(...)
"Não havia mais remédio. A donzela, enfeitiçada, rendeu-se ao mestre.
- Venha - disse, oferecendo seu pescoço -. Venha, possua-me. Torna-me imortal, como tu.
Com um olhar possuído, Drácula admirou a cena: a bela donzela, oferecendo seu sangue, fresco, pronto para saciar sua sede, seu prazer. Aproximou-se, os caninos se sobressaindo a cada passo. Tomou a donzela nos braços, deu um grito estridente e cravou os dentes pontiagudos em sua jugular...
... mas ela estava cheia de espinhas no pescoço, e o mestre das trevas acabou com a boca cheia de pus.
- Pelo menos não é alho... - conformou-se Conde Drácula."
------
(...)
"A Lua Cheia denunciava: a noite daquela sexta estava chegando, fatídica e inevitável. Seus raios e sua energia atingiram o jovem rapaz, dando início à transformação. As orelhas cresceram assustadoramente; a boca tomou, pouco a pouco, formato de focinho, largo, com dentes furiosamente ameaçadores. Os pêlos...
... não apareceram em sua plenitude.
Os pêlos tanto das pernas como dos braços e do tórax estavam muitíssimo bem aparados. Uma testemunha jurou que o suvaco estava completamente depilado. A sobrancelha estava muito bem desenhada, e, quando as unhas cresceram, revelaram a ausência de cutículas e um esmalte cor-de-café da Impala.
Jorge, o caçula da família, irmão de sete meninas, era metrossexual. No dia anterior, havia visitado um salão de beleza, onde depilou as partes íntimas, o suvaco e fez mãos e patas.
Uivou satisfeito para a Lua Cheia e foi atacar o galinheiro do vizinho. Com todo o cuidado, para não estragar as unhas."
------
(...)
"Quando puxou a alavanca, um raio cortou o céu noturno, iluminando a chuva que caía sem dar trégua lá fora. No laboratório, uma risada histérica denunciou que Victor Frankenstein havia chegado ao seu perigoso objetivo.
Ria, ria descontroladamente, excitado com seu sucesso. A monstruosa criatura ainda jazia na cama, deitada. Lentamente abriu os olhos e lançou um olhar furtivo, de estranhamento, para o seu criador.
- Levanta-te e anda, meu filho! - ordenou Victor Frankenstein, cada vez mais excitado, achando-se Jesus Cristo.
O monstro, preguiçosamente cerrando os olhos, virou-se para o lado e resmungou:
- Só mais cinco minutinhos..."
quarta-feira, 18 de agosto de 2010
terça-feira, 20 de julho de 2010
Por dentro
Ele era um humorista sem muito sucesso. E testava as piadas com sua namorada. "Namorada".
- O japa não viu nada. Tava de olhos meio fechados.
- Ah.
- Que foi? Essa não foi boa? - perguntou ele, meio decepcionado.
- Foi sim.
- Mas você não riu.
- Ri sim. Eu ri por dentro, amor.
Mas era um humorista meio vingativo.
- E aí querido, foi bom pra você?
- Ô.
- Sério mesmo?
- Sério.
- Mas você nem gozou.
- Gozei sim, amor. É que eu gozei por dentro.
O que ele não sabia é que ela era uma namorada - "namorada" - meio vingativa, também. Engravidou pouco tempo depois - sabe-se lá de quem. E aproveitou pra jogar a culpa nele.
- Grávida?
- É. E é teu.
- Mas eu...
- Gozou por dentro, não lembra?
- O japa não viu nada. Tava de olhos meio fechados.
- Ah.
- Que foi? Essa não foi boa? - perguntou ele, meio decepcionado.
- Foi sim.
- Mas você não riu.
- Ri sim. Eu ri por dentro, amor.
Mas era um humorista meio vingativo.
- E aí querido, foi bom pra você?
- Ô.
- Sério mesmo?
- Sério.
- Mas você nem gozou.
- Gozei sim, amor. É que eu gozei por dentro.
O que ele não sabia é que ela era uma namorada - "namorada" - meio vingativa, também. Engravidou pouco tempo depois - sabe-se lá de quem. E aproveitou pra jogar a culpa nele.
- Grávida?
- É. E é teu.
- Mas eu...
- Gozou por dentro, não lembra?
segunda-feira, 28 de junho de 2010
Fazendo gol e... dançando?
Vocês sabem, sou um guri de imaginação muito fértil. Eu diria que a probabilidade de meu cérebro ser adubado com esterco de búfalo seria bastante plausível, mas eu não lembro de alguma vez ter comido carne de búfalo. Quanto mais cocô.
(Isso considerando que o fato de rebatizar o cocô e chamá-lo de "esterco" faça com que ele realmente tenha propriedades fertilizantes. Pra mim é tudo jogada de marketing de gente que quer sacanear a nossa cara, e a maior prova disso é a lenda que diz que caca de galinha faz crescer barba.)
Enfim, onde eu estava?
Ah sim, sou um guri de imaginação fértil. Hoje mesmo minha imaginação funcionou a milhões. Assistindo o jogo da Seleção Brasileira contra o Chile pela Copa do Mundo, via Robinho em ação e imaginava que dancinha escrota o rapaz ia executar, caso marcasse um gol.
Se fosse eu a comemorar um tento, baixaria em mim o espírito tradicionalista gaúcho, e eu dançaria a chula. Mazá!
Mas aí eu lembrei que ontem, depois do Fantástico, a Globo exibiu o filme "This Is It", do finado ídolo dançante Michael Jackson. Mas bah tchê, não há chula que bata uma dança do Michael Jackson! E pronto. Decidi que, se eu estivesse em campo e marcasse um gol, dançaria They Don't Care About Us. Aquele passo marchando e batendo com a mão direita no peito.
Decisão imaginária tomada, fui tomar meu banho. Porque imaginar demais também é um exercício e me deixa com uma asa do inferno. Neste banho, ao invés de cantar, resolvi me perguntar: será que sei dançar o que me propus dançar caso meu hipotético gol fosse marcado?
Resolvi tirar a prova.
Para o bem de todos e felicidade geral da nação, pensei que não seria bom eu dançar a chula embaixo do chuveiro. Além do espaço reduzido do box, dançar a chula em um chão escorregadio me faria não apenas quebrar meu próprio corpo, mas também o banheiro, o quarto ao lado, a cozinha e a porta do vizinho. Portanto, pelado e molhado, resolvi conferir se não faria feio caso meu hipotético gol fosse marcado com They Don't Care About Us - a tal marcha com a mão direita batendo no peito. E cheguei a uma conclusão:
Sou disparadamente o pior dançarino do mundo.
Sem mais.
(Isso considerando que o fato de rebatizar o cocô e chamá-lo de "esterco" faça com que ele realmente tenha propriedades fertilizantes. Pra mim é tudo jogada de marketing de gente que quer sacanear a nossa cara, e a maior prova disso é a lenda que diz que caca de galinha faz crescer barba.)
Enfim, onde eu estava?
Ah sim, sou um guri de imaginação fértil. Hoje mesmo minha imaginação funcionou a milhões. Assistindo o jogo da Seleção Brasileira contra o Chile pela Copa do Mundo, via Robinho em ação e imaginava que dancinha escrota o rapaz ia executar, caso marcasse um gol.
Se fosse eu a comemorar um tento, baixaria em mim o espírito tradicionalista gaúcho, e eu dançaria a chula. Mazá!
Mas aí eu lembrei que ontem, depois do Fantástico, a Globo exibiu o filme "This Is It", do finado ídolo dançante Michael Jackson. Mas bah tchê, não há chula que bata uma dança do Michael Jackson! E pronto. Decidi que, se eu estivesse em campo e marcasse um gol, dançaria They Don't Care About Us. Aquele passo marchando e batendo com a mão direita no peito.
Decisão imaginária tomada, fui tomar meu banho. Porque imaginar demais também é um exercício e me deixa com uma asa do inferno. Neste banho, ao invés de cantar, resolvi me perguntar: será que sei dançar o que me propus dançar caso meu hipotético gol fosse marcado?
Resolvi tirar a prova.
Para o bem de todos e felicidade geral da nação, pensei que não seria bom eu dançar a chula embaixo do chuveiro. Além do espaço reduzido do box, dançar a chula em um chão escorregadio me faria não apenas quebrar meu próprio corpo, mas também o banheiro, o quarto ao lado, a cozinha e a porta do vizinho. Portanto, pelado e molhado, resolvi conferir se não faria feio caso meu hipotético gol fosse marcado com They Don't Care About Us - a tal marcha com a mão direita batendo no peito. E cheguei a uma conclusão:
Sou disparadamente o pior dançarino do mundo.
Sem mais.
sexta-feira, 14 de maio de 2010
Chance de polêmica na Igreja
Polícia encontra 38 imagens de santa recheadas com maconha
Tá mal explicada essa história. Tenho certeza que as santas estavam sendo utilizadas em uma procissão contrária às drogas, que ocorria paralelamente à Marcha da Maconha. Os policiais começaram a desconfiar de algo quando os fiéis passaram a dizer "só, irmão" ao invés de "amém". "Pô, essa santa aí, mó da hora meu, podicrê. Só, irmão", rezavam os fiéis, em uníssono.
Se eu fosse da Igreja, investigaria o caso. Se há santas que choram sangue, outras vertem mel e outras choram sangue melado, por que uma santa não pode ter olhos vermelhos, verter maconha por todos os poros e reclamar da larica? Existe milagre pra tudo nessa vida. Não acho correto ligar traficantes a este caso sem, antes, haver uma investigação criteriosa da Igreja.
Eu poderia telefonar para alguma autoridade católica agora e relatar o caso. Tenho certeza que eles se interessariam. Só não o faço por que eu bem me conheço e não resistiria à tentação de fazer outras perguntas.
- Mas, senhor bispo, e a pedofilia na Igreja hein?
- Meu filho, não mude de assunto. Vamos investigar a santa maconheira.
Tá mal explicada essa história. Tenho certeza que as santas estavam sendo utilizadas em uma procissão contrária às drogas, que ocorria paralelamente à Marcha da Maconha. Os policiais começaram a desconfiar de algo quando os fiéis passaram a dizer "só, irmão" ao invés de "amém". "Pô, essa santa aí, mó da hora meu, podicrê. Só, irmão", rezavam os fiéis, em uníssono.
Se eu fosse da Igreja, investigaria o caso. Se há santas que choram sangue, outras vertem mel e outras choram sangue melado, por que uma santa não pode ter olhos vermelhos, verter maconha por todos os poros e reclamar da larica? Existe milagre pra tudo nessa vida. Não acho correto ligar traficantes a este caso sem, antes, haver uma investigação criteriosa da Igreja.
Eu poderia telefonar para alguma autoridade católica agora e relatar o caso. Tenho certeza que eles se interessariam. Só não o faço por que eu bem me conheço e não resistiria à tentação de fazer outras perguntas.
- Mas, senhor bispo, e a pedofilia na Igreja hein?
- Meu filho, não mude de assunto. Vamos investigar a santa maconheira.
segunda-feira, 19 de abril de 2010
Desmascarando uma piada baseada em mentiras
Algumas pessoas me perguntam se as situações engraçadinhas que eu escrevo inserindo-me como personagem principal são verídicas. Bem, algumas sim, outras não.
É que, como eu detesto perder piada, costumo fazê-las mesmo que tenha que mentir pra isso. Só pra fazer rir - ou tentar. Mas muita gente não entende isso.

"Cacete, esse guri é um viciado louco! Não tinha Sorinan no banho e ele cheirou shampoo anti-caspa! Será que ele queria tirar a caspa dos pêlos do nariz?", dirão alguns.
Ora, é fácil perceber que isso tudo é uma grande mentira. O segredo é parar e analisar, fria e racionalmente, todas as informações:
1- Eu não estava exatamente debaixo do chuveiro. Eu estava um pouco mais à frente, devido ao direcionamento da água.
2- Eu não tateei atrás do Sorinan, porque eu sabia que ele não estava ali. Isso ocorre porque eu não tenho o depreciável hábito de tomar banho em sua companhia. Logo, a teoria que me taxa de "viciado louco" é infundada.
3- Eu não uso Sorinan. Uso Neosoro. Às vezes, Multisoro.
4- Eu não tenho shampoo anti-caspa, haja visto a ausência de caspa neste rico couro cabeludo.
A única verdade nessa piadinha é que eu quase morri sufocado no banho. Se me baseasse apenas em verdades, a piada sairia mais ou menos assim:
"Quase morri sufocado tomando banho. Desejei ardentemente meu Neosoro, mas ele estava no quarto. Tive uma vontade louca de cheirar meu shampo anti-quedas que uso no meu rico couro-carecudo, mas mantive firme minha consciência, muito embora a falta de oxigênio estivesse me exaurindo e aguentei até o fim do banho.
Enxuguei-me com cuidado e corri pelado até a cabeceira da minha cama, onde meu Neosoro aguardava-me fielmente. Tive a impressão de vê-lo de calcinha fio-dental vermelha, mas creio que isso foi fruto de uma alucinação causada pela falta de oxigênio em meu cérebro, aliada a uma provável crise de abstinência."
Mas não fiz essa piada no Twitter, porque tem bem mais de 140 caracteres aí. Então preferi mentir pra não perder a piada.
É que, como eu detesto perder piada, costumo fazê-las mesmo que tenha que mentir pra isso. Só pra fazer rir - ou tentar. Mas muita gente não entende isso.

"Cacete, esse guri é um viciado louco! Não tinha Sorinan no banho e ele cheirou shampoo anti-caspa! Será que ele queria tirar a caspa dos pêlos do nariz?", dirão alguns.
Ora, é fácil perceber que isso tudo é uma grande mentira. O segredo é parar e analisar, fria e racionalmente, todas as informações:
1- Eu não estava exatamente debaixo do chuveiro. Eu estava um pouco mais à frente, devido ao direcionamento da água.
2- Eu não tateei atrás do Sorinan, porque eu sabia que ele não estava ali. Isso ocorre porque eu não tenho o depreciável hábito de tomar banho em sua companhia. Logo, a teoria que me taxa de "viciado louco" é infundada.
3- Eu não uso Sorinan. Uso Neosoro. Às vezes, Multisoro.
4- Eu não tenho shampoo anti-caspa, haja visto a ausência de caspa neste rico couro cabeludo.
A única verdade nessa piadinha é que eu quase morri sufocado no banho. Se me baseasse apenas em verdades, a piada sairia mais ou menos assim:
"Quase morri sufocado tomando banho. Desejei ardentemente meu Neosoro, mas ele estava no quarto. Tive uma vontade louca de cheirar meu shampo anti-quedas que uso no meu rico couro-carecudo, mas mantive firme minha consciência, muito embora a falta de oxigênio estivesse me exaurindo e aguentei até o fim do banho.
Enxuguei-me com cuidado e corri pelado até a cabeceira da minha cama, onde meu Neosoro aguardava-me fielmente. Tive a impressão de vê-lo de calcinha fio-dental vermelha, mas creio que isso foi fruto de uma alucinação causada pela falta de oxigênio em meu cérebro, aliada a uma provável crise de abstinência."
Mas não fiz essa piada no Twitter, porque tem bem mais de 140 caracteres aí. Então preferi mentir pra não perder a piada.
segunda-feira, 12 de abril de 2010
Substituam as agulhas
Perdoem-me por qualquer erro de digitação nesse texto. É que estou com um braço seriamente lesionado. Hoje à tarde fui ferido com gravidade por uma brutal agulha, ao ser vacinado contra a gripe H1N1 Influenza A Suína de nobre coração que vai todos os dias ao bosque recolher lenha.
Meu braço ficou com uma marca de sangue horrorosa. Se alguém estiver olhando para o meu braço a uma distância menor que meio metro, é capaz de enxergar um ponto vermelho-sangue a olho nu. Um absurdo. Falo da marca da tortura, e não da nudez do olho. Este é livre pra ficar pelado caso esta ideia lhe passe pela telha. Ou pela córnea.
Não é novidade para ninguém o asco que tenho de agulhas, este medieval, arcaico e ultrapassado instrumento que finge ser uma bênção da humanidade, mas que é um instrumento de tortura. E não venham dizer que medo de agulha é coisa de viado. Achar normal ou até prazeiroso que um ferrinho fique te furando é que é coisa de viado. Brrrr.
Enfim, fui vacinado. Uma agulha cruel perfurou meu braço, e o de tantos outros cidadãos inocentes, unicamente porque a humanidade é preguiçosa e acomodada, não se permitindo pensar em alternativas menos bárbaras para vacinação, extração de sangue e enfeites coloridos ou metálicos pelo corpo. Eu mesmo, momentos antes de ser metralhado pela impiedosa agulha, tentei - em vão - sugerir algumas alternativas às moças que manusearam o antiquado e perfurante instrumento metálico.
Perguntei, primeiramente, se não havia uma versão da vacina em gotinhas. Lastimavelmente, não há. Fica, então, a ideia às autoridades de saúde nacional. Abriria, inclusive, a possibilidade de uma campanha de vacinação muito mais atraente. Pensemos: uma vacina de gotinhas poderia contar com o simpático Zé Gotinha como garoto-propaganda. Gota-propaganda, no caso. Com uma agulha, que simpático ser teríamos como garoto-propaganda? O Zé Agulhinha? Caríssimos: agulhas não atraem a atenção de crianças, nem de cabeludos barbudos de 26 anos.
Alguém argumentará que o sabor da vacina deve ser terrível, o que inviabiliza a possibilidade de ser administrada via oral. Pois lhes digo: isso não é desculpa para uma humanidade que se acostumou a utilizar chá de boldo para amenizar os efeitos de uma simples dor de barriga ou de uma mera ressaca.
Ainda assim, pensei nessa possibilidade: as moças que aplicavam a vacina não iriam administrá-la via oral por causa de um possível gosto ruim. Sugeri então que a solução anti-gripe-porca fosse adicionada a um saboroso suco, quiçá de laranja, ou mesmo à uma saborosa caipirinha tradicionalmente brazuca. Essa ideia foi descartada por uma das moças:
- Nem pensar. Depois de tomar a vacina, tem que ficar 24 horas sem beber nada alcoólico.
Ora! Além de ter meu braço metralhado, ainda tenho meus direitos de degustar cerveja tolhidos por causa de uma vacina? Pensei se a tal vacina teria seu efeito anulado ou mesmo produzisse um efeito colateral grave se eu ingerisse alguma bebida alcoólica, mas não tardei a perceber que essa ideia não tem muito sentido. Sabe-se que o álcool é um líquido eficaz na tarefa de matar germes, bactérias, fungos, rastros de bom senso analítico de beleza alheia, motoristas sem noção e outros bichinhos nocivos à nossa saúde. Aliado à uma fórmula que previne a Influenza A, teríamos um exército praticamente imbatível correndo em nossas veias, em prol de nossa saúde!
Fica, pois, novamente a dica: adicionar a fórmula da vacina a líquidos consumíveis. Eu, por exemplo, acharia interessante ser vacinado contra a Influenza A tomando chimarrão. Afinal, o amargo é um velho, inseparável e fiel amigo.
Eu sei, vocês dirão que eu estou exagerando, já que sou doador de sangue. Mas a própria doação de sangue pode ser repensada, com o objetivo de eliminar a agulha do procedimento. Por exemplo: se estou bem informado, e se não é uma lenda babaca (se for, dane-se, quero escrever esse parágrafo em paz, me deixem), há uma técnica de yoga onde a pessoa faz certos movimentos com a barriga que permite uma melhor digestão, e oferece até a possibilidade de comer mais, mesmo depois de satisfeito!
Pois bem: e se existisse uma técnica de yoga que, após alguns movimentos do abdômen, permitisse expelir sangue pela uretra, sem prejuízos à saúde? A agulha estaria eliminada!
Poderíamos, também, criar um sistema de colheita de sangue a domicílio. Por exemplo, digamos que eu esteja na cozinha, preparando um almoço, cortando distraidamente, sei lá, cebola ou tomate, e de repente ZAP! Um corte grande aparece no meu dedo. Lamentaríamos, xingaríamos e só então nos dirigiríamos ao telefone.
- Alô, é do Hemocentro? Eu cortei o dedo aqui e tá saindo bastante sangue. Quero doar. É A positivo.
Infelizmente, tudo isso é um doce sonho da minha mente. E sonhar não impediu que meu braço fosse impiedosamente furado por uma agulha, com o único intuito de me tornar imune a uma gripe que surgiu em porcos. Quer dizer que agora eu não preciso mais usar camisinhas com porcos? Oh, estou tão animado que quase dormi enquanto escrevia essa frase.
Posso comer bacon à vontade, inclusive estragado? Opa, assim tá melhor.
Meu braço ficou com uma marca de sangue horrorosa. Se alguém estiver olhando para o meu braço a uma distância menor que meio metro, é capaz de enxergar um ponto vermelho-sangue a olho nu. Um absurdo. Falo da marca da tortura, e não da nudez do olho. Este é livre pra ficar pelado caso esta ideia lhe passe pela telha. Ou pela córnea.
Não é novidade para ninguém o asco que tenho de agulhas, este medieval, arcaico e ultrapassado instrumento que finge ser uma bênção da humanidade, mas que é um instrumento de tortura. E não venham dizer que medo de agulha é coisa de viado. Achar normal ou até prazeiroso que um ferrinho fique te furando é que é coisa de viado. Brrrr.
Enfim, fui vacinado. Uma agulha cruel perfurou meu braço, e o de tantos outros cidadãos inocentes, unicamente porque a humanidade é preguiçosa e acomodada, não se permitindo pensar em alternativas menos bárbaras para vacinação, extração de sangue e enfeites coloridos ou metálicos pelo corpo. Eu mesmo, momentos antes de ser metralhado pela impiedosa agulha, tentei - em vão - sugerir algumas alternativas às moças que manusearam o antiquado e perfurante instrumento metálico.
Perguntei, primeiramente, se não havia uma versão da vacina em gotinhas. Lastimavelmente, não há. Fica, então, a ideia às autoridades de saúde nacional. Abriria, inclusive, a possibilidade de uma campanha de vacinação muito mais atraente. Pensemos: uma vacina de gotinhas poderia contar com o simpático Zé Gotinha como garoto-propaganda. Gota-propaganda, no caso. Com uma agulha, que simpático ser teríamos como garoto-propaganda? O Zé Agulhinha? Caríssimos: agulhas não atraem a atenção de crianças, nem de cabeludos barbudos de 26 anos.
Alguém argumentará que o sabor da vacina deve ser terrível, o que inviabiliza a possibilidade de ser administrada via oral. Pois lhes digo: isso não é desculpa para uma humanidade que se acostumou a utilizar chá de boldo para amenizar os efeitos de uma simples dor de barriga ou de uma mera ressaca.
Ainda assim, pensei nessa possibilidade: as moças que aplicavam a vacina não iriam administrá-la via oral por causa de um possível gosto ruim. Sugeri então que a solução anti-gripe-porca fosse adicionada a um saboroso suco, quiçá de laranja, ou mesmo à uma saborosa caipirinha tradicionalmente brazuca. Essa ideia foi descartada por uma das moças:
- Nem pensar. Depois de tomar a vacina, tem que ficar 24 horas sem beber nada alcoólico.
Ora! Além de ter meu braço metralhado, ainda tenho meus direitos de degustar cerveja tolhidos por causa de uma vacina? Pensei se a tal vacina teria seu efeito anulado ou mesmo produzisse um efeito colateral grave se eu ingerisse alguma bebida alcoólica, mas não tardei a perceber que essa ideia não tem muito sentido. Sabe-se que o álcool é um líquido eficaz na tarefa de matar germes, bactérias, fungos, rastros de bom senso analítico de beleza alheia, motoristas sem noção e outros bichinhos nocivos à nossa saúde. Aliado à uma fórmula que previne a Influenza A, teríamos um exército praticamente imbatível correndo em nossas veias, em prol de nossa saúde!
Fica, pois, novamente a dica: adicionar a fórmula da vacina a líquidos consumíveis. Eu, por exemplo, acharia interessante ser vacinado contra a Influenza A tomando chimarrão. Afinal, o amargo é um velho, inseparável e fiel amigo.
Eu sei, vocês dirão que eu estou exagerando, já que sou doador de sangue. Mas a própria doação de sangue pode ser repensada, com o objetivo de eliminar a agulha do procedimento. Por exemplo: se estou bem informado, e se não é uma lenda babaca (se for, dane-se, quero escrever esse parágrafo em paz, me deixem), há uma técnica de yoga onde a pessoa faz certos movimentos com a barriga que permite uma melhor digestão, e oferece até a possibilidade de comer mais, mesmo depois de satisfeito!
Pois bem: e se existisse uma técnica de yoga que, após alguns movimentos do abdômen, permitisse expelir sangue pela uretra, sem prejuízos à saúde? A agulha estaria eliminada!
Poderíamos, também, criar um sistema de colheita de sangue a domicílio. Por exemplo, digamos que eu esteja na cozinha, preparando um almoço, cortando distraidamente, sei lá, cebola ou tomate, e de repente ZAP! Um corte grande aparece no meu dedo. Lamentaríamos, xingaríamos e só então nos dirigiríamos ao telefone.
- Alô, é do Hemocentro? Eu cortei o dedo aqui e tá saindo bastante sangue. Quero doar. É A positivo.
Infelizmente, tudo isso é um doce sonho da minha mente. E sonhar não impediu que meu braço fosse impiedosamente furado por uma agulha, com o único intuito de me tornar imune a uma gripe que surgiu em porcos. Quer dizer que agora eu não preciso mais usar camisinhas com porcos? Oh, estou tão animado que quase dormi enquanto escrevia essa frase.
Posso comer bacon à vontade, inclusive estragado? Opa, assim tá melhor.
terça-feira, 6 de abril de 2010
Apreciador contumaz
Ele era um apreciador contumaz de cerveja.
- Se eu quero mais cerveja? Ora, contumaz, melhor. - sempre dizia.
- Se eu quero mais cerveja? Ora, contumaz, melhor. - sempre dizia.
Assinar:
Postagens (Atom)
