogado em nenhum planeta que me corroeu as tripas às bordoadas, como se minha barriga fosse a bateria de uma escola de samba composta por bateristas de thrash e black metal que usassem britadeiras ao invés de baquetas.
Acham que eu estou exagerando? Se sim, não deviam. Minha família, ciente das causas daquela orgia que estava rolando acima da minha bunda e abaixo dos meus pulmões, vendo que eu me contorcia de dor, me levou a um pronto-socorro - de nome "Prontoped", nunca vou esquecer. O médico que estava atendendo me deitou numa maca e, talvez para me acostumar ao caixão, mandou eu ficar esticado - o que era impossível, tamanha era a dor que eu sentia. O cara não me deixava nem cruzar as pernas! Resistir à dor era uma tarefa hercúlea. A cena era tão incrível que o profissional de saúde não acreditava no que estava vendo, e muito menos acreditava na narrativa da minha família. Aquela suruba tresloucada de todos os gêneros alimentícios conhecidos pelo ser humano era fisicamente impossível, de modo que ele deu o diagnóstico:
- É apendicite. Tem que operar imediatamente.
Eu juro. A mistureba que me deu uma dor de barriga foi tão babilônica que um médico achou que eu estava com apendicite. Hoje eu não o julgo mal: com a mistureba que eu fiz, é impressionante que ele não tenha diagnosticado um acidente vascular cerebral irreversível.
Imagino que, para minha mãe, deve ter sido difícil resistir à tentação de deixar que me operassem. Ela deve ter pensado: "Guri de merda, fica fazendo essa mistureba! Vai aprender a não fazer mais isso! Manda ele pra faca, doutor." Mas não, ela foi muito amável. Me pegou no colo, me levou pra casa e me enfiou goela abaixo algum remédio contra dor de barriga, esperando que meu aparelho digestivo processasse lentamente aquele ensaio de tsunami japonês seguido de desastre nuclear.
É bastante provável que, até hoje, nas horas de folga, meu aparelho digestivo ainda esteja executando a tarefa que iniciou quando eu tinha 6 anos. Por mais que eu economize energia, eu poderia participar da Hora do Planeta o quanto quisesse. Mesmo assim eu ainda agrediria a camada de ozônio - como de fato agrido, de vez em quando. Uma agressão que parece ser gratuita. Mas eu, humilde, peço perdão.
- Desculpa, camada de ozônio. É a minha apendicite.
.
Eu devia ter 6 anos e já naquela época tinha a maldita mania de comer pelo simples prazer de mastigar algo, sem necessariamente ter fome - muita gente deve ter essa mania. O que piorava meu caso é que eu era adepto de misturebas sem o menor sentido. Era muito comum que, no almoço, eu tivesse um pacote de merenguinho (que gente muito fresca chama de "suspiro") ao lado do meu prato. Volta e meia um desses merenguinhos acompanhava uma colherada de arroz, feijão, galinha, ervilha, beterraba e outros. O merenguinho podia ser substituído por chocolate, salgadinhos industrializados e outras guloseimas que causam arrepios a nutricionistas renomados.
Meu almoço daquele dia certamente teve essa mistura. Minha memória não é lá essas coisas, então eu arrisco que eu devo ter almoçado guisado com vagem, arroz, feijão e... merenguinho. Findo o almoço, teve início uma bela tarde de sol de muita alegria e diversão com uma família do barulho - a minha. E é evidente que volta e meia eu abandonava a companhia dos meus entes queridos para mastigar alguma porcaria qualquer.
Passei a tarde fazendo visitas esporádicas à despensa. Como eu disse, minha memória não é lá essas coisas, de modo que eu não lembro com exatidão o que eu comi depois do almoço, mas posso muito bem imaginar. É provável que eu tenha comido um picolé metade creme, metade morango (que era chamado de "minissaia", veja bem), já que, depois do almoço, minha irmã e eu tínhamos a mania de correr atrás de um sujeito que, às buzinadas, empurrava um carrinho de picolés, como se a gente fosse policiais federais e o sujeito fosse o ladrão mais procurado do mundo.
E há uma grande chance de que eu tenha comido meio pacote de Fandangos, e depois outro meio pacote de Tostines, para depois abrir a geladeira e comer algumas fatias de mortadela, que devem ter sido seguidas por alguns merenguinhos e uns pedacinhos de chocolate, que por sua vez devem ter sido sucedidos por algum pedaço de galinha que havia sobrado do almoço do dia anterior. E é claro que isso deve ter sido regado a algumas colheradas de açúcar cristal puro, para depois comer a outra metade do Fandangos. E também a do Tostines.
Suponho que a simples leitura deste texto já esteja causando algum tipo de náusea nos meus leitores - sem contar os que já estão com um revertério avassalador. Se é esse o caso, peço que se acalme, porque a partir daqui vem a parte que eu lembro com uma clareza invejável: agarrei-me a uma lata de Nescau e, munido de uma colher, comi uma boa dose de Nescau puro. Que delícia! Pouco depois achei uma lata de salsichas na geladeira, degustando 1 ou 2 delas. Alguns minutos depois, a mágica teve início.
Minha barriga já devia estar há um bom tempo louca com aquela macumba gastronônica, aquela festa rave alimentar, mas só deu sinais de alerta quando já estava emitindo sinais de pânico completo. A mistureba fez nascer algum ser vivo não catalogado em nenhum planeta que me corroeu as tripas às bordoadas, como se minha barriga fosse a bateria de uma escola de samba composta por bateristas de thrash e black metal que usassem britadeiras ao invés de baquetas.
Acham que eu estou exagerando? Se sim, não deviam. Minha família, ciente das causas daquela orgia que estava rolando acima da minha bunda e abaixo dos meus pulmões, vendo que eu me contorcia de dor, me levou a um pronto-socorro - de nome "Prontoped", nunca vou esquecer. O médico que estava atendendo me deitou numa maca e, talvez para me acostumar ao caixão, mandou eu ficar esticado - o que era impossível, tamanha era a dor que eu sentia. O cara não me deixava nem cruzar as pernas! Resistir à dor era uma tarefa hercúlea. A cena era tão incrível que o profissional de saúde não acreditava no que estava vendo, e muito menos acreditava na narrativa da minha família. Aquela suruba tresloucada de todos os gêneros alimentícios conhecidos pelo ser humano era fisicamente impossível, de modo que ele deu o diagnóstico:
- É apendicite. Tem que operar imediatamente.
Eu juro. A mistureba que me deu uma dor de barriga foi tão babilônica que um médico achou que eu estava com apendicite. Hoje eu não o julgo mal: com a mistureba que eu fiz, é impressionante que ele não tenha diagnosticado um acidente vascular cerebral irreversível.
Imagino que, para minha mãe, deve ter sido difícil resistir à tentação de deixar que me operassem. Ela deve ter pensado: "Guri de merda, fica fazendo essa mistureba! Vai aprender a não fazer mais isso! Manda ele pra faca, doutor." Mas não, ela foi muito amável. Me pegou no colo, me levou pra casa e me enfiou goela abaixo algum remédio contra dor de barriga, esperando que meu aparelho digestivo processasse lentamente aquele ensaio de tsunami japonês seguido de desastre nuclear.
É bastante provável que, até hoje, nas horas de folga, meu aparelho digestivo ainda esteja executando a tarefa que iniciou quando eu tinha 6 anos. Por mais que eu economize energia, eu poderia participar da Hora do Planeta o quanto quisesse. Mesmo assim eu ainda agrediria a camada de ozônio - como de fato agrido, de vez em quando. Uma agressão que parece ser gratuita. Mas eu, humilde, peço perdão.
- Desculpa, camada de ozônio. É a minha apendicite.
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quinta-feira, 7 de fevereiro de 2013
Prestativo e atencioso
- Bem...
- Fala.
- Fechou a porta?
- Fechei.
- Mas trancou? Fechar de passar a chave?
- Sim.
- Tem certeza?
- Tenho. Quero dizer... olha, eu lembro de ter passado a chave.
- Eu vou lá conferir pra ti.
- Tá.
***
- É, tava trancada mesmo.
- Falei que tinha trancado.
- Mas não tinha certeza.
- Acontece.
- Putz!
- Que foi?
- Não percebi se a janela da frente tava fechada.
- Mas eu fechei.
- Fechou?
- Sim. Eu acho.
- Acha?
- Acho...
- Eu vou lá conferir pra ti.
- Tá.
***
- É, tava fechada mesmo.
- Eu falei que tinha fechado?
- Tu só achava...
- E achei certo, no fim das contas.
- Pura sorte.
- Sorte nada...
- Peraí!
- Que foi?
- E a descarga?
- Que tem?
- Tu puxou a descarga?
- Eu não, não usei o banheiro antes de vir pra cá...
- Mas será que tá puxada?
- Deixa assim, no meio da noite eu levanto, uso e puxo a descarga.
- Se tu lembrar, né?
- Deixa comigo.
- Nada disso. Já pensou ter que encarar o banheiro de manhã cedo com um baita fedor? Eu vou lá conferir pra ti.
- Tá bom...
***
- É, tava puxada mesmo.
- Viu? Foi lá à toa.
- Que nada. Já pensou o fedor logo de manhã cedo?
- Ai...
- Que foi?
- Tem mais alguma coisa que a gente esqueceu?
- Não sei. Tem?
- Eu não sei também. Mas por acaso tu vai lá na cozinha?
- Não pretendo. Por quê? Esquecemos o gás aberto?!
- Não! Disso eu tenho certeza absoluta.
- Então o quê?
- É que, se tu fosse lá, eu ia te pedir pra me trazer um copo d'água.
- Ah. Quer que eu traga?
- Não, deixa. Já vou ali, só vou esperar o intervalo do jornal.
- Se quiser eu vou ali.
- Não precisa.
- Tem certeza?
- Tenho.
- Tá bom.
- Mas se tu quiser...
- Quer que eu vá?
- Ai, quero...
- Vou ali buscar pra ti.
- Tá.
***
- Tá aqui.
- Obrigada.
- Não há de quê.
- ...
- Que foi agora?
- Não sei...
- Olha, posso te garantir que agora não esquecemos nada. Tá tudo feito.
- Então... quer dizer que só me resta estudar?
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- Fala.
- Fechou a porta?
- Fechei.
- Mas trancou? Fechar de passar a chave?
- Sim.
- Tem certeza?
- Tenho. Quero dizer... olha, eu lembro de ter passado a chave.
- Eu vou lá conferir pra ti.
- Tá.
- É, tava trancada mesmo.
- Falei que tinha trancado.
- Mas não tinha certeza.
- Acontece.
- Putz!
- Que foi?
- Não percebi se a janela da frente tava fechada.
- Mas eu fechei.
- Fechou?
- Sim. Eu acho.
- Acha?
- Acho...
- Eu vou lá conferir pra ti.
- Tá.
- É, tava fechada mesmo.
- Eu falei que tinha fechado?
- Tu só achava...
- E achei certo, no fim das contas.
- Pura sorte.
- Sorte nada...
- Peraí!
- Que foi?
- E a descarga?
- Que tem?
- Tu puxou a descarga?
- Eu não, não usei o banheiro antes de vir pra cá...
- Mas será que tá puxada?
- Deixa assim, no meio da noite eu levanto, uso e puxo a descarga.
- Se tu lembrar, né?
- Deixa comigo.
- Nada disso. Já pensou ter que encarar o banheiro de manhã cedo com um baita fedor? Eu vou lá conferir pra ti.
- Tá bom...
- É, tava puxada mesmo.
- Viu? Foi lá à toa.
- Que nada. Já pensou o fedor logo de manhã cedo?
- Ai...
- Que foi?
- Tem mais alguma coisa que a gente esqueceu?
- Não sei. Tem?
- Eu não sei também. Mas por acaso tu vai lá na cozinha?
- Não pretendo. Por quê? Esquecemos o gás aberto?!
- Não! Disso eu tenho certeza absoluta.
- Então o quê?
- É que, se tu fosse lá, eu ia te pedir pra me trazer um copo d'água.
- Ah. Quer que eu traga?
- Não, deixa. Já vou ali, só vou esperar o intervalo do jornal.
- Se quiser eu vou ali.
- Não precisa.
- Tem certeza?
- Tenho.
- Tá bom.
- Mas se tu quiser...
- Quer que eu vá?
- Ai, quero...
- Vou ali buscar pra ti.
- Tá.
- Tá aqui.
- Obrigada.
- Não há de quê.
- ...
- Que foi agora?
- Não sei...
- Olha, posso te garantir que agora não esquecemos nada. Tá tudo feito.
- Então... quer dizer que só me resta estudar?
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