segunda-feira, 20 de junho de 2011

E as gatas?

- E aí, e as gatas?

Foi o que uma velha amiga velha da família perguntou a mim, por telefone. Ela tinha ligado para falar com minha mãe, que não estava em casa, e resolveu seguir assunto com o primeiro imbecil que aparecesse no telefone. No caso, eu.

Meu pensamento voou. Tanto no sentido de decolar quanto no sentido de ir rápido. Sim, as gatas. Duas felinas de 4 patas que faziam "miau" e que viviam na minha casa. A Esparta e a Pequeninha, que havia morrido há mais de ano. As gatas, é claro. Será que a mãe não falou pra ela que a Pequeninha morreu? Deve ter falado. A velha amiga velha é que não deve lembrar. É, é isso. Ela está velha, falhando a memória. Vou tentar ser sutil.

- Ah, estão bem. Na verdade só sobrou uma né? A Esparta. Ah, ela tá muito bem.

Silêncio sepulcral do outro lado da linha. Analisando friamente cada palavra que eu havia pronunciado, concluí que eu não havia dito "olha, a Pequeninha morreu e a gente aproveitou pra vender o cadáver para um sujeito que faz churrasquinho de gato ali na esquina e diz que é churrasquinho de boi recém saído do açougue". Portanto, não havia motivo para choque. Mesmo assim o silêncio continuou, até ser quebrado pela véia:

- E as gatas?

Putz. Além de esquecida, a velha amiga velha deve estar ficando surda. Coitada! Vou ter que berrar.

- Ah, agora só tem uma!
- Aaaaahh, que bom!
- Hehe, pois é... só tem uma.
- Mas assim que é o certo né? Só ter uma! Não pode ter mais que uma!

Pronto. Esquecida, surda e esclerosada. Caramba! O que tem de mais ter mais de uma gata? Gastos com a ração? Ter o sofá destruído por unhas ávidas por uma afiada? Bichos nos telhados berrando ao praticarem o coito? Alergia a pêlo? Faça-me o favor! Por acaso é politicamente incorreto ter mais de uma gata em casa? Era só o que me faltava: uma velha amiga velha da família esquecida, surda, esclerosada e odiadora de...

...


... mais de uma gata...


- Olha só, a mãe liga depois. Tchau.

É estranho: essas tias velhas perguntam pelas namoradas - assim, no plural - e acham que não se pode ter mais de 1 namorada? Praticamente imploram para sermos poligâmicos, mas acham que o certo é a monogamia?

Com justiça, desliguei o telefone na cara da velha amiga velha. Não por essa bipolaridade de querer que eu seja poligâmico e ficar aliviada quando percebe um resquício de monogamia, mas por causa do "gata". Ora, tá achando que eu nasci onde? Na Malhação?

Que falta de respeito.

quarta-feira, 15 de junho de 2011

Mulher piercing casou

Brasileira recordista de piercings se casa na Escócia


De repente a Lady Gaga ficou tão... careta.


A brasileira Elaine Davidson, que detém o recorde mundial, reconhecido pelo Guinness, de maior número de piercings (6.925), casou-se em Edimburgo, na Escócia, onde mora. O nome do marido não foi revelado.

Por que não revelar o nome do marido? Isso é um mistério. Uma das hipóteses é a de que ele não quis revelar seu nome, para não passar vergonha. Ou então ela bolou um marido imaginário, mas esqueceu de bolar um nome imaginário para o marido imaginário. Mas a hipótese mais aceita é a de que ela ainda não sabe como explicar pra família que o marido dela é um abridor de latas.

Elaine, que já trabalhou como enfermeira, é uma "celebridade" do mundo bizarro. Só na genitália, ela possui mais de 500 piercings.

Se o marido dela não é um abridor de latas, há outra possibilidade de fazer sexo com uma criatura dessas: usar dois ímãs para ir abrindo caminho. Imagino que os mais de 500 piercings coloquem a moça como candidata a um novo recorde do Guinness: o de maior grelo do mundo.

A foto aí embaixo deveria ser acompanhada por um aviso de nudez e que menores de 18 anos não podem ver, etc e tal. Mas vamos encarar os fatos: em que planeta isso aí pode ter um mísero resquício de sensualidade ou de pornografia? Se houvesse uma Associação Mundial de Sexo Bizarro, Elaine Davidson seria rejeitada.


Isso aí é capaz de confundir uma bússola.


Elaine também caminha sobre fogo, dorme em cama de prego e se deita em cacos de vidro.

Não é que ela durma em cama de pregos: é que ela apenas se deita para dormir. Só isso.

Ah, a brasileira é faixa preta de judô!

De que adianta? Se ela entrar numa briga, é só dar um puxão em qualquer parte do corpo dela e pronto. Cadê teu judô agora, ô cosplay de Mulher Lata?


RSRS ADORU MEUS PIRCINS KRA!!1

sábado, 11 de junho de 2011

Uma questão de Física

Um trem verde parte de uma cidade A, tendo como destino a cidade B, a uma velocidade constante de 80 quilômetros por hora, enquanto um trem laranja parte da cidade B, tendo como destino a cidade A, a uma velocidade constante de 76 quilômetros por hora. Considerando que a distância entre as cidades A e B é de 200 quilômetros, pergunta-se:

a) Em que ponto os dois trens vão se encontrar?

b) Que punição deve ser aplicada ao responsável pela linha do trem por deixar esse acidente acontecer só para virar uma questão de Física do Ensino Médio?

c) Que espécie de imbecil pintaria os trens de verde e de laranja?

segunda-feira, 30 de maio de 2011

O perigo da vestimenta

Já cansei de dizer que eu nunca fui um sujeito muito ligado em moda, em termos gerais. E quando o assunto é roupas torno-me capaz de entrar como franco favorito em uma competição de "Sujeito mais esdrúxulo e mais pateticamente desinformado". Tá aí um textinho antigo que ilustra melhor o meu desconhecimento.

Acontece que tamanha desinformação sobre um assunto aparentemente tão fútil pode me trazer sérios problemas. Percebi isso há poucos dias, depois de acordar meio zonzo por causa da cerveja e pensar "um refrigerante de cola não-alcoólico bem gelado deve curar essa tonteira".

É lógico, essas não foram as palavras que eu emiti em pensamento. Mas não vou aqui fazer propaganda gratuita para uma multinacional das bebidas. Posso causar um desequilíbrio no comércio mundial e esse negócio de "monopólio capitalista" pode respingar em mim - em forma de gotas de refrigerante de cola não-alcoólico.

A ideia de um refrigerante colossalmente gelado impregnou meu cérebro. Estando a minha geladeira desprovida de refrigerante, eu deveria ir ao bar mais próximo, ali na outra quadra, para saciar o meu desejo. Zonzo como estava, neguei-me a colocar uma roupa um pouco mais elaborada para cumprir a tarefa. Assim, fiquei receoso: nos trajes que eu estava, era bem capaz de algum vizinho me denunciar e eu ser preso como o indigente mais indigente da face da Terra. Uma calça de abrigo fuleira, meias razoavelmente brancas, alpargatas e uma camiseta de manga longa que, pelo cheiro, denunciava que eu ainda não havia me recuperado da longa noite passada.

Tentei remediar a situação penteando levemente o que está restando do meu cabelo, e posteriormente prendendo-o. Isto feito, inflei os pulmões e aspirei um ar aventureiro. Meu espírito encheu-se de coragem: eu ia enfrentar a possibilidade de ser preso como indigente em troca de uma garrafa de refrigerante.

Saí porta afora em busca do precioso artigo líquido, torcendo para que ninguém me denunciasse e pronto para lutar bravamente contra as forças das risadas malignas que eu certamente seria alvo. No bar, as 3 ou 4 pessoas pareceram não dar muita importância, mas tenho certeza que, tão logo saí dali, eu e minha relapsa vestimenta tornamo-nos o centro da conversa, pautada por piadinhas e caras de nojo.

"Azar o deles", pensei eu. Minha tarefa, agora, resumia-se a voltar ao aconchego do lar. A preocupação em ser preso rondava o ar, e naquele instante qualquer cachorro que passasse era um agente policial à paisana, espreitando-me e pronto para me denunciar às autoridades maiores.

E em meio à minha preocupação em não ser preso, surge na rua uma loira belíssima, que não caminhava, mas deslizava, exalando um suave aroma de pétalas de rosas pelo ar. A moça lançou um mísero olhar de revesgueio para o cosplay de mendigo que carregava uma garrafa de refrigerante, que por sua vez estava boquiaberto, estupefato e achando que era melhor estar pelado na rua do que com aquelas vestes. Sem demonstrar grande interesse - nem para o bem e nem para o mal -, a loira seguiu seu rumo, deixando cair algumas purpurinas e pétalas de margarida pelo caminho.

E eu ali, temendo a prisão, quando deveria temer a extinção da minha própria espécie pelo meu estilo mulambento de me vestir.

sábado, 14 de maio de 2011

A gravidez da semana

- Pai...
- Fala filha.
- Pai, eu... ai...
- Que foi, filha? Que cara é essa? O que aconteceu?
- Aconteceu que... ai pai...
- Cê tá me deixando preocupado, filha. Fala, o que aconteceu?
- É que eu acho que fiz uma besteira.
- Filha, não enrola, pelamordeDeus. O que aconteceu? Rodou em Matemática de novo?
- Não pai. Tirei sete. Passei na média. É que...
- Fala.
- Pai, eu tô grávida.
- COMO?!
- Ai pai, eu sei, fiz besteira... aconteceu!
- Como assim "aconteceu", filha? Você tem 17 anos! Como "aconteceu"? Por favor...
- Calma pai, eu sei que eu fiz besteira...
- Como "calma"? Você tem 17 anos, caramba! Como que eu vou ficar calmo, porra?!
- Ai, tá pai! Eu sei que eu errei! Aconteceu, pronto!
- Não tem pronto, cacete! Você nem terminou o colégio ainda e já tá grávida! Vou ter que sustentar essa criança!
- Não vai! Eu vou assumir! Além do mais, o pai dessa criança...
- No mínimo o pai da criança é um desses zé-roelas do teu colégio! Aqueles borra-botas! Puta que me pariu filha, como é que você foi fazer um negócio desses? COMO QUE "ACONTECEU"?
- Pára pai...
- Como "pára"? Eu vou ter que sustentar essa criança, vou ter que sustentar você e provavelmente vou ter que sustentar um zé-roela, um borra-botas!
- Não! O pai da criança é...
- Quem é o pai dessa criança? Fala de uma vez! Me dá o telefone dele, vou ligar e a gente vai ter uma conversa séria. Quem é o pai?
- É o Neymar.
- ...
- ...
- Quem?
- O Neymar. Aquele do Santos.
- ...
- ...
- Ô, minha filha, vem cá. Me dá um abraço. Que notícia linda, eu sempre quis ser avô...
- Tá mais calmo agora, pai?
- Essa criança vai ser muito bem amada, minha filha, eu e a tua mãe vamos te ajudar em tudo, e eu faço questão de levar ele no estádio pra ver o pai dele jogar.
- Mas pai, o senhor não torce pra Portuguesa Santista?
- Isso, filha. Eu sou santista mesmo.

quarta-feira, 13 de abril de 2011

O otimismo do pessimista

Carlos era tão pessimista, mas tão pessimista, que era muito incompreendido quando resolvia ser um pouco otimista.

- Não te entendo, Carlos.
- É simples, cara. Eu vou passar nesse concurso público. Vou ficar entre os primeiros e vou ser chamado logo. Estou otimista, confiante.
- Tá, tudo bem, mas por que se inscrever para concorrer à vaga de deficiente físico?
- É que até lá eu já sofri um acidente e já fiquei paraplégico.

sexta-feira, 1 de abril de 2011

Sobre insetos e aranhas

Tem gente que diz que devemos respeitar a natureza. Ok, até concordo. Mas não tem como respeitar insetos.

Imagina aí um almoço em família. A mesa repleta dos mais variados quitutes, e eis que surge uma mosca. Ela voa daqui até ali, dali até acolá, espalhando seus germes fecais inocentemente, enquanto todos os membros da família abanam a mesa, tentando afastar o inseto que não foi convidado. Não tem como respeitar uma mosca. É chato. Incomoda demais. Mas, nesse caso, prefiro pensar pelo lado positivo: ainda bem que é uma mosca. Podia ser um rinoceronte com asas.

Eu, como todo mundo, respeito abelhas - mas na verdade não deveria. Somente 1 tipo de pessoa gosta deliberadamente de abelhas: o apicultor. Ao resto de nós, convém respeitar. Alguém já viu um protesto de apicultores? É claro que não. O governo jamais se arriscaria a deixar apicultores descontentes, porque eles certamente tacariam as abelhas pra cima de todo mundo. Abelha é um bicho muito provalecido: nós não podemos incomodá-las, mas elas se acham no direito de zumbir perto da nossa cara, com aquele terrível, ameaçador e descontrolado ferrão. E se a incomodarmos por isso (ou por bem menos que isso), a abelha chama a colmeia inteira para nos fuzilar - basta ver uma das cenas mais tristes da história do cinema, em "Meu primeiro amor".

Também não respeito baratas. Não dá pra respeitar um bicho que, além de voar com as próprias forças, tem a pachorra de sobreviver a altas doses de radiação ou mesmo a uma guerra nuclear. A maior prova disso dá-se quando tentamos matar baratas utilizando inseticidas. Podem observar: baratas morrem por comer Detefon até explodir, ou então morrem devido ao peso do que lhe borrifam, mas jamais morrem envenenadas. Envenenados saímos nós.

O pior é que, de uns tempos pra cá, as baratas parecem ter tomado consciência dessa condição de "invencíveis" - sabe-se lá como. Elas já não têm o menor respeito pelos humanos. Quando detectamos a presença de uma barata, nosso cérebro, de forma instantânea e automática, programa nosso corpo para trucidá-las. Acontece que, antes que esta decisão esteja sacramentada (o que dura meio micronésimo de segundo, quando muito), a barata já está nos encarando, ciente de sua "invencibilidade". Está pronta para nos encarar, pensando "se eu aguento radiação, esse humano babaca é fichinha". Encarna Davi e enxerga Golias em nossa pele. E eu nem sabia que as baratas haviam sido catequizadas.

Mas não é só isso. Perguntem à minha mãe, que não me deixará mentir: há coisa de 1 semana, avistamos 2 baratas copulando no muro de casa, enquanto as tarefas domésticas eram executadas. Assim, sem a menor cerimônia. Elas não estavam nem aí pra gente. E o pior: copulavam, como já disse, no muro! Desafiavam a gravidade e tinham o prazer de se reproduzir desavergonhadamente num ato só. Logicamente, foram mortas com o peso do SBP.

Elas sobrevivem a altíssimos níveis de radiação, a uma possível guerra nuclear, e só por causa dessa bobagenzinha à toa se acham invencíveis, a ponto não apenas de nos chamar para uma briga, mas de copular sem respeitar nem a lei da gravidade, quanto mais seres humanos. É por isso que eu as mato: para ensiná-las boas maneiras. Para mostrar quem manda por aqui.

Também não respeito aranhas. Aos que usarão minha naturalidade pelotense para disparar piadinhas contra mim, previno-me: estou me referindo aos artrópodes de oito patas. E eis aí um bom motivo para eu não respeitá-las. Aranhas controlam graciosamente nada menos do que OITO pernas. Eu, por vezes, me esborracho no chão utilizando míseras duas pernas, que são absolutamente incontroláveis e até mesmo inúteis quando estou bêbado.

Mas não é só isso. Outro dia, uma aranha quase me causou um grave e talvez irreversível dano psicológico. Era um belo início de tarde e, sabe Deus como, uma bruxinha (chamada em outras querências de mariposa, um dos poucos insetos que, embora feia de doer, eu respeito) adentrou meu quarto, mais perdida que surdo em bingo. "Coitada", pensei com meus botões, "se perdeu! Vou abrir a janela, pra ver se ela toma o rumo da rua, da liberdade!". E é provável que a bruxinha tenha lido meu pensamento, porque tão logo abri a janela, ela voou serelepe em direção à rua, agradecendo-me.

O que nem Mister M explica é como uma aranha do tamanho de uma bola de pingue-pongue é capaz de viver no vão de uma janela sem que ninguém saiba. Distraída devido à faceirice de ter recebido a liberdade de mim, a bruxinha voou próxima demais do vão da janela. E no meio do caminho havia uma aranha. Havia uma aranha no meio do caminho. Estupefato, assisti o cruel aracnídeo saltar sobre o inseto voador, aplicando-lhe um gracioso e imbatível mata-leão com suas oito patas. Foi assim que eu soube que uma aranha morava comigo.

E eu fiquei com um peso na consciência. Eu era responsável direto pela morte de uma serelepe e esvoaçante bruxinha. Tão abalado fiquei que, enquanto a aranha injetava seu veneno na bruxinha, fui desabafar com minha mãe.

- Mãe! Uma inocente bruxinha está morta! Ela jamais poderá balançar asas livremente pelos ares! E é tudo culpa minha! - Chamei-a para mostrar a aranha assassina, que ainda estava agarrada à vítima, que por sua vez foi entregue de bandeja por mim. Infortúnio dos infortúnios!

Daí minha mãe mostrou o respeito que devemos ter por aranhas e insetos: pegou um papel higiênico, esmagou a aranha com bruxinha e tudo e atirou pela janela. É isso aí, mãe!