Vocês sabem, sou um guri de imaginação muito fértil. Eu diria que a probabilidade de meu cérebro ser adubado com esterco de búfalo seria bastante plausível, mas eu não lembro de alguma vez ter comido carne de búfalo. Quanto mais cocô.
(Isso considerando que o fato de rebatizar o cocô e chamá-lo de "esterco" faça com que ele realmente tenha propriedades fertilizantes. Pra mim é tudo jogada de marketing de gente que quer sacanear a nossa cara, e a maior prova disso é a lenda que diz que caca de galinha faz crescer barba.)
Enfim, onde eu estava?
Ah sim, sou um guri de imaginação fértil. Hoje mesmo minha imaginação funcionou a milhões. Assistindo o jogo da Seleção Brasileira contra o Chile pela Copa do Mundo, via Robinho em ação e imaginava que dancinha escrota o rapaz ia executar, caso marcasse um gol.
Se fosse eu a comemorar um tento, baixaria em mim o espírito tradicionalista gaúcho, e eu dançaria a chula. Mazá!
Mas aí eu lembrei que ontem, depois do Fantástico, a Globo exibiu o filme "This Is It", do finado ídolo dançante Michael Jackson. Mas bah tchê, não há chula que bata uma dança do Michael Jackson! E pronto. Decidi que, se eu estivesse em campo e marcasse um gol, dançaria They Don't Care About Us. Aquele passo marchando e batendo com a mão direita no peito.
Decisão imaginária tomada, fui tomar meu banho. Porque imaginar demais também é um exercício e me deixa com uma asa do inferno. Neste banho, ao invés de cantar, resolvi me perguntar: será que sei dançar o que me propus dançar caso meu hipotético gol fosse marcado?
Resolvi tirar a prova.
Para o bem de todos e felicidade geral da nação, pensei que não seria bom eu dançar a chula embaixo do chuveiro. Além do espaço reduzido do box, dançar a chula em um chão escorregadio me faria não apenas quebrar meu próprio corpo, mas também o banheiro, o quarto ao lado, a cozinha e a porta do vizinho. Portanto, pelado e molhado, resolvi conferir se não faria feio caso meu hipotético gol fosse marcado com They Don't Care About Us - a tal marcha com a mão direita batendo no peito. E cheguei a uma conclusão:
Sou disparadamente o pior dançarino do mundo.
Sem mais.
segunda-feira, 28 de junho de 2010
sexta-feira, 14 de maio de 2010
Chance de polêmica na Igreja
Polícia encontra 38 imagens de santa recheadas com maconha
Tá mal explicada essa história. Tenho certeza que as santas estavam sendo utilizadas em uma procissão contrária às drogas, que ocorria paralelamente à Marcha da Maconha. Os policiais começaram a desconfiar de algo quando os fiéis passaram a dizer "só, irmão" ao invés de "amém". "Pô, essa santa aí, mó da hora meu, podicrê. Só, irmão", rezavam os fiéis, em uníssono.
Se eu fosse da Igreja, investigaria o caso. Se há santas que choram sangue, outras vertem mel e outras choram sangue melado, por que uma santa não pode ter olhos vermelhos, verter maconha por todos os poros e reclamar da larica? Existe milagre pra tudo nessa vida. Não acho correto ligar traficantes a este caso sem, antes, haver uma investigação criteriosa da Igreja.
Eu poderia telefonar para alguma autoridade católica agora e relatar o caso. Tenho certeza que eles se interessariam. Só não o faço por que eu bem me conheço e não resistiria à tentação de fazer outras perguntas.
- Mas, senhor bispo, e a pedofilia na Igreja hein?
- Meu filho, não mude de assunto. Vamos investigar a santa maconheira.
Tá mal explicada essa história. Tenho certeza que as santas estavam sendo utilizadas em uma procissão contrária às drogas, que ocorria paralelamente à Marcha da Maconha. Os policiais começaram a desconfiar de algo quando os fiéis passaram a dizer "só, irmão" ao invés de "amém". "Pô, essa santa aí, mó da hora meu, podicrê. Só, irmão", rezavam os fiéis, em uníssono.
Se eu fosse da Igreja, investigaria o caso. Se há santas que choram sangue, outras vertem mel e outras choram sangue melado, por que uma santa não pode ter olhos vermelhos, verter maconha por todos os poros e reclamar da larica? Existe milagre pra tudo nessa vida. Não acho correto ligar traficantes a este caso sem, antes, haver uma investigação criteriosa da Igreja.
Eu poderia telefonar para alguma autoridade católica agora e relatar o caso. Tenho certeza que eles se interessariam. Só não o faço por que eu bem me conheço e não resistiria à tentação de fazer outras perguntas.
- Mas, senhor bispo, e a pedofilia na Igreja hein?
- Meu filho, não mude de assunto. Vamos investigar a santa maconheira.
segunda-feira, 19 de abril de 2010
Desmascarando uma piada baseada em mentiras
Algumas pessoas me perguntam se as situações engraçadinhas que eu escrevo inserindo-me como personagem principal são verídicas. Bem, algumas sim, outras não.
É que, como eu detesto perder piada, costumo fazê-las mesmo que tenha que mentir pra isso. Só pra fazer rir - ou tentar. Mas muita gente não entende isso.

"Cacete, esse guri é um viciado louco! Não tinha Sorinan no banho e ele cheirou shampoo anti-caspa! Será que ele queria tirar a caspa dos pêlos do nariz?", dirão alguns.
Ora, é fácil perceber que isso tudo é uma grande mentira. O segredo é parar e analisar, fria e racionalmente, todas as informações:
1- Eu não estava exatamente debaixo do chuveiro. Eu estava um pouco mais à frente, devido ao direcionamento da água.
2- Eu não tateei atrás do Sorinan, porque eu sabia que ele não estava ali. Isso ocorre porque eu não tenho o depreciável hábito de tomar banho em sua companhia. Logo, a teoria que me taxa de "viciado louco" é infundada.
3- Eu não uso Sorinan. Uso Neosoro. Às vezes, Multisoro.
4- Eu não tenho shampoo anti-caspa, haja visto a ausência de caspa neste rico couro cabeludo.
A única verdade nessa piadinha é que eu quase morri sufocado no banho. Se me baseasse apenas em verdades, a piada sairia mais ou menos assim:
"Quase morri sufocado tomando banho. Desejei ardentemente meu Neosoro, mas ele estava no quarto. Tive uma vontade louca de cheirar meu shampo anti-quedas que uso no meu rico couro-carecudo, mas mantive firme minha consciência, muito embora a falta de oxigênio estivesse me exaurindo e aguentei até o fim do banho.
Enxuguei-me com cuidado e corri pelado até a cabeceira da minha cama, onde meu Neosoro aguardava-me fielmente. Tive a impressão de vê-lo de calcinha fio-dental vermelha, mas creio que isso foi fruto de uma alucinação causada pela falta de oxigênio em meu cérebro, aliada a uma provável crise de abstinência."
Mas não fiz essa piada no Twitter, porque tem bem mais de 140 caracteres aí. Então preferi mentir pra não perder a piada.
É que, como eu detesto perder piada, costumo fazê-las mesmo que tenha que mentir pra isso. Só pra fazer rir - ou tentar. Mas muita gente não entende isso.
"Cacete, esse guri é um viciado louco! Não tinha Sorinan no banho e ele cheirou shampoo anti-caspa! Será que ele queria tirar a caspa dos pêlos do nariz?", dirão alguns.
Ora, é fácil perceber que isso tudo é uma grande mentira. O segredo é parar e analisar, fria e racionalmente, todas as informações:
1- Eu não estava exatamente debaixo do chuveiro. Eu estava um pouco mais à frente, devido ao direcionamento da água.
2- Eu não tateei atrás do Sorinan, porque eu sabia que ele não estava ali. Isso ocorre porque eu não tenho o depreciável hábito de tomar banho em sua companhia. Logo, a teoria que me taxa de "viciado louco" é infundada.
3- Eu não uso Sorinan. Uso Neosoro. Às vezes, Multisoro.
4- Eu não tenho shampoo anti-caspa, haja visto a ausência de caspa neste rico couro cabeludo.
A única verdade nessa piadinha é que eu quase morri sufocado no banho. Se me baseasse apenas em verdades, a piada sairia mais ou menos assim:
"Quase morri sufocado tomando banho. Desejei ardentemente meu Neosoro, mas ele estava no quarto. Tive uma vontade louca de cheirar meu shampo anti-quedas que uso no meu rico couro-carecudo, mas mantive firme minha consciência, muito embora a falta de oxigênio estivesse me exaurindo e aguentei até o fim do banho.
Enxuguei-me com cuidado e corri pelado até a cabeceira da minha cama, onde meu Neosoro aguardava-me fielmente. Tive a impressão de vê-lo de calcinha fio-dental vermelha, mas creio que isso foi fruto de uma alucinação causada pela falta de oxigênio em meu cérebro, aliada a uma provável crise de abstinência."
Mas não fiz essa piada no Twitter, porque tem bem mais de 140 caracteres aí. Então preferi mentir pra não perder a piada.
segunda-feira, 12 de abril de 2010
Substituam as agulhas
Perdoem-me por qualquer erro de digitação nesse texto. É que estou com um braço seriamente lesionado. Hoje à tarde fui ferido com gravidade por uma brutal agulha, ao ser vacinado contra a gripe H1N1 Influenza A Suína de nobre coração que vai todos os dias ao bosque recolher lenha.
Meu braço ficou com uma marca de sangue horrorosa. Se alguém estiver olhando para o meu braço a uma distância menor que meio metro, é capaz de enxergar um ponto vermelho-sangue a olho nu. Um absurdo. Falo da marca da tortura, e não da nudez do olho. Este é livre pra ficar pelado caso esta ideia lhe passe pela telha. Ou pela córnea.
Não é novidade para ninguém o asco que tenho de agulhas, este medieval, arcaico e ultrapassado instrumento que finge ser uma bênção da humanidade, mas que é um instrumento de tortura. E não venham dizer que medo de agulha é coisa de viado. Achar normal ou até prazeiroso que um ferrinho fique te furando é que é coisa de viado. Brrrr.
Enfim, fui vacinado. Uma agulha cruel perfurou meu braço, e o de tantos outros cidadãos inocentes, unicamente porque a humanidade é preguiçosa e acomodada, não se permitindo pensar em alternativas menos bárbaras para vacinação, extração de sangue e enfeites coloridos ou metálicos pelo corpo. Eu mesmo, momentos antes de ser metralhado pela impiedosa agulha, tentei - em vão - sugerir algumas alternativas às moças que manusearam o antiquado e perfurante instrumento metálico.
Perguntei, primeiramente, se não havia uma versão da vacina em gotinhas. Lastimavelmente, não há. Fica, então, a ideia às autoridades de saúde nacional. Abriria, inclusive, a possibilidade de uma campanha de vacinação muito mais atraente. Pensemos: uma vacina de gotinhas poderia contar com o simpático Zé Gotinha como garoto-propaganda. Gota-propaganda, no caso. Com uma agulha, que simpático ser teríamos como garoto-propaganda? O Zé Agulhinha? Caríssimos: agulhas não atraem a atenção de crianças, nem de cabeludos barbudos de 26 anos.
Alguém argumentará que o sabor da vacina deve ser terrível, o que inviabiliza a possibilidade de ser administrada via oral. Pois lhes digo: isso não é desculpa para uma humanidade que se acostumou a utilizar chá de boldo para amenizar os efeitos de uma simples dor de barriga ou de uma mera ressaca.
Ainda assim, pensei nessa possibilidade: as moças que aplicavam a vacina não iriam administrá-la via oral por causa de um possível gosto ruim. Sugeri então que a solução anti-gripe-porca fosse adicionada a um saboroso suco, quiçá de laranja, ou mesmo à uma saborosa caipirinha tradicionalmente brazuca. Essa ideia foi descartada por uma das moças:
- Nem pensar. Depois de tomar a vacina, tem que ficar 24 horas sem beber nada alcoólico.
Ora! Além de ter meu braço metralhado, ainda tenho meus direitos de degustar cerveja tolhidos por causa de uma vacina? Pensei se a tal vacina teria seu efeito anulado ou mesmo produzisse um efeito colateral grave se eu ingerisse alguma bebida alcoólica, mas não tardei a perceber que essa ideia não tem muito sentido. Sabe-se que o álcool é um líquido eficaz na tarefa de matar germes, bactérias, fungos, rastros de bom senso analítico de beleza alheia, motoristas sem noção e outros bichinhos nocivos à nossa saúde. Aliado à uma fórmula que previne a Influenza A, teríamos um exército praticamente imbatível correndo em nossas veias, em prol de nossa saúde!
Fica, pois, novamente a dica: adicionar a fórmula da vacina a líquidos consumíveis. Eu, por exemplo, acharia interessante ser vacinado contra a Influenza A tomando chimarrão. Afinal, o amargo é um velho, inseparável e fiel amigo.
Eu sei, vocês dirão que eu estou exagerando, já que sou doador de sangue. Mas a própria doação de sangue pode ser repensada, com o objetivo de eliminar a agulha do procedimento. Por exemplo: se estou bem informado, e se não é uma lenda babaca (se for, dane-se, quero escrever esse parágrafo em paz, me deixem), há uma técnica de yoga onde a pessoa faz certos movimentos com a barriga que permite uma melhor digestão, e oferece até a possibilidade de comer mais, mesmo depois de satisfeito!
Pois bem: e se existisse uma técnica de yoga que, após alguns movimentos do abdômen, permitisse expelir sangue pela uretra, sem prejuízos à saúde? A agulha estaria eliminada!
Poderíamos, também, criar um sistema de colheita de sangue a domicílio. Por exemplo, digamos que eu esteja na cozinha, preparando um almoço, cortando distraidamente, sei lá, cebola ou tomate, e de repente ZAP! Um corte grande aparece no meu dedo. Lamentaríamos, xingaríamos e só então nos dirigiríamos ao telefone.
- Alô, é do Hemocentro? Eu cortei o dedo aqui e tá saindo bastante sangue. Quero doar. É A positivo.
Infelizmente, tudo isso é um doce sonho da minha mente. E sonhar não impediu que meu braço fosse impiedosamente furado por uma agulha, com o único intuito de me tornar imune a uma gripe que surgiu em porcos. Quer dizer que agora eu não preciso mais usar camisinhas com porcos? Oh, estou tão animado que quase dormi enquanto escrevia essa frase.
Posso comer bacon à vontade, inclusive estragado? Opa, assim tá melhor.
Meu braço ficou com uma marca de sangue horrorosa. Se alguém estiver olhando para o meu braço a uma distância menor que meio metro, é capaz de enxergar um ponto vermelho-sangue a olho nu. Um absurdo. Falo da marca da tortura, e não da nudez do olho. Este é livre pra ficar pelado caso esta ideia lhe passe pela telha. Ou pela córnea.
Não é novidade para ninguém o asco que tenho de agulhas, este medieval, arcaico e ultrapassado instrumento que finge ser uma bênção da humanidade, mas que é um instrumento de tortura. E não venham dizer que medo de agulha é coisa de viado. Achar normal ou até prazeiroso que um ferrinho fique te furando é que é coisa de viado. Brrrr.
Enfim, fui vacinado. Uma agulha cruel perfurou meu braço, e o de tantos outros cidadãos inocentes, unicamente porque a humanidade é preguiçosa e acomodada, não se permitindo pensar em alternativas menos bárbaras para vacinação, extração de sangue e enfeites coloridos ou metálicos pelo corpo. Eu mesmo, momentos antes de ser metralhado pela impiedosa agulha, tentei - em vão - sugerir algumas alternativas às moças que manusearam o antiquado e perfurante instrumento metálico.
Perguntei, primeiramente, se não havia uma versão da vacina em gotinhas. Lastimavelmente, não há. Fica, então, a ideia às autoridades de saúde nacional. Abriria, inclusive, a possibilidade de uma campanha de vacinação muito mais atraente. Pensemos: uma vacina de gotinhas poderia contar com o simpático Zé Gotinha como garoto-propaganda. Gota-propaganda, no caso. Com uma agulha, que simpático ser teríamos como garoto-propaganda? O Zé Agulhinha? Caríssimos: agulhas não atraem a atenção de crianças, nem de cabeludos barbudos de 26 anos.
Alguém argumentará que o sabor da vacina deve ser terrível, o que inviabiliza a possibilidade de ser administrada via oral. Pois lhes digo: isso não é desculpa para uma humanidade que se acostumou a utilizar chá de boldo para amenizar os efeitos de uma simples dor de barriga ou de uma mera ressaca.
Ainda assim, pensei nessa possibilidade: as moças que aplicavam a vacina não iriam administrá-la via oral por causa de um possível gosto ruim. Sugeri então que a solução anti-gripe-porca fosse adicionada a um saboroso suco, quiçá de laranja, ou mesmo à uma saborosa caipirinha tradicionalmente brazuca. Essa ideia foi descartada por uma das moças:
- Nem pensar. Depois de tomar a vacina, tem que ficar 24 horas sem beber nada alcoólico.
Ora! Além de ter meu braço metralhado, ainda tenho meus direitos de degustar cerveja tolhidos por causa de uma vacina? Pensei se a tal vacina teria seu efeito anulado ou mesmo produzisse um efeito colateral grave se eu ingerisse alguma bebida alcoólica, mas não tardei a perceber que essa ideia não tem muito sentido. Sabe-se que o álcool é um líquido eficaz na tarefa de matar germes, bactérias, fungos, rastros de bom senso analítico de beleza alheia, motoristas sem noção e outros bichinhos nocivos à nossa saúde. Aliado à uma fórmula que previne a Influenza A, teríamos um exército praticamente imbatível correndo em nossas veias, em prol de nossa saúde!
Fica, pois, novamente a dica: adicionar a fórmula da vacina a líquidos consumíveis. Eu, por exemplo, acharia interessante ser vacinado contra a Influenza A tomando chimarrão. Afinal, o amargo é um velho, inseparável e fiel amigo.
Eu sei, vocês dirão que eu estou exagerando, já que sou doador de sangue. Mas a própria doação de sangue pode ser repensada, com o objetivo de eliminar a agulha do procedimento. Por exemplo: se estou bem informado, e se não é uma lenda babaca (se for, dane-se, quero escrever esse parágrafo em paz, me deixem), há uma técnica de yoga onde a pessoa faz certos movimentos com a barriga que permite uma melhor digestão, e oferece até a possibilidade de comer mais, mesmo depois de satisfeito!
Pois bem: e se existisse uma técnica de yoga que, após alguns movimentos do abdômen, permitisse expelir sangue pela uretra, sem prejuízos à saúde? A agulha estaria eliminada!
Poderíamos, também, criar um sistema de colheita de sangue a domicílio. Por exemplo, digamos que eu esteja na cozinha, preparando um almoço, cortando distraidamente, sei lá, cebola ou tomate, e de repente ZAP! Um corte grande aparece no meu dedo. Lamentaríamos, xingaríamos e só então nos dirigiríamos ao telefone.
- Alô, é do Hemocentro? Eu cortei o dedo aqui e tá saindo bastante sangue. Quero doar. É A positivo.
Infelizmente, tudo isso é um doce sonho da minha mente. E sonhar não impediu que meu braço fosse impiedosamente furado por uma agulha, com o único intuito de me tornar imune a uma gripe que surgiu em porcos. Quer dizer que agora eu não preciso mais usar camisinhas com porcos? Oh, estou tão animado que quase dormi enquanto escrevia essa frase.
Posso comer bacon à vontade, inclusive estragado? Opa, assim tá melhor.
terça-feira, 6 de abril de 2010
Apreciador contumaz
Ele era um apreciador contumaz de cerveja.
- Se eu quero mais cerveja? Ora, contumaz, melhor. - sempre dizia.
- Se eu quero mais cerveja? Ora, contumaz, melhor. - sempre dizia.
quarta-feira, 24 de março de 2010
Do céu ao inferno
Os mais incautos ou os menos agraciados pela sorte de nascer em Pelotas não sabem, mas a noite pelotense sempre reserva surpresas para seus habitantes. Eu escrevo bonito demais, diz aí.
Noite úmida e nem tão fria na cidade. Um Palio de cor marrom meio areia-caganeira, carregando umas 4 moças, pára em um cruzamento. E eis que uma das moças, no banco de trás, abre o vidro e berra para o único transeunte da rua (eu):
- Tu é meu sonho erótico!
Viro-me para apreciar o rosto da gentil donzela, mas não consigo ver muito mais que o sorriso da dona da voz, uma loirinha, dentro de um carro em movimento, que logo some pela rua transversal a que eu estava. Fico realmente impressionado. Como eu escrevo bonito!
Um turbilhão de pensamentos minha cabeça. O que será que ela viu em mim? Será que meu andar está mais gracioso? Será que meu desodorante está fazendo o efeito que aparece na propaganda? Será que meu cabelo resistiu ao vento e ficou impecavelmente hipnotizante? O que será que ela bebeu e fumou?
É lógico que eu posso pensar que fui avacalhado ironicamente, porque meu caminhar não é lá muito elegante. Eu diria que se estivesse num concurso de modelos e a primeira prova fosse o desfile, eu seria desclassificado no segundo ou terceiro passo dado na passarela. Mas não, não penso que fui avacalhado. Afinal, de quando em vez meu ego também necessita de uma massagem terapêutica.
Sigo caminhando, torcendo para o tal Palio areia-caganeira passe por mim de novo, o que me daria a chance de conhecer minha pretendente e contar-lhe as novidades: lista de convidados do nosso casamento, um padre com agenda livre para abençoar-nos semana que vem, essas coisas. Mas o Palio não passa. Se sonhar não custa nada, a moça é uma tremenda pão-dura, porque só se limitou a sonhar eroticamente comigo. Mas nem isso tira meu título de "Bonitão da rua" - a despeito da total ausência de concorrentes na rua.
Uma quadra depois, o carro que passa por mim é um... um... sei lá, não lembro. 20 ou 30 metros adiante, o motorista do dito carro manobra para colocar o veículo dentro de sua garagem e pára - mas não abre o portão. Sigo caminhando, o carro segue parado em frente ao portão que segue sem ser aberto. O sujeito só abre o portão, via controle remoto, depois de eu passar por ele.
Decerto o rapaz achou que eu, no alto do meu metro e pouquinho, estava pronto pra correr portão adentro, roubar seus pertences, dar uns catas não-autorizados em sua filha, depois na esposa, limpar a geladeira e fazer sua conta de telefone ir à extratosfera com uma ligação para um telessexo de São Tomé e Príncipe. E ainda encontrar tempo para chutar o cachorro e xingar o juiz de algum jogo que provavelmente estava sendo reprisado no SporTV.
Numa quadra, uma moçoila diz que eu sou o sonho erótico dela. Na outra, um rapaz julga que eu tenho talento físico para ser um assaltante em potencial.
Fui do céu ao inferno em poucos minutos, em poucas quadras.
Noite úmida e nem tão fria na cidade. Um Palio de cor marrom meio areia-caganeira, carregando umas 4 moças, pára em um cruzamento. E eis que uma das moças, no banco de trás, abre o vidro e berra para o único transeunte da rua (eu):
- Tu é meu sonho erótico!
Viro-me para apreciar o rosto da gentil donzela, mas não consigo ver muito mais que o sorriso da dona da voz, uma loirinha, dentro de um carro em movimento, que logo some pela rua transversal a que eu estava. Fico realmente impressionado. Como eu escrevo bonito!
Um turbilhão de pensamentos minha cabeça. O que será que ela viu em mim? Será que meu andar está mais gracioso? Será que meu desodorante está fazendo o efeito que aparece na propaganda? Será que meu cabelo resistiu ao vento e ficou impecavelmente hipnotizante? O que será que ela bebeu e fumou?
É lógico que eu posso pensar que fui avacalhado ironicamente, porque meu caminhar não é lá muito elegante. Eu diria que se estivesse num concurso de modelos e a primeira prova fosse o desfile, eu seria desclassificado no segundo ou terceiro passo dado na passarela. Mas não, não penso que fui avacalhado. Afinal, de quando em vez meu ego também necessita de uma massagem terapêutica.
Sigo caminhando, torcendo para o tal Palio areia-caganeira passe por mim de novo, o que me daria a chance de conhecer minha pretendente e contar-lhe as novidades: lista de convidados do nosso casamento, um padre com agenda livre para abençoar-nos semana que vem, essas coisas. Mas o Palio não passa. Se sonhar não custa nada, a moça é uma tremenda pão-dura, porque só se limitou a sonhar eroticamente comigo. Mas nem isso tira meu título de "Bonitão da rua" - a despeito da total ausência de concorrentes na rua.
Uma quadra depois, o carro que passa por mim é um... um... sei lá, não lembro. 20 ou 30 metros adiante, o motorista do dito carro manobra para colocar o veículo dentro de sua garagem e pára - mas não abre o portão. Sigo caminhando, o carro segue parado em frente ao portão que segue sem ser aberto. O sujeito só abre o portão, via controle remoto, depois de eu passar por ele.
Decerto o rapaz achou que eu, no alto do meu metro e pouquinho, estava pronto pra correr portão adentro, roubar seus pertences, dar uns catas não-autorizados em sua filha, depois na esposa, limpar a geladeira e fazer sua conta de telefone ir à extratosfera com uma ligação para um telessexo de São Tomé e Príncipe. E ainda encontrar tempo para chutar o cachorro e xingar o juiz de algum jogo que provavelmente estava sendo reprisado no SporTV.
Numa quadra, uma moçoila diz que eu sou o sonho erótico dela. Na outra, um rapaz julga que eu tenho talento físico para ser um assaltante em potencial.
Fui do céu ao inferno em poucos minutos, em poucas quadras.
quinta-feira, 11 de fevereiro de 2010
O revés de Joãozinho
Não há dúvidas. Joãozinho é uma criança que nenhum casal gostaria de ter como filho. É o tipo de criança que faz pais e mães caírem em depressão, desespero e choro; faz qualquer pessoa madura se jogar nas drogas, lamentando-se: "onde foi que eu errei?".
Apesar de ser tão novo - não passa dos nove anos -, a vida de Joãozinho é mundialmente conhecida. Sua biografia escolar e pessoal é largamente relatada em piadas, que alavancaram outras personalidades infantis como Juquinha.
Joãozinho é terrível. Seus pais não o largaram na sarjeta mais próxima por temerem represálias não apenas do Conselho Tutelar, mas também do próprio Joãozinho. Não sei vocês, mas eu nem quero imaginar do que esse piá seria capaz se fosse movido pelo desejo de vingança. Resta saber se ele vai se vingar do revés que acaba de sofrer de seus pais.
Sim. Joãozinho acaba de sofrer um revés. Tudo começou naquela bela tarde de sol, quando ele estava entendiado, sem grande imaginação, quando resolveu fazer o que mais sabe: tirar as pessoas da sua tranquilidade. Dirigiu-se até a sala, onde seus pais assistiam SuperNanny, em busca de uma luz salvadora, e fez um pedido aos pais:
- Pai, mãe, quero uma mochila nova.
- Uma mochila nova, Joãozinho?
- Sim.
Um pedido simples, aparentemente inocente. Porém, de um instante para o outro, transformou-se em um desejo no mínimo insólito.
- Que mochila, filho?
- Ah, uma bem diferente. Quero que seja do Harry Potter, porque eu gostei muito de ler o livro.
- E quando tu leste o livro?
- Nunca. Mas isso não interessa. Como eu dizia, quero que seja do Harry Potter. E tem que ser do Sonic, também. É meu game preferido. E tem que fazer referência ao Pelé ou ao Maradona. Algo que tenha, assim, o número 10. E, como eu sou um menino muito politizado, quero que tenha algo do Obama. Quero prestar minha solidariedade ao negão.
- Que vocabulário rebuscado. Onde tu aprendeste isso?
- Lendo Harry Potter.
- Mas tu não leste...
- Não interessa. E aí, quando vou ter minha mochila nova?
- Mas onde diabos eu vou achar uma mochila dessas, guri? - protestou o pai.
- Como é que eu vou saber? - retrucou Joãozinho. - Isso é tarefa de pai. Pais é que fazem tudo e que são heróis.
- Mas...
- Nah! Enquanto eu não tiver minha mochila, nunca mais volto pro colégio. Ou melhor, volto. Mas aí eu dou um jeito de contar pra professora o que vocês fazem no quarto, e como é a vista do papai abaixando no banheiro pra catar o sabonete. - Dito isto, Joãozinho recolheu-se aos seus aposentos. Sua tarefa - incomodar - já estava devidamente cumprida.
Os pais estavam aterrorizados com a chantagem. Foram para o quarto, mas não dormiram. Ficaram pensando em tudo. Na privacidade que perderiam. Em Joãozinho, que estava cada vez mais impossível.
- Querido, não sei mais o que fazer com essa criança.
- Pois é.
- Acho que vou chamar a SuperNanny. Viu que hoje ela...
- Não. Não quero passar vergonha em rede nacional.
- Mas onde vamos arranjar uma mochila daquelas?
- Deixa. Eu dou um jeito.
- Como? Que jeito?
- Deixa comigo. Eu dou um jeito.
Na manhã seguinte, Joãozinho ficou recolhido em seu quarto, onde almoçou em frente ao computador, jogando Sonic pela primeira vez na vida. Seu turno no colégio era à tarde, e pouco antes do horário de aula, ouviu seu pai berrar seu nome. Solícito como ele só, desceu as escadas, cantando vitória, sabendo que não iria para a escola, exibindo seu sorriso radiante, quando...
... estaqueou ao fim dos degraus. Aos poucos, ficou boquiaberto e nem parecia que, instantes antes, havia um sorriso irreverente e sádico por ali. Os olhos não piscavam. Pelo contrário: abriam-se cada vez mais, e estava fixos em um ponto. Por um instante, o guri aparentou ser atingido pela bola de gelo do Sub-Zero. A boca, agora completamente aberta, não conseguiu pronunciar nada inteligente.
- Mas... mas...
- Vamos. Tás atrasado pro colégio.

- Mas... mas...
- Vamos. Já arrumei teu material.
- Mas...
- Não enrola, guri. Ou te dou uma tunda.
E foram. Pela primeira vez na vida paterna, o pai se sentia triunfante. Joãozinho passou os dois anos seguintes explicando para os coleguinhas - para Juquinha, inclusive - o porquê daquela mochila. O pai só permitiu a troca quando a imagem do Sonic e o "Obama" estavam irreconhecíveis pelo desgaste.
A SuperNanny havia sido poupada.
Apesar de ser tão novo - não passa dos nove anos -, a vida de Joãozinho é mundialmente conhecida. Sua biografia escolar e pessoal é largamente relatada em piadas, que alavancaram outras personalidades infantis como Juquinha.
Joãozinho é terrível. Seus pais não o largaram na sarjeta mais próxima por temerem represálias não apenas do Conselho Tutelar, mas também do próprio Joãozinho. Não sei vocês, mas eu nem quero imaginar do que esse piá seria capaz se fosse movido pelo desejo de vingança. Resta saber se ele vai se vingar do revés que acaba de sofrer de seus pais.
Sim. Joãozinho acaba de sofrer um revés. Tudo começou naquela bela tarde de sol, quando ele estava entendiado, sem grande imaginação, quando resolveu fazer o que mais sabe: tirar as pessoas da sua tranquilidade. Dirigiu-se até a sala, onde seus pais assistiam SuperNanny, em busca de uma luz salvadora, e fez um pedido aos pais:
- Pai, mãe, quero uma mochila nova.
- Uma mochila nova, Joãozinho?
- Sim.
Um pedido simples, aparentemente inocente. Porém, de um instante para o outro, transformou-se em um desejo no mínimo insólito.
- Que mochila, filho?
- Ah, uma bem diferente. Quero que seja do Harry Potter, porque eu gostei muito de ler o livro.
- E quando tu leste o livro?
- Nunca. Mas isso não interessa. Como eu dizia, quero que seja do Harry Potter. E tem que ser do Sonic, também. É meu game preferido. E tem que fazer referência ao Pelé ou ao Maradona. Algo que tenha, assim, o número 10. E, como eu sou um menino muito politizado, quero que tenha algo do Obama. Quero prestar minha solidariedade ao negão.
- Que vocabulário rebuscado. Onde tu aprendeste isso?
- Lendo Harry Potter.
- Mas tu não leste...
- Não interessa. E aí, quando vou ter minha mochila nova?
- Mas onde diabos eu vou achar uma mochila dessas, guri? - protestou o pai.
- Como é que eu vou saber? - retrucou Joãozinho. - Isso é tarefa de pai. Pais é que fazem tudo e que são heróis.
- Mas...
- Nah! Enquanto eu não tiver minha mochila, nunca mais volto pro colégio. Ou melhor, volto. Mas aí eu dou um jeito de contar pra professora o que vocês fazem no quarto, e como é a vista do papai abaixando no banheiro pra catar o sabonete. - Dito isto, Joãozinho recolheu-se aos seus aposentos. Sua tarefa - incomodar - já estava devidamente cumprida.
Os pais estavam aterrorizados com a chantagem. Foram para o quarto, mas não dormiram. Ficaram pensando em tudo. Na privacidade que perderiam. Em Joãozinho, que estava cada vez mais impossível.
- Querido, não sei mais o que fazer com essa criança.
- Pois é.
- Acho que vou chamar a SuperNanny. Viu que hoje ela...
- Não. Não quero passar vergonha em rede nacional.
- Mas onde vamos arranjar uma mochila daquelas?
- Deixa. Eu dou um jeito.
- Como? Que jeito?
- Deixa comigo. Eu dou um jeito.
Na manhã seguinte, Joãozinho ficou recolhido em seu quarto, onde almoçou em frente ao computador, jogando Sonic pela primeira vez na vida. Seu turno no colégio era à tarde, e pouco antes do horário de aula, ouviu seu pai berrar seu nome. Solícito como ele só, desceu as escadas, cantando vitória, sabendo que não iria para a escola, exibindo seu sorriso radiante, quando...
... estaqueou ao fim dos degraus. Aos poucos, ficou boquiaberto e nem parecia que, instantes antes, havia um sorriso irreverente e sádico por ali. Os olhos não piscavam. Pelo contrário: abriam-se cada vez mais, e estava fixos em um ponto. Por um instante, o guri aparentou ser atingido pela bola de gelo do Sub-Zero. A boca, agora completamente aberta, não conseguiu pronunciar nada inteligente.
- Mas... mas...
- Vamos. Tás atrasado pro colégio.
- Mas... mas...
- Vamos. Já arrumei teu material.
- Mas...
- Não enrola, guri. Ou te dou uma tunda.
E foram. Pela primeira vez na vida paterna, o pai se sentia triunfante. Joãozinho passou os dois anos seguintes explicando para os coleguinhas - para Juquinha, inclusive - o porquê daquela mochila. O pai só permitiu a troca quando a imagem do Sonic e o "Obama" estavam irreconhecíveis pelo desgaste.
A SuperNanny havia sido poupada.
Assinar:
Postagens (Atom)
