- Não gosto de bacon.
- Como?
- Não gosto... sei lá. Não gosto.
- Como assim, "não gosta de bacon"?
- Sei lá... só não gosto.
- Some daqui.
- Oi?
- Some da minha casa.
- Calma...
- É sério. Some da minha casa.
- Ei, espera! Não empurra!
- Tô falando sério. Some da minha casa, seu... não-comedor de bacon.
- Espera! Me escuta! Não empurra, deixa eu ficar!
- Nunca. Some da minha casa. Vai... vai... vai não-comer bacon longe daqui.
- Calma! Deixa eu ficar! Se eu ficar, sobra mais bacon pra ti!
- Hm...
- Sabe? Eu não como bacon... fica mais pra ti.
- É. Isso é verdade.
- Pois então.
- Tá, fica. Mas não abre a boca. Não quero mais ouvir tua voz. Quem não abre a boca pra comer bacon não merece abrir a boca pra mais nada.
- Tá bom...
- Cala a boca.
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quarta-feira, 29 de janeiro de 2014
sexta-feira, 27 de dezembro de 2013
Ajuda
- Então doutor...
- Sim.
- Eu vim aqui porque... bem, estou com problemas com a minha amada esposa.
- Ótimo, ficarei satisfeito em ajudá-los. Mas...
- Mas o quê, doutor? Tem algum empecilho?
- É necessário que ela venha junto...
- Ah, então...
- ... afinal, eu sou terapeuta de casais.
- Exatamente. Esperava que o senhor pudesse me ajudar com isso também.
- Não entendi.
- Estou encalhadíssimo, doutor. Me arranja um casamento?
.
- Sim.
- Eu vim aqui porque... bem, estou com problemas com a minha amada esposa.
- Ótimo, ficarei satisfeito em ajudá-los. Mas...
- Mas o quê, doutor? Tem algum empecilho?
- É necessário que ela venha junto...
- Ah, então...
- ... afinal, eu sou terapeuta de casais.
- Exatamente. Esperava que o senhor pudesse me ajudar com isso também.
- Não entendi.
- Estou encalhadíssimo, doutor. Me arranja um casamento?
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quarta-feira, 30 de outubro de 2013
Lu Patinadora
- A gente tá recebendo aqui o Eugênio, que vai contar pra gente como é que ele descobriu. Eugênio, conta pra quem tá nos assistindo.- Ah, então Fátima, na verdade eu descobri quando ainda criança. Eu ganhava carrinhos, bonequinhos, bolas, mas achava muito mais interessante os brinquedos das meninas, sabe?
- É mesmo? Você preferia brincar com coisas que não eram de meninos?
- Exatamente. Eu não achava graça em empurrar o carrinho, em pegar bonequinho e brincar de luta. Futebol, então... nossa, nunca vi graça. Sabe que eu lembro que, quando ganhei minha primeira bola, eu chorei...
- Chorou? Nossa, mas então não gostava mesmo... mas não chorou de alegria?
- Não! Eu não gostava mesmo...
- Você me desculpe a brincadeira... mas então, você brincava com coisas de menina?
- Isso. Eu tinha uma priminha da mesma idade que eu e sempre invejei os brinquedos dela. Ela tinha uma boneca que falava "mamãe", e a primeira vez que eu vi aquilo fiquei encantado...
- Que bonitinho...
- E ela também tinha um cachorrinho que saltava... era um cachorrinho bem fofo. A gente ligava, ele dava uns 4 latidinhos fininhos e depois dava um susto na gente! Ele dava um salto mortal... eu achava o máximo.
- Sim! Minha filha teve esse cachorrinho, teve esse mesmo susto...
- E tinha uma boneca que dava risadinha, eu achava aquilo lindo... e lembra da Lu Patinadora? De repente alguém aqui da plateia lembra, era uma boneca que andava de patins. Não era o máximo gente? Ah, a Lu Patinadora era uma coisa simplesmente maravilhosa!
- Sim, claro... olha, tem um monte de gente concordando!
- Pois é. E foi isso. Acho que a Lu Patinadora mudou minha vida mesmo...
- Muito interessante. Isso só reforça que essa coisa já vem de criança, né? Não se trata exatamente de uma escolha...
- Pois é, foi desde criança mesmo. Digamos que foi por causa da Lu Patinadora que eu resolvi seguir nessa área da robótica.
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sexta-feira, 16 de agosto de 2013
Fácil
- Tu fala como se fosse possível decidir parar de gostar de alguém.
- Mas é possível.
- Claro que não. Essas coisas a gente não escolhe.
- Escolhe sim. Essas coisas são como parar de fumar, sabe? É tão fácil que tem gente que pára de fumar 2 ou 3 vezes por semana.
- Ai, chato. É sério, essas coisas a gente não escolhe. Não dá pra mandar.
- Dá sim.
- Já tentou parar de gostar de alguém? Aposto que não consegue.
- Eu consigo.
- Já tentou?
- Já. Faço isso sempre.
- Sempre com que frequência?
- Sempre que eu te vejo.
.
- Mas é possível.
- Claro que não. Essas coisas a gente não escolhe.
- Escolhe sim. Essas coisas são como parar de fumar, sabe? É tão fácil que tem gente que pára de fumar 2 ou 3 vezes por semana.
- Ai, chato. É sério, essas coisas a gente não escolhe. Não dá pra mandar.
- Dá sim.
- Já tentou parar de gostar de alguém? Aposto que não consegue.
- Eu consigo.
- Já tentou?
- Já. Faço isso sempre.
- Sempre com que frequência?
- Sempre que eu te vejo.
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quinta-feira, 7 de fevereiro de 2013
Prestativo e atencioso
- Bem...
- Fala.
- Fechou a porta?
- Fechei.
- Mas trancou? Fechar de passar a chave?
- Sim.
- Tem certeza?
- Tenho. Quero dizer... olha, eu lembro de ter passado a chave.
- Eu vou lá conferir pra ti.
- Tá.
***
- É, tava trancada mesmo.
- Falei que tinha trancado.
- Mas não tinha certeza.
- Acontece.
- Putz!
- Que foi?
- Não percebi se a janela da frente tava fechada.
- Mas eu fechei.
- Fechou?
- Sim. Eu acho.
- Acha?
- Acho...
- Eu vou lá conferir pra ti.
- Tá.
***
- É, tava fechada mesmo.
- Eu falei que tinha fechado?
- Tu só achava...
- E achei certo, no fim das contas.
- Pura sorte.
- Sorte nada...
- Peraí!
- Que foi?
- E a descarga?
- Que tem?
- Tu puxou a descarga?
- Eu não, não usei o banheiro antes de vir pra cá...
- Mas será que tá puxada?
- Deixa assim, no meio da noite eu levanto, uso e puxo a descarga.
- Se tu lembrar, né?
- Deixa comigo.
- Nada disso. Já pensou ter que encarar o banheiro de manhã cedo com um baita fedor? Eu vou lá conferir pra ti.
- Tá bom...
***
- É, tava puxada mesmo.
- Viu? Foi lá à toa.
- Que nada. Já pensou o fedor logo de manhã cedo?
- Ai...
- Que foi?
- Tem mais alguma coisa que a gente esqueceu?
- Não sei. Tem?
- Eu não sei também. Mas por acaso tu vai lá na cozinha?
- Não pretendo. Por quê? Esquecemos o gás aberto?!
- Não! Disso eu tenho certeza absoluta.
- Então o quê?
- É que, se tu fosse lá, eu ia te pedir pra me trazer um copo d'água.
- Ah. Quer que eu traga?
- Não, deixa. Já vou ali, só vou esperar o intervalo do jornal.
- Se quiser eu vou ali.
- Não precisa.
- Tem certeza?
- Tenho.
- Tá bom.
- Mas se tu quiser...
- Quer que eu vá?
- Ai, quero...
- Vou ali buscar pra ti.
- Tá.
***
- Tá aqui.
- Obrigada.
- Não há de quê.
- ...
- Que foi agora?
- Não sei...
- Olha, posso te garantir que agora não esquecemos nada. Tá tudo feito.
- Então... quer dizer que só me resta estudar?
.
- Fala.
- Fechou a porta?
- Fechei.
- Mas trancou? Fechar de passar a chave?
- Sim.
- Tem certeza?
- Tenho. Quero dizer... olha, eu lembro de ter passado a chave.
- Eu vou lá conferir pra ti.
- Tá.
- É, tava trancada mesmo.
- Falei que tinha trancado.
- Mas não tinha certeza.
- Acontece.
- Putz!
- Que foi?
- Não percebi se a janela da frente tava fechada.
- Mas eu fechei.
- Fechou?
- Sim. Eu acho.
- Acha?
- Acho...
- Eu vou lá conferir pra ti.
- Tá.
- É, tava fechada mesmo.
- Eu falei que tinha fechado?
- Tu só achava...
- E achei certo, no fim das contas.
- Pura sorte.
- Sorte nada...
- Peraí!
- Que foi?
- E a descarga?
- Que tem?
- Tu puxou a descarga?
- Eu não, não usei o banheiro antes de vir pra cá...
- Mas será que tá puxada?
- Deixa assim, no meio da noite eu levanto, uso e puxo a descarga.
- Se tu lembrar, né?
- Deixa comigo.
- Nada disso. Já pensou ter que encarar o banheiro de manhã cedo com um baita fedor? Eu vou lá conferir pra ti.
- Tá bom...
- É, tava puxada mesmo.
- Viu? Foi lá à toa.
- Que nada. Já pensou o fedor logo de manhã cedo?
- Ai...
- Que foi?
- Tem mais alguma coisa que a gente esqueceu?
- Não sei. Tem?
- Eu não sei também. Mas por acaso tu vai lá na cozinha?
- Não pretendo. Por quê? Esquecemos o gás aberto?!
- Não! Disso eu tenho certeza absoluta.
- Então o quê?
- É que, se tu fosse lá, eu ia te pedir pra me trazer um copo d'água.
- Ah. Quer que eu traga?
- Não, deixa. Já vou ali, só vou esperar o intervalo do jornal.
- Se quiser eu vou ali.
- Não precisa.
- Tem certeza?
- Tenho.
- Tá bom.
- Mas se tu quiser...
- Quer que eu vá?
- Ai, quero...
- Vou ali buscar pra ti.
- Tá.
- Tá aqui.
- Obrigada.
- Não há de quê.
- ...
- Que foi agora?
- Não sei...
- Olha, posso te garantir que agora não esquecemos nada. Tá tudo feito.
- Então... quer dizer que só me resta estudar?
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quarta-feira, 28 de março de 2012
Péssimo pra nomes
- Uh...
- Isso...
- Hmm...
- Assim, vai...
- Aah, Mariana...
- ...
- Aaah...
- ...
- Hmm...
- Não, pode parar.
- Que foi?
- Quem é Mariana?
- Que Mariana?
- Eu que te pergunto!
- Mas... mas que Mariana?
- Não te faz de trouxa.
- Eu falei "Mariana"?
- Não te faz de trouxa!
- Desculpa. Eu sou péssimo pra nomes, tu sabe.
- Ah tá...
- É sério!
- E isso lá é justificativa? Que coisa ridícula!
- Mas eu sou! E tu sabe bem disso!
- Ah sei...
- É sério. Ontem mesmo tu me viu chamando minha mãe de Eugênia.
- Ai, vai colocar a mãe na história agora?
- Vou. Ela se chama Efigênia. Eu tô te falando, sou péssimo pra nomes.
- Ai, sério...
- Mas é! Eu sempre fui! Meu irmão mesmo...
- Blá-blá-blá...
- Pára com isso. Meu irmão mesmo. Sabia que fui eu quem escolheu o nome dele?
- Ah, por isso ele se chama César. E o que isso tem a ver?
- Tudo. Ele se chama César porque eu confundi com o que eu já tinha escolhido, que era Sérgio.
- Ai...
- Sério! Sempre fui péssimo com nomes, tô dizendo e tu não tá acreditando!
- Porque Mariana é completamente diferente de Rafaela!
- Ah amor, pára com isso, vai...
- E não me vem com amor!
- Venho sim! Olha, já tem 2 anos que eu só te chamo de "amor". Acha que é à toa?
- Mas que cretino!
- Inclusive acho uma boa ideia. Ir no cartório e mudar teu nome.
- Pra Mariana?!
- Não! Pra "Amor". Já tô acostumado...
- Nem pensar. Já pensou se eu mudo pra "Amor" e tu confunde de novo?
- Isso...
- Hmm...
- Assim, vai...
- Aah, Mariana...
- ...
- Aaah...
- ...
- Hmm...
- Não, pode parar.
- Que foi?
- Quem é Mariana?
- Que Mariana?
- Eu que te pergunto!
- Mas... mas que Mariana?
- Não te faz de trouxa.
- Eu falei "Mariana"?
- Não te faz de trouxa!
- Desculpa. Eu sou péssimo pra nomes, tu sabe.
- Ah tá...
- É sério!
- E isso lá é justificativa? Que coisa ridícula!
- Mas eu sou! E tu sabe bem disso!
- Ah sei...
- É sério. Ontem mesmo tu me viu chamando minha mãe de Eugênia.
- Ai, vai colocar a mãe na história agora?
- Vou. Ela se chama Efigênia. Eu tô te falando, sou péssimo pra nomes.
- Ai, sério...
- Mas é! Eu sempre fui! Meu irmão mesmo...
- Blá-blá-blá...
- Pára com isso. Meu irmão mesmo. Sabia que fui eu quem escolheu o nome dele?
- Ah, por isso ele se chama César. E o que isso tem a ver?
- Tudo. Ele se chama César porque eu confundi com o que eu já tinha escolhido, que era Sérgio.
- Ai...
- Sério! Sempre fui péssimo com nomes, tô dizendo e tu não tá acreditando!
- Porque Mariana é completamente diferente de Rafaela!
- Ah amor, pára com isso, vai...
- E não me vem com amor!
- Venho sim! Olha, já tem 2 anos que eu só te chamo de "amor". Acha que é à toa?
- Mas que cretino!
- Inclusive acho uma boa ideia. Ir no cartório e mudar teu nome.
- Pra Mariana?!
- Não! Pra "Amor". Já tô acostumado...
- Nem pensar. Já pensou se eu mudo pra "Amor" e tu confunde de novo?
sexta-feira, 9 de setembro de 2011
Relação estável
- Vocês têm filhos?
- Não.
- São casados há quanto tempo?
- Não somos casados, na verdade.
- Bem... moram juntos?
- Não.
- Então como querem provar que possuem um relacionamento estável?
- Meu carro tem o adesivo da família feliz. Dois bonequinhos, o meu e o dela. E no carro dela também tem adesivo da família feliz. Tem até o gatinho que a gente adotou anteontem.
- Não.
- São casados há quanto tempo?
- Não somos casados, na verdade.
- Bem... moram juntos?
- Não.
- Então como querem provar que possuem um relacionamento estável?
- Meu carro tem o adesivo da família feliz. Dois bonequinhos, o meu e o dela. E no carro dela também tem adesivo da família feliz. Tem até o gatinho que a gente adotou anteontem.
sábado, 14 de maio de 2011
A gravidez da semana
- Pai...
- Fala filha.
- Pai, eu... ai...
- Que foi, filha? Que cara é essa? O que aconteceu?
- Aconteceu que... ai pai...
- Cê tá me deixando preocupado, filha. Fala, o que aconteceu?
- É que eu acho que fiz uma besteira.
- Filha, não enrola, pelamordeDeus. O que aconteceu? Rodou em Matemática de novo?
- Não pai. Tirei sete. Passei na média. É que...
- Fala.
- Pai, eu tô grávida.
- COMO?!
- Ai pai, eu sei, fiz besteira... aconteceu!
- Como assim "aconteceu", filha? Você tem 17 anos! Como "aconteceu"? Por favor...
- Calma pai, eu sei que eu fiz besteira...
- Como "calma"? Você tem 17 anos, caramba! Como que eu vou ficar calmo, porra?!
- Ai, tá pai! Eu sei que eu errei! Aconteceu, pronto!
- Não tem pronto, cacete! Você nem terminou o colégio ainda e já tá grávida! Vou ter que sustentar essa criança!
- Não vai! Eu vou assumir! Além do mais, o pai dessa criança...
- No mínimo o pai da criança é um desses zé-roelas do teu colégio! Aqueles borra-botas! Puta que me pariu filha, como é que você foi fazer um negócio desses? COMO QUE "ACONTECEU"?
- Pára pai...
- Como "pára"? Eu vou ter que sustentar essa criança, vou ter que sustentar você e provavelmente vou ter que sustentar um zé-roela, um borra-botas!
- Não! O pai da criança é...
- Quem é o pai dessa criança? Fala de uma vez! Me dá o telefone dele, vou ligar e a gente vai ter uma conversa séria. Quem é o pai?
- É o Neymar.
- ...
- ...
- Quem?
- O Neymar. Aquele do Santos.
- ...
- ...
- Ô, minha filha, vem cá. Me dá um abraço. Que notícia linda, eu sempre quis ser avô...
- Tá mais calmo agora, pai?
- Essa criança vai ser muito bem amada, minha filha, eu e a tua mãe vamos te ajudar em tudo, e eu faço questão de levar ele no estádio pra ver o pai dele jogar.
- Mas pai, o senhor não torce pra Portuguesa Santista?
- Isso, filha. Eu sou santista mesmo.
- Fala filha.
- Pai, eu... ai...
- Que foi, filha? Que cara é essa? O que aconteceu?
- Aconteceu que... ai pai...
- Cê tá me deixando preocupado, filha. Fala, o que aconteceu?
- É que eu acho que fiz uma besteira.
- Filha, não enrola, pelamordeDeus. O que aconteceu? Rodou em Matemática de novo?
- Não pai. Tirei sete. Passei na média. É que...
- Fala.
- Pai, eu tô grávida.
- COMO?!
- Ai pai, eu sei, fiz besteira... aconteceu!
- Como assim "aconteceu", filha? Você tem 17 anos! Como "aconteceu"? Por favor...
- Calma pai, eu sei que eu fiz besteira...
- Como "calma"? Você tem 17 anos, caramba! Como que eu vou ficar calmo, porra?!
- Ai, tá pai! Eu sei que eu errei! Aconteceu, pronto!
- Não tem pronto, cacete! Você nem terminou o colégio ainda e já tá grávida! Vou ter que sustentar essa criança!
- Não vai! Eu vou assumir! Além do mais, o pai dessa criança...
- No mínimo o pai da criança é um desses zé-roelas do teu colégio! Aqueles borra-botas! Puta que me pariu filha, como é que você foi fazer um negócio desses? COMO QUE "ACONTECEU"?
- Pára pai...
- Como "pára"? Eu vou ter que sustentar essa criança, vou ter que sustentar você e provavelmente vou ter que sustentar um zé-roela, um borra-botas!
- Não! O pai da criança é...
- Quem é o pai dessa criança? Fala de uma vez! Me dá o telefone dele, vou ligar e a gente vai ter uma conversa séria. Quem é o pai?
- É o Neymar.
- ...
- ...
- Quem?
- O Neymar. Aquele do Santos.
- ...
- ...
- Ô, minha filha, vem cá. Me dá um abraço. Que notícia linda, eu sempre quis ser avô...
- Tá mais calmo agora, pai?
- Essa criança vai ser muito bem amada, minha filha, eu e a tua mãe vamos te ajudar em tudo, e eu faço questão de levar ele no estádio pra ver o pai dele jogar.
- Mas pai, o senhor não torce pra Portuguesa Santista?
- Isso, filha. Eu sou santista mesmo.
terça-feira, 20 de julho de 2010
Por dentro
Ele era um humorista sem muito sucesso. E testava as piadas com sua namorada. "Namorada".
- O japa não viu nada. Tava de olhos meio fechados.
- Ah.
- Que foi? Essa não foi boa? - perguntou ele, meio decepcionado.
- Foi sim.
- Mas você não riu.
- Ri sim. Eu ri por dentro, amor.
Mas era um humorista meio vingativo.
- E aí querido, foi bom pra você?
- Ô.
- Sério mesmo?
- Sério.
- Mas você nem gozou.
- Gozei sim, amor. É que eu gozei por dentro.
O que ele não sabia é que ela era uma namorada - "namorada" - meio vingativa, também. Engravidou pouco tempo depois - sabe-se lá de quem. E aproveitou pra jogar a culpa nele.
- Grávida?
- É. E é teu.
- Mas eu...
- Gozou por dentro, não lembra?
- O japa não viu nada. Tava de olhos meio fechados.
- Ah.
- Que foi? Essa não foi boa? - perguntou ele, meio decepcionado.
- Foi sim.
- Mas você não riu.
- Ri sim. Eu ri por dentro, amor.
Mas era um humorista meio vingativo.
- E aí querido, foi bom pra você?
- Ô.
- Sério mesmo?
- Sério.
- Mas você nem gozou.
- Gozei sim, amor. É que eu gozei por dentro.
O que ele não sabia é que ela era uma namorada - "namorada" - meio vingativa, também. Engravidou pouco tempo depois - sabe-se lá de quem. E aproveitou pra jogar a culpa nele.
- Grávida?
- É. E é teu.
- Mas eu...
- Gozou por dentro, não lembra?
quarta-feira, 19 de agosto de 2009
Uma morta muito viva
O título deste post é de fazer inveja a filme da Sessão da Tarde, mas o fato é que uma vendedora de Joinville precisa provar que não morreu. Pela segunda vez.
Se errar é humano, insistir no erro é burrice. E já pensaram se há assassinos de aluguel envolvidos?
- Quero ela morta.
- Deixa comigo. Pode ir encomendando a papelada. Eu garanto o serviço.
Dias depois:
- Você não tinha matado ela?
- E matei.
- Mas ela tá viva.
- Viva?
- E precisando provar que não morreu.
- Mas que coisa!
- E agora?
- Deixa comigo. Dessa vez não passa, patrão.
- Vê lá, hein. Vou encomendar a papelada.
- Vai na fé. Dessa vez não passa.
Dias depois:
- E aquele serviço?
- Tá feito. Não erro duas vezes.
- Não? Tem certeza?
- Absoluta.
- Animal. Ela tá viva.
- Como?
- E precisando provar que continua viva. Olha aqui.
- Ah não! Agora me irritei! Dessa vez eu...
- Cala a boca. Esquece. Desisti. Não precisa mais.
- Mas...
- Cala a boca. Incompetente.
- E eu lá tenho culpa dela ser o Bruce Willis de saia, patrão?
Cerca de 15 ou 60 anos depois:
- Ei patrão, lembra da Juliana?
- Lembro.
- Pois então. Morreu.
- Ah tá.
- Sério, morreu. E não fui eu.
- Claro que não. Incompetente.
- Mas é sério. Morreu de verdade.
- Vá se foder.
Se errar é humano, insistir no erro é burrice. E já pensaram se há assassinos de aluguel envolvidos?
- Quero ela morta.
- Deixa comigo. Pode ir encomendando a papelada. Eu garanto o serviço.
Dias depois:
- Você não tinha matado ela?
- E matei.
- Mas ela tá viva.
- Viva?
- E precisando provar que não morreu.
- Mas que coisa!
- E agora?
- Deixa comigo. Dessa vez não passa, patrão.
- Vê lá, hein. Vou encomendar a papelada.
- Vai na fé. Dessa vez não passa.
Dias depois:
- E aquele serviço?
- Tá feito. Não erro duas vezes.
- Não? Tem certeza?
- Absoluta.
- Animal. Ela tá viva.
- Como?
- E precisando provar que continua viva. Olha aqui.
- Ah não! Agora me irritei! Dessa vez eu...
- Cala a boca. Esquece. Desisti. Não precisa mais.
- Mas...
- Cala a boca. Incompetente.
- E eu lá tenho culpa dela ser o Bruce Willis de saia, patrão?
Cerca de 15 ou 60 anos depois:
- Ei patrão, lembra da Juliana?
- Lembro.
- Pois então. Morreu.
- Ah tá.
- Sério, morreu. E não fui eu.
- Claro que não. Incompetente.
- Mas é sério. Morreu de verdade.
- Vá se foder.
sábado, 2 de maio de 2009
Loucos efeitos da gripe porca
- Querido, estou com medo dessa gripe suína.
- Papai, se a mamãe contar a historinha dos três porquinhos de novo, a gente vai pegar gripe suína?
- Unhééééé!
- Tio, então a historinha dos três porquinhos pode matar?
- Unhééééé!
- Veja querido, até ele está assustado!
- Pai, tô com fome. Ainda tem salsichão de porco?
- Mas que salsichão de porco, criatura! Tá querendo morrer?
- Unhééééé! Mãe, olha o tio me assustando!
- Olha aí! Assustou a criança!
- Perdão.
- Querido, tá vendo? A situação tá desesperadora!
- É cunhado, não podemos facilitar!
- Eu acho que a gente já teve problema com a gripe aviária. Não podemos facilitar mesmo! Você mesmo, quase pegou gripe aviária daquela piranha!
- Piranha é ave?
- Não. Mas aquela piranha, além de piranha, era galinha!
- Cunhado, você tava comigo! Diz pra ela que eu não fiz nada!
- Ah tá!
- Não fiz! E eu é que preciso ter medo dessa gripe suína! Você não sai de perto daquele pedreiro porco!
- Ei, acalmem os ânimos.
- Pai, continuo com fome. Quero torresmo.
- Unhééééé!
- Acho que essa criança já tá traumatizada com o porco.
- Pai, como será que tá o Gaguinho a essas alturas?
- Sobrinho, ninguém aqui conhece o Gaguinho. É a censura.
- Unhééééé!
- Cale-se! É proibido chorar!
- Pai, tá na hora da gente ir pra escola.
- Cunhado, tá na hora de eu ir trabalhar.
- E tá na hora de eu fazer compras.
- Sua fútil.
- Fútil nada! Vamos todos de ônibus.
- Está louca, sua louca? Quer se arriscar a pegar uma gripe suína?
- Será que transmite pelo ônibus?
- Pai, o Gaguinho anda de ônibus?
- Estamos atrasados! Preciso trabalhar!
- Querido, não fique aí parado! Fale, faça alguma coisa! Temos que sair e não podemos pegar ônibus!
- PUTA QUE PARIU! Tá bom! Eu levo todo mundo!
- Mas tem capacete pra todo mundo?
- Capacete é o cacete. Se alguém se estrepar, todo mundo se estrepa junto. Vamos.

Ei, chega pra lá! Tô apertado aqui! Não me encoxa!
- Papai, se a mamãe contar a historinha dos três porquinhos de novo, a gente vai pegar gripe suína?
- Unhééééé!
- Tio, então a historinha dos três porquinhos pode matar?
- Unhééééé!
- Veja querido, até ele está assustado!
- Pai, tô com fome. Ainda tem salsichão de porco?
- Mas que salsichão de porco, criatura! Tá querendo morrer?
- Unhééééé! Mãe, olha o tio me assustando!
- Olha aí! Assustou a criança!
- Perdão.
- Querido, tá vendo? A situação tá desesperadora!
- É cunhado, não podemos facilitar!
- Eu acho que a gente já teve problema com a gripe aviária. Não podemos facilitar mesmo! Você mesmo, quase pegou gripe aviária daquela piranha!
- Piranha é ave?
- Não. Mas aquela piranha, além de piranha, era galinha!
- Cunhado, você tava comigo! Diz pra ela que eu não fiz nada!
- Ah tá!
- Não fiz! E eu é que preciso ter medo dessa gripe suína! Você não sai de perto daquele pedreiro porco!
- Ei, acalmem os ânimos.
- Pai, continuo com fome. Quero torresmo.
- Unhééééé!
- Acho que essa criança já tá traumatizada com o porco.
- Pai, como será que tá o Gaguinho a essas alturas?
- Sobrinho, ninguém aqui conhece o Gaguinho. É a censura.
- Unhééééé!
- Cale-se! É proibido chorar!
- Pai, tá na hora da gente ir pra escola.
- Cunhado, tá na hora de eu ir trabalhar.
- E tá na hora de eu fazer compras.
- Sua fútil.
- Fútil nada! Vamos todos de ônibus.
- Está louca, sua louca? Quer se arriscar a pegar uma gripe suína?
- Será que transmite pelo ônibus?
- Pai, o Gaguinho anda de ônibus?
- Estamos atrasados! Preciso trabalhar!
- Querido, não fique aí parado! Fale, faça alguma coisa! Temos que sair e não podemos pegar ônibus!
- PUTA QUE PARIU! Tá bom! Eu levo todo mundo!
- Mas tem capacete pra todo mundo?
- Capacete é o cacete. Se alguém se estrepar, todo mundo se estrepa junto. Vamos.
Ei, chega pra lá! Tô apertado aqui! Não me encoxa!
quarta-feira, 10 de setembro de 2008
Fim do mundo
O mundo vai acabar. Dessa vez não é nenhuma previsão da Mãe Dináh, nem do Nostradamus, tampouco de ambientalistas. A previsão, dessa vez, parte de nós, meros mortais, diante de tantos termos exóticos: prótons, quarks, hádrons, megajoules e eu vou parar por aqui porque esse é um blog de família. Vejam mais aqui e aqui.
Segundo cálculos feitos com o meu nulo e bisonho talento matemático, essa é a décima oitava vez que o mundo vai acabar nos últimos 20 anos. Portanto, tenho experiência para falar que, nesses momentos, é comum pensar em o que fazer e o que não fazer durante o tempo que nos resta de vida. Uns pensam em estupro, outros em assassinato, enquanto outros têm sonhos mais modestos. Apenas xingar o vizinho lhes satisfaz.
Mal sabem que vão ter que encarar o vizinho amanhã.
Como sou um homem livre, tomei a liberdade de pensar o que aconteceria se o mundo tivesse acabado agora há pouco, coisa de uns 15 ou 20 minutos antes de eu ter escrito esse parágrafo. Não exatamente no momento do fim do mundo, mas no que as futuras baratas arqueólogas pensariam ao encontrar os meus restos mortais.
As três baratinhas, com pós-doutorado em arqueologia em sabe-se lá qual universidade que vai existir depois do fim do mundo, confabulariam. Uma quarta baratinha, mera estagiária, apenas observa.
- E aí?
- Levando em conta a posição da ossada, creio que ele estava aguardando algo.
- Aguardando?
- Sim. Essa posição é muito serena.
- E o que seria isso?
- Papéis com desenhos. Coloridos. Muito bem conservados.
- Talvez ele estivesse lendo.
- Então passaríamos a considerar que pertence a uma civilização que sabia ler.
- Ou apenas ver as figurinhas.
- C-E-B-O-L-I-N-H-A. Anota isso. Vamos procurar nos arquivos se há alguma receita primitiva com cebolinha em conserva.
- Então isso é um primitivo livro de culinária ilustrado.
- Exatamente. Ainda assim, não dá pra descartar que ele estivesse aguardando algo.
- E isso em seu membro superior, o que é?
- É estranho, posso dizer.
- Sim.
- Bastante.
- Talvez um primitivo aparelho de comunicação.
- Um aparelho de comunicação para alguém que olhava figurinhas e aguardava algo.
- Não esqueçam que a entrada deste cubículo estava fechada.
- Lembrando disso e juntando um aparelho de comunicação, o que podemos pensar?
- Tudo! Pois somos livres para pensar e...
- Não viaja.
- Ok.
- Enclausurado e com um aparelho de comunicação. Talvez estivesse cercado por alguém e o aparelho de comunicação serviria para buscar ajuda externa.
- Brilhante! Certamente se escavarmos mais, encontraremos mais ossadas!
- Ou não. Seu antagonista pode ter fugido e abandonado-o a própria sorte.
- Não muito feliz, a meu ver. Esquecemos das figurinhas. C-E-B-O-L-I-N-H-A... E-L-A-D-O...
- Pelado?
- Talvez. Denota vulgaridade.
- Culinária vulgar. Temperariam pelados com cebolinhas?
- Um povo primitivo?
- Com a infinidade de aparelhos que observamos aqui, talvez.
- Vejam. Formas estranhas metalizadas.
- Estranhas, mas bem definidas
- Eles já dominavam o metal pelo visto.
- Há uma infinidade de objetos menores. Não só metal.
- Isso é madeira fossilizada?
- Aparentemente sim. O estranho é que possui formas bastante definidas. Pelo visto também tinham domínio de técnicas de corte.
- Eram civilizados.
- Mas vulgares. Pelados com cebolinha?
- A posição da ossada é que me é estranha. Não concordam?
- Concordo.
- Também concordo. Caríssimos, temos um excelente objeto de estudo e análise. O que acha, estagiário?
E ele responde:
- Pra mim, ele só tava cagando...
Segundo cálculos feitos com o meu nulo e bisonho talento matemático, essa é a décima oitava vez que o mundo vai acabar nos últimos 20 anos. Portanto, tenho experiência para falar que, nesses momentos, é comum pensar em o que fazer e o que não fazer durante o tempo que nos resta de vida. Uns pensam em estupro, outros em assassinato, enquanto outros têm sonhos mais modestos. Apenas xingar o vizinho lhes satisfaz.
Mal sabem que vão ter que encarar o vizinho amanhã.
Como sou um homem livre, tomei a liberdade de pensar o que aconteceria se o mundo tivesse acabado agora há pouco, coisa de uns 15 ou 20 minutos antes de eu ter escrito esse parágrafo. Não exatamente no momento do fim do mundo, mas no que as futuras baratas arqueólogas pensariam ao encontrar os meus restos mortais.
As três baratinhas, com pós-doutorado em arqueologia em sabe-se lá qual universidade que vai existir depois do fim do mundo, confabulariam. Uma quarta baratinha, mera estagiária, apenas observa.
- E aí?
- Levando em conta a posição da ossada, creio que ele estava aguardando algo.
- Aguardando?
- Sim. Essa posição é muito serena.
- E o que seria isso?
- Papéis com desenhos. Coloridos. Muito bem conservados.
- Talvez ele estivesse lendo.
- Então passaríamos a considerar que pertence a uma civilização que sabia ler.
- Ou apenas ver as figurinhas.
- C-E-B-O-L-I-N-H-A. Anota isso. Vamos procurar nos arquivos se há alguma receita primitiva com cebolinha em conserva.
- Então isso é um primitivo livro de culinária ilustrado.
- Exatamente. Ainda assim, não dá pra descartar que ele estivesse aguardando algo.
- E isso em seu membro superior, o que é?
- É estranho, posso dizer.
- Sim.
- Bastante.
- Talvez um primitivo aparelho de comunicação.
- Um aparelho de comunicação para alguém que olhava figurinhas e aguardava algo.
- Não esqueçam que a entrada deste cubículo estava fechada.
- Lembrando disso e juntando um aparelho de comunicação, o que podemos pensar?
- Tudo! Pois somos livres para pensar e...
- Não viaja.
- Ok.
- Enclausurado e com um aparelho de comunicação. Talvez estivesse cercado por alguém e o aparelho de comunicação serviria para buscar ajuda externa.
- Brilhante! Certamente se escavarmos mais, encontraremos mais ossadas!
- Ou não. Seu antagonista pode ter fugido e abandonado-o a própria sorte.
- Não muito feliz, a meu ver. Esquecemos das figurinhas. C-E-B-O-L-I-N-H-A... E-L-A-D-O...
- Pelado?
- Talvez. Denota vulgaridade.
- Culinária vulgar. Temperariam pelados com cebolinhas?
- Um povo primitivo?
- Com a infinidade de aparelhos que observamos aqui, talvez.
- Vejam. Formas estranhas metalizadas.
- Estranhas, mas bem definidas
- Eles já dominavam o metal pelo visto.
- Há uma infinidade de objetos menores. Não só metal.
- Isso é madeira fossilizada?
- Aparentemente sim. O estranho é que possui formas bastante definidas. Pelo visto também tinham domínio de técnicas de corte.
- Eram civilizados.
- Mas vulgares. Pelados com cebolinha?
- A posição da ossada é que me é estranha. Não concordam?
- Concordo.
- Também concordo. Caríssimos, temos um excelente objeto de estudo e análise. O que acha, estagiário?
E ele responde:
- Pra mim, ele só tava cagando...
quinta-feira, 24 de julho de 2008
Buraco negro
- Tô com um buraco negro no estômago.
- Hein?
- Tô com um buraco negro no estômago.
- Repete.
- Eu disse que tô com fome.
- Não. Repete.
- Que foi?
- Eu ouvi "buraco negro".
- Sim...
- Olha aí! É sempre isso!
- Sempre isso o que?
- Esse racismo!
- Que racismo? A minha fome?
- Não cara! Esse racismo!
- Onde?
- Buraco negro! Por que buraco negro?
- Porque é uma analogia ao tamanho da minha fome e o quanto ela tá me consumindo, já que...
- Olha aí! Olha aí!
- Que foi, cara?
- Isso é racismo! Puro racismo!
- Mas eu só disse que...
- Disse que tá com um buraco negro no estômago!
- Sim! Entendeu?
- Entendi. É racismo.
- Mas racismo por quê?
- Por que sim. A tua fome é um negócio ruim. Pra explicar isso, bastou falar "buraco negro". Negro! Como se quisesse dizer que negro é ruim!
- Na verdade, buraco negro é como se fosse uma estrela, só que tem um campo gravitacional tão forte que nem mesmo a luz escapa.
- Nem a luz?
- É.
- Daqui a pouco aparece alguém pra dizer que a luz é roubada pelo buraco negro só porque o buraco é negro.
- Não exagera.
- Não tô exagerando. É assim, é sempre assim. Vocês, brancos, vivem falando de nós, negros.
- Vivemos?
- Vivem.
- Eu acho que é exagero.
- Não é. Quer ver? Quando a gente tá passando por uma situação complicada, feia, o que é se diz?
- Que a situação está complicada e feia.
- Não! Se diz que a situação tá preta! Ou seja, horrível, complicada, feia.
- Ih, é mesmo. Mas isso nem é tão usado assim...
- E quando o dia tá bom, aquele solaço, aí o tempo começa a fechar. O que é que a gente diz?
- Hmm... que vai chover?
- Não! A gente diz "olha o pretume que tá vindo daquele lado! Acho melhor nos protegermos da chuva!"
- Mas eu nem me importo de pegar chuva e...
- E olha isso: a gente tá aqui debatendo sobre isso, já falamos de 3 expressões racistas e nenhuma, ne-nhu-ma que seja ruim para brancos.
- Bem, que tal... hmm... cheques em branco?
- Tá vendo? Isso é racismo. Brancos odeiam pretos.
- Mas por quê?
- O que é um cheque em branco? É um ato de bondade. A pessoa entrega um cheque em branco e a gente pode colocar o que quiser no cheque. É como uma doação, só que quem tá recebendo a doação é que decide o valor que vai receber. É tipo, tá tudo liberado!
- Loucura.
- E carta branca?
- Loucura.
- Pode tentar de novo. Não tem expressão que seja ruim para brancos.
- Eu ia te dizer uma, mas me deu branco. É o buraco negro. Vou ali comer alguma coisa. Tá afim de tomar uma cerveja?
- Loira ou escura?
- Hein?
- Tô com um buraco negro no estômago.
- Repete.
- Eu disse que tô com fome.
- Não. Repete.
- Que foi?
- Eu ouvi "buraco negro".
- Sim...
- Olha aí! É sempre isso!
- Sempre isso o que?
- Esse racismo!
- Que racismo? A minha fome?
- Não cara! Esse racismo!
- Onde?
- Buraco negro! Por que buraco negro?
- Porque é uma analogia ao tamanho da minha fome e o quanto ela tá me consumindo, já que...
- Olha aí! Olha aí!
- Que foi, cara?
- Isso é racismo! Puro racismo!
- Mas eu só disse que...
- Disse que tá com um buraco negro no estômago!
- Sim! Entendeu?
- Entendi. É racismo.
- Mas racismo por quê?
- Por que sim. A tua fome é um negócio ruim. Pra explicar isso, bastou falar "buraco negro". Negro! Como se quisesse dizer que negro é ruim!
- Na verdade, buraco negro é como se fosse uma estrela, só que tem um campo gravitacional tão forte que nem mesmo a luz escapa.
- Nem a luz?
- É.
- Daqui a pouco aparece alguém pra dizer que a luz é roubada pelo buraco negro só porque o buraco é negro.
- Não exagera.
- Não tô exagerando. É assim, é sempre assim. Vocês, brancos, vivem falando de nós, negros.
- Vivemos?
- Vivem.
- Eu acho que é exagero.
- Não é. Quer ver? Quando a gente tá passando por uma situação complicada, feia, o que é se diz?
- Que a situação está complicada e feia.
- Não! Se diz que a situação tá preta! Ou seja, horrível, complicada, feia.
- Ih, é mesmo. Mas isso nem é tão usado assim...
- E quando o dia tá bom, aquele solaço, aí o tempo começa a fechar. O que é que a gente diz?
- Hmm... que vai chover?
- Não! A gente diz "olha o pretume que tá vindo daquele lado! Acho melhor nos protegermos da chuva!"
- Mas eu nem me importo de pegar chuva e...
- E olha isso: a gente tá aqui debatendo sobre isso, já falamos de 3 expressões racistas e nenhuma, ne-nhu-ma que seja ruim para brancos.
- Bem, que tal... hmm... cheques em branco?
- Tá vendo? Isso é racismo. Brancos odeiam pretos.
- Mas por quê?
- O que é um cheque em branco? É um ato de bondade. A pessoa entrega um cheque em branco e a gente pode colocar o que quiser no cheque. É como uma doação, só que quem tá recebendo a doação é que decide o valor que vai receber. É tipo, tá tudo liberado!
- Loucura.
- E carta branca?
- Loucura.
- Pode tentar de novo. Não tem expressão que seja ruim para brancos.
- Eu ia te dizer uma, mas me deu branco. É o buraco negro. Vou ali comer alguma coisa. Tá afim de tomar uma cerveja?
- Loira ou escura?
quinta-feira, 8 de maio de 2008
Tempos modernos
Marido chega na casa da esposa.
- Oi amor - recebe ela.
Beijam-se.
- Tudo bem?
- Nada. Tive um dia cheio no escritório. Estou muito cansado.
- E por quê não vai para casa descansar?
- Porque eu preciso falar contigo.
- O que houve?
- Minha noiva. Me cobrou a realização do casamento. Preciso da nossa certidão de casamento.
- Mas vocês nem são casados ainda!
- Não! Eu digo nossa. Minha e sua.
- Ah. Está na sala. Venha.
- Ok.
- Qual delas?
- A única ué. Existem 2 certidões de casamento nossas por acaso?
- Perguntei qual das noivas.
- Ah. A Márcia. Cheguei a apresentar ela pra ti, não?
- Sim. É aquela loira né?
- Não. Aquela é outra Márcia. Essa é ruiva.
- Ah. Então não conheço.
- Precisas conhecer. Ela é magnífica. Muito inteligente.
- Dizias o mesmo de mim. E da outra Márcia.
- De ti eu dizia. Da outra Márcia não. Eu falava da Alessandra. Mas me arrependi, sabes disso.
- É. Ela não era legal mesmo.
- Mudando de assunto, onde está o guri?
- Na casa do Marquinhos. Ali no 402.
- Diga a ele que estive aqui. Mandei um abraço.
- Sim.
- Aliás, acho que esse Marquinhos não é boa influência. Os pais deles moram juntos!
- É. Mas eu estou em cima. Cuidando de tudo.
- Menos mal.
- Mudando de assunto de novo... como foi seu dia?
- Cheio. Muito cheio. Parece que aquele pessoal não sabe trabalhar sem mim. Meu advogado mandou a papelada do meu divórcio com a Helena. Está tudo acertado. Acho que estou livre dela, finalmente.
- Vocês pareciam se dar tão bem.
- Aparentemente sim. Eu que não agüentava mais. Queria que eu jantasse na casa dela todos os dias! Quando não era assim, ela que ia jantar na minha.
- Também... és irresistível na cozinha...
Ela sorri maliciosamente. Ele suspira e baixa a cabeça.
- Não. Por hoje já chega. A secretária já fez eu relaxar. Se é que me entendes.
- Tudo bem.
- Aliás, esse é mais um motivo para eu estar estressado. Ela é péssima.
- Não diga!? Aquela morena? Que faz todos os homens babarem?!
- Pois é. Ainda bem que o Jorge melhorou as coisas.
- Ele esteve por lá?
- Sim. Ele que fez eu relaxar um pouco. Se é que me entendes.
- Entendo. Puxa vida, quem diria... aquela secretária linda...
- Pois é. E o seu dia? Como foi?
- Agradável. Larguei o Renato no colégio, bem cedo. Na volta passei no supermercado, e o porteiro me ajudou com as compras. Depois relaxamos. Se é que me entendes.
- Entendo.
- Forma de agradecimento. Depois o Cidimar me chamou na empresa.
Apontou para uma fotografia. Mas ele não viu. E continou:
- Ele teve um piripaque. Também anda muito estressado.
- O Cidimar? Puxa, mas ele é tão novo. E parece dar conta do recado contigo. Se é que me entendes.
- Entendo. Mas quem teve o piripaque foi o Sérgio. Esse aí da foto.
- Ah. Me apresentaste ele semana passada. Vocês já casaram?
- Já. Anteontem.
- Puxa, e quase ficas viúva. Tão cedo.
- Pois é. Fiquei uma pilha de nervos. Ainda bem que o Cidimar estava comigo o tempo todo. Me levou para casa, e me acalmou, junto com a mulher dele. Se é que me entendes.
- Entendo.
- Achei. Aqui está a certidão.
- Finalmente. Obrigado amor.
Beijam-se. Já na porta, o marido volta:
- Amor...
- Sim?
- Esqueci de perguntar... foi bom pra ti?
- Oi amor - recebe ela.
Beijam-se.
- Tudo bem?
- Nada. Tive um dia cheio no escritório. Estou muito cansado.
- E por quê não vai para casa descansar?
- Porque eu preciso falar contigo.
- O que houve?
- Minha noiva. Me cobrou a realização do casamento. Preciso da nossa certidão de casamento.
- Mas vocês nem são casados ainda!
- Não! Eu digo nossa. Minha e sua.
- Ah. Está na sala. Venha.
- Ok.
- Qual delas?
- A única ué. Existem 2 certidões de casamento nossas por acaso?
- Perguntei qual das noivas.
- Ah. A Márcia. Cheguei a apresentar ela pra ti, não?
- Sim. É aquela loira né?
- Não. Aquela é outra Márcia. Essa é ruiva.
- Ah. Então não conheço.
- Precisas conhecer. Ela é magnífica. Muito inteligente.
- Dizias o mesmo de mim. E da outra Márcia.
- De ti eu dizia. Da outra Márcia não. Eu falava da Alessandra. Mas me arrependi, sabes disso.
- É. Ela não era legal mesmo.
- Mudando de assunto, onde está o guri?
- Na casa do Marquinhos. Ali no 402.
- Diga a ele que estive aqui. Mandei um abraço.
- Sim.
- Aliás, acho que esse Marquinhos não é boa influência. Os pais deles moram juntos!
- É. Mas eu estou em cima. Cuidando de tudo.
- Menos mal.
- Mudando de assunto de novo... como foi seu dia?
- Cheio. Muito cheio. Parece que aquele pessoal não sabe trabalhar sem mim. Meu advogado mandou a papelada do meu divórcio com a Helena. Está tudo acertado. Acho que estou livre dela, finalmente.
- Vocês pareciam se dar tão bem.
- Aparentemente sim. Eu que não agüentava mais. Queria que eu jantasse na casa dela todos os dias! Quando não era assim, ela que ia jantar na minha.
- Também... és irresistível na cozinha...
Ela sorri maliciosamente. Ele suspira e baixa a cabeça.
- Não. Por hoje já chega. A secretária já fez eu relaxar. Se é que me entendes.
- Tudo bem.
- Aliás, esse é mais um motivo para eu estar estressado. Ela é péssima.
- Não diga!? Aquela morena? Que faz todos os homens babarem?!
- Pois é. Ainda bem que o Jorge melhorou as coisas.
- Ele esteve por lá?
- Sim. Ele que fez eu relaxar um pouco. Se é que me entendes.
- Entendo. Puxa vida, quem diria... aquela secretária linda...
- Pois é. E o seu dia? Como foi?
- Agradável. Larguei o Renato no colégio, bem cedo. Na volta passei no supermercado, e o porteiro me ajudou com as compras. Depois relaxamos. Se é que me entendes.
- Entendo.
- Forma de agradecimento. Depois o Cidimar me chamou na empresa.
Apontou para uma fotografia. Mas ele não viu. E continou:
- Ele teve um piripaque. Também anda muito estressado.
- O Cidimar? Puxa, mas ele é tão novo. E parece dar conta do recado contigo. Se é que me entendes.
- Entendo. Mas quem teve o piripaque foi o Sérgio. Esse aí da foto.
- Ah. Me apresentaste ele semana passada. Vocês já casaram?
- Já. Anteontem.
- Puxa, e quase ficas viúva. Tão cedo.
- Pois é. Fiquei uma pilha de nervos. Ainda bem que o Cidimar estava comigo o tempo todo. Me levou para casa, e me acalmou, junto com a mulher dele. Se é que me entendes.
- Entendo.
- Achei. Aqui está a certidão.
- Finalmente. Obrigado amor.
Beijam-se. Já na porta, o marido volta:
- Amor...
- Sim?
- Esqueci de perguntar... foi bom pra ti?
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