terça-feira, 21 de dezembro de 2010

Corpo são, mente sã?

É difícil crer naquela máxima do esporte, que diz "corpo são, mente sã". Basta olhar para os jogadores de futebol: é uma tarefa hercúlea encontrar algum que saiba escrever corretamente um bilhete que diga "já volto".

Mas tudo bem, é sacanagem minha restringir a análise de inteligência de atletas apenas aos jogadores de futebol. E foi com isso em mente que eu estava assistindo ontem uma matéria no SporTV, falando sobre o Prêmio Brasil Olímpico, onde alguns repórteres estavam vagando pelos bastidores do evento, horas antes deste ter início.

Eis que a repórter se aproximou de uma menina para entrevistá-la. A guria era atleta do pentatlo, uma modalidade que, por si só, poderia revelar que seu praticante não bate muito bem das ideias. O pentatleta é, no mínimo um sujeito pra lá de indeciso. Com certeza fica pensando: "Não sei que esporte praticar. Ah, quer saber? Vou fazer todos. Dane-se."

"Não seja tão ranzinza", repreendi-me, "dá uma chance pra guria mostrar sua inteligência". Fiz isso sem dificuldade, e a guria acabou mostrando o seu valor: expressava-se com desenvoltura, com um ótimo vocabulário e tudo o mais. O mais incrível era o seu sotaque nordestino, o que dá um tremendo chute na bunda daquela ideia pré-concebida que todos os nordestinos têm dificuldade de aprendizado e são burros a dar com um pau - em duas palavras, "tremendamente imbecis". Esse ano aprendemos que não: tremendamente imbecis foram os paulistas que fizeram daquele palhaço nordestino - que tem um QI 2 pontos maior que uma garrafa de plástico - o deputado mais votado do país. Mas divago.

Enfim, a pentatleta se saiu muitíssimo bem. Fiquei surpreso: eis uma atleta inteligente! Há esperanças no mundo!

Então os repórteres continuaram vagando pelos bastidores, e encontraram o judoca Leandro Guilheiro, que era um dos três indicados ao prêmio de melhor atleta olímpico do Brasil entre os homens. A repórter, louca de faceira, abordou-o:

- E está aqui um dos candidatos ao prêmio de melhor atleta do ano, Leandro Guilheiro, do judô! Ele tá aí, querendo dar um ippon nos outros dois concorrentes, que são o César Cielo, da natação, e o Murilo, do vôlei. Não é mesmo, Guilheiro?

Percebam, a abordagem dela foi cheia de simpatia e humor. Certamente estava treinando para o teste para o elenco da "Praça É Nossa".

O judoca, percebendo a sagacidade da moça, resolveu que seria uma ótima ideia ser simpático e bem humorado também. Entre sorrisos, respondeu:

- É, pois é, eles são grandes, mas não são dois - brincou. Que rapaz destemido este Leandro Guilheiro, hein?! É capaz de encarar gente maior que ele!

Mas... se César Cielo e Murilo não são dois, são o quê? Duas? Ou são a mesma pessoa?

Atenção Comitê Olímpico Internacional, fica o alerta para esta fraude.

quarta-feira, 8 de dezembro de 2010

Em dois palitos

Se fizermos uma pesquisa de opinião, perguntando às pessoas o que falta a elas, algumas dirão "dinheiro". Outras dirão "paciência pra aturar uma pergunta imbecil dessas". Mas muitas, muitas mesmo, dirão "tempo".

Tempo é uma coisa complicada. Tanto que as pessoas nem querem mais medi-lo com esmero. Hoje em dia é muito comum uma pessoa dizer algo como "Isso eu faço em dois tempos". Ok, mas é dois tempos de quê? Basquete? Futebol? Afinal, vai demorar ou não?

Essa despreocupação em medir o tempo explica-se pelo fato de que cada vez mais temos menos tempo em nossas vidas para realizar nossas tarefas - a despeito da imensa quantidade de medidores de tempo: segundos, minutos, horas, dias, semanas, meses, anos, decênios, séculos, milênios e palitos.

Percebam a complicação do tempo através dos tempos: primeiro, a humanidade media a passagem do tempo através da Lua ou de algumas constelações. Depois, passamos a medi-lo com ampulhetas, ou observávamos as horas passarem através do sol. Depois, os segundos se faziam cada vez mais presentes nos relógios modernos. E, agora, medimos o tempo com palitos.

Vejam o caso dessa propaganda da Skol:



Incumbido de realizar uma tarefa, o japa garante que a realizará em dois palitos. E eu fico deprimido quando esta propaganda termina, porque ela joga na minha cara a ignorância imensurável que habita em mim: eu não sei se dois palitos é um tempo muito longo ou muito curto para executar alguma tarefa.

Quando se usa palito para medir o tempo, pode ser uma referência ao tempo que um palito de fósforo leva para ser consumido inteiramente pelo fogo. Se é este o caso, o palito é grande ou pequeno?

Mas o palito usado para medir o tempo pode não ser de fósforo, mas de dentes. E aí a coisa complica de vez. Neste caso, creio que a sujeira presente na arcada dentária exerce forte influência na medição do tempo. E a sujeira no dente nada mais é que o resultado de uma refeição - e esta pode ser curta ou longa, rápida ou demorada, um generoso jantar ou um mísero lanchinho, quiçá um assalto à geladeira durante a madrugada. Ademais, o tempo utilizado para palitar os dentes pode ser influenciado pela pressa ou calma do dono da arcada dentária, podendo ele utilizar dois, três ou mesmo vinte palitos, mas demorando dois, três ou vinte segundos na limpeza bucal de emergência.

O tempo utilizado para palitar os dentes é muito relativo. Medir o tempo usando palitos reflete claramente o descaso que as pessoas têm com essa medição. O pior de tudo é que até agora eu não sei se o japa da propaganda foi rápido ou lento na tarefa de reabastecer o estoque de cervejas.

E a quem estiver se perguntando, fiquem tranquilos: eu não tinha nada de mais interessante para fazer quando escrevi este texto. Além disso, escrevi-o em dois tempos. Ou dois palitos, como queiram.

sábado, 4 de dezembro de 2010

Minha cartinha pro Papai Noel

Querido Papai Noel:

Este ano eu fui um bom menino. Não matei, não roubei, não estuprei, não cabulei aulas e, de quebra, ainda tirei uma louvável nota máxima no meu Trabalho de Conclusão de Curso.

Então, Papai Noel, eu gostaria de ganhar um emprego de presente do senhor. Meu objetivo profissional é ganhar dinheiro.

Ah, para que não haja confusão, não estou pedindo que o senhor seja o meu patrão. Como eu sou de Pelotas, tenho que conviver diariamente com piadas que me taxam de "viadinho", e trabalhar no setor das renas apenas pioraria a situação.

O senhor poderia me alocar no setor de fabricação dos presentes, onde eu seria colega dos duendes, mas isso só pioraria a minha naniquice. Ademais, tenho informações que o sindicato deles é uma baderna sem tamanho. Isso sem contar que, apesar de eu ser do sul do Brasil, tenho uma séria aversão a frio, porque é um tipo de temperatura que me obriga a usar cinco vezes mais roupas que o usual. Sinto calafrios só de imaginar na vestimenta que teria de usar se eu trabalhasse no Pólo Norte com o senhor.

Um afetuoso abraço do seu cabeludo amigo.

segunda-feira, 29 de novembro de 2010

Sobre pombas e sua arte de evacuar

"(...)
As pombas, quando avoam,
por incrível que pareça,
ficam sobrevoando, com seu cu amirando
em nossas cabeças

Daí vem a rajada
de sua bazuca anal;
já tem pomba com mira laser:
o tiro sai sempre fatal
(..)"

Não gosto de textos que comecem com uma citação musical, mas neste caso é inevitável. Talvez poucos saibam disso, mas a composição de Dinho (ex-filósofo, ex-vocalista do Mamonas Assassinas e atual finado) demonstra muito mais que uma anedota popular sobre as pombas, estas nada-higiênicas aves. Afirmo isso porque pude observar, há algumas semanas, o comportamento das pombas - principalmente no que tange o despacho de seus excrementos, a famosa "cagada".

Aconteceu há algumas semanas. Eu estava em Porto Alegre com a minha família, convidados para um casamento que éramos. Era um sábado e eu acordei consideravelmente tarde, o que me impediu de acompanhar meus parentes no almoço em um restaurante próximo. De modo que, quando cheguei ao restaurante, mal tive tempo de dizer "tchau" ao meu cunhado, que era o último a se retirar da mesa. Fiquei ali, almoçando em companhia de meus pensamentos e de um casal em uma mesa próxima, que estavam com um micro-poodle branco, tão micro e tão branco que, se cometesse a indiscrição de subir na mesa, poderia facilmente ser confundido com o punhado de arroz no prato do casal.

Mas divago. O animal em debate neste texto é a pomba.

Meu solitário almoço transcorreu tranquilamente, a despeito do nervosismo que eu estava por ter a mais absoluta certeza que o micro-poodle branco ia, a qualquer momento, levantar a patinha e demarcar território, mijando no pé da mesa e da moça do casal - o que não aconteceu. Devidamente almoçado (sem mensagens subliminares do tipo "eu estava comido" aqui), percorri o curto caminho entre o restaurante e o apartamento que minha família e eu estávamos hospedados. E o fiz distraidamente, sem perceber os perigos pombais que me rondavam.

Cheguei são e salvo, mas fui surpreendido por meus familiares analisando minha roupa, minha cabeça e meu portentoso par de sobrancelhas. Todos intactos.

- Ué, não tás sujo? - perguntaram-me.
- Não. - Respondi - Deveria?
- Olha, eu acabo de levar um banho de cocô de pomba. - Era meu cunhado, a esta altura já de banho tomado e roupa trocada.

Quando vi as roupas que foram mortalmente atingidas pela bazuca anal das pombas, fiquei impressionado: as aves praticamente conseguiram representar a política mundial. A cagada foi de uma agressividade norte-coreana, um estrago químico de uma arma iraniana e um deboche brasileiro, pois quase pude imaginar a pomba dizendo "é só uma marolinha".

E o pior é que a história não acaba aqui. Algum tempo depois, fomos - meu cunhado e eu - dar uma volta com meu sobrinho. Quando saímos, as pombas se alimentavam no chão. Mas quando retornamos...

(Eu juro que é uma história real. Eu juro que vi as pombas fazerem isso. Se eu não tivesse visto com meus próprios olhos, não teria acreditado.)

Quando retornamos, ficamos de olho nos céus, buscando desviar de uma possível mira laser pombal. Avistamos duas pombas no terceiro andar do condomínio onde estávamos, em um buraco onde deveria estar um ar-condicionado, exatamente na calçada onde passávamos. As duas estavam de olho nos transeuntes e também nos avistaram, temos certeza disso. E só temos essa certeza porque, quando vimos as aves, uma delas virou sua bazuca anal em direção ao ponto da calçada onde estávamos prestes a passar. Cientes do perigo que corríamos, resolvemos passar pelo meio da rua.

Acreditem: ao fazermos isso, a pomba desistiu da cagada e recolheu sua bazuca anal, tornando a ficar de olho nos pedestres que passaram. Certamente ela foi avisada pela companheira que meu cunhado e eu não estávamos mais na mira delas. Cientificamente falando, deve ser o primeiro caso de "aborto de cagada pombal" - pelo menos é o primeiro que eu tive notícia. E filosoficamente falando, concluí que a poesia de Dinho é imprecisa.

As pombas não precisam avoar para que seus cus fiquem amirando em nossas cabeças.

domingo, 31 de outubro de 2010

Weslian, who is?



Engana-se redondamente quem pensa que o Tiririca é o único e maior absurdo destas eleições. O analfabetismo do ex-palhaço não surpreende. Ou vocês não desconfiavam do fato dele não precisar decorar textos no programa humorístico que participava?

Já Weslian, não contente em ter entrado na disputa pelo governo do Distrito Federal a menos de 1 semana das eleições - substituindo nepotismicamente o marido cassado - e desfilado esta sapiência de fazer inveja a Borat, conseguiu votos suficientes para forçar um segundo turno. Como tudo na vida, isso tem um lado positivo: a possibilidade de um novo debate, onde Weslian poderia mandar todo mundo pra puta que pariu e mostrar que aprendeu alguma coisa em pouco mais de 2 semanas.

Mas obviamente isso não aconteceu.



Weslian preferiu desfilar em frente às câmeras toda a sua malemolência, dando continuidade às suas patacoadas e ofuscando o brilho do cinema nacional. Afinal, quem precisa de "Tropa de Elite 2", quando "Weslian Roriz 2, a missão" é muito mais divertido? Se por um lado Tiririca será submetido a um teste para saber se ele é ou não alfabetizado, eu sou da opinião que Weslian Roriz deveria passar por um teste de QI. E tenho quase certeza que o resultado seria algo entre "Erro: QI não encontrado" ou "QI = Joaquim Roriz".

O pensamento de Joaquim é bastante simples: Lula achou uma mulher e ensinou tudo direitinho pra ela. Então, porque não fazer o mesmo com minha própria esposa? É muito mais fácil!

Ledo engano. Weslian tratou de jogar no ralo a teoria feminista que diz que por trás de todo o grande homem existe uma grande mulher. Pra começar, a impressão que eu tenho vendo o vídeo é que ela é menor que eu. E pra terminar, é só ver o que ela faz no vídeo. Vê-la em ação no debate, mais perdida que surdo em bingo, me fez pensar nos pais dos envolvidos. Os pais de Weslian devem pensar algo do tipo:

- Puxa, tanto esforço pra educar essa menina e ela me faz esse papelão... que vergonha para a família.

Já o pai de Joaquim Roriz pensa um pouco diferente e, freudianamente, assume sua parcela de culpa.

- Meu Deus, que decepção. Eu achei que tinha ensinado tudo para o meu filho. Mas não! Como ele foi escolher esta criatura para ser sua esposa? E o pior é que eu tenho culpa nisso. Fui má influência. Escolhi a mulher mais concorrida do prostíbulo pra ser mãe dele.

quarta-feira, 18 de agosto de 2010

Contos de terror revistos

(...)

"Não havia mais remédio. A donzela, enfeitiçada, rendeu-se ao mestre.

- Venha - disse, oferecendo seu pescoço -. Venha, possua-me. Torna-me imortal, como tu.

Com um olhar possuído, Drácula admirou a cena: a bela donzela, oferecendo seu sangue, fresco, pronto para saciar sua sede, seu prazer. Aproximou-se, os caninos se sobressaindo a cada passo. Tomou a donzela nos braços, deu um grito estridente e cravou os dentes pontiagudos em sua jugular...

... mas ela estava cheia de espinhas no pescoço, e o mestre das trevas acabou com a boca cheia de pus.

- Pelo menos não é alho... - conformou-se Conde Drácula."

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(...)

"A Lua Cheia denunciava: a noite daquela sexta estava chegando, fatídica e inevitável. Seus raios e sua energia atingiram o jovem rapaz, dando início à transformação. As orelhas cresceram assustadoramente; a boca tomou, pouco a pouco, formato de focinho, largo, com dentes furiosamente ameaçadores. Os pêlos...

... não apareceram em sua plenitude.

Os pêlos tanto das pernas como dos braços e do tórax estavam muitíssimo bem aparados. Uma testemunha jurou que o suvaco estava completamente depilado. A sobrancelha estava muito bem desenhada, e, quando as unhas cresceram, revelaram a ausência de cutículas e um esmalte cor-de-café da Impala.

Jorge, o caçula da família, irmão de sete meninas, era metrossexual. No dia anterior, havia visitado um salão de beleza, onde depilou as partes íntimas, o suvaco e fez mãos e patas.

Uivou satisfeito para a Lua Cheia e foi atacar o galinheiro do vizinho. Com todo o cuidado, para não estragar as unhas."

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(...)

"Quando puxou a alavanca, um raio cortou o céu noturno, iluminando a chuva que caía sem dar trégua lá fora. No laboratório, uma risada histérica denunciou que Victor Frankenstein havia chegado ao seu perigoso objetivo.

Ria, ria descontroladamente, excitado com seu sucesso. A monstruosa criatura ainda jazia na cama, deitada. Lentamente abriu os olhos e lançou um olhar furtivo, de estranhamento, para o seu criador.

- Levanta-te e anda, meu filho! - ordenou Victor Frankenstein, cada vez mais excitado, achando-se Jesus Cristo.

O monstro, preguiçosamente cerrando os olhos, virou-se para o lado e resmungou:

- Só mais cinco minutinhos..."

terça-feira, 20 de julho de 2010

Por dentro

Ele era um humorista sem muito sucesso. E testava as piadas com sua namorada. "Namorada".

- O japa não viu nada. Tava de olhos meio fechados.
- Ah.
- Que foi? Essa não foi boa? - perguntou ele, meio decepcionado.
- Foi sim.
- Mas você não riu.
- Ri sim. Eu ri por dentro, amor.

Mas era um humorista meio vingativo.

- E aí querido, foi bom pra você?
- Ô.
- Sério mesmo?
- Sério.
- Mas você nem gozou.
- Gozei sim, amor. É que eu gozei por dentro.

O que ele não sabia é que ela era uma namorada - "namorada" - meio vingativa, também. Engravidou pouco tempo depois - sabe-se lá de quem. E aproveitou pra jogar a culpa nele.

- Grávida?
- É. E é teu.
- Mas eu...
- Gozou por dentro, não lembra?