sexta-feira, 14 de maio de 2010

Chance de polêmica na Igreja

Polícia encontra 38 imagens de santa recheadas com maconha

Tá mal explicada essa história. Tenho certeza que as santas estavam sendo utilizadas em uma procissão contrária às drogas, que ocorria paralelamente à Marcha da Maconha. Os policiais começaram a desconfiar de algo quando os fiéis passaram a dizer "só, irmão" ao invés de "amém". "Pô, essa santa aí, mó da hora meu, podicrê. Só, irmão", rezavam os fiéis, em uníssono.

Se eu fosse da Igreja, investigaria o caso. Se há santas que choram sangue, outras vertem mel e outras choram sangue melado, por que uma santa não pode ter olhos vermelhos, verter maconha por todos os poros e reclamar da larica? Existe milagre pra tudo nessa vida. Não acho correto ligar traficantes a este caso sem, antes, haver uma investigação criteriosa da Igreja.

Eu poderia telefonar para alguma autoridade católica agora e relatar o caso. Tenho certeza que eles se interessariam. Só não o faço por que eu bem me conheço e não resistiria à tentação de fazer outras perguntas.

- Mas, senhor bispo, e a pedofilia na Igreja hein?
- Meu filho, não mude de assunto. Vamos investigar a santa maconheira.

segunda-feira, 19 de abril de 2010

Desmascarando uma piada baseada em mentiras

Algumas pessoas me perguntam se as situações engraçadinhas que eu escrevo inserindo-me como personagem principal são verídicas. Bem, algumas sim, outras não.

É que, como eu detesto perder piada, costumo fazê-las mesmo que tenha que mentir pra isso. Só pra fazer rir - ou tentar. Mas muita gente não entende isso.


"Cacete, esse guri é um viciado louco! Não tinha Sorinan no banho e ele cheirou shampoo anti-caspa! Será que ele queria tirar a caspa dos pêlos do nariz?", dirão alguns.

Ora, é fácil perceber que isso tudo é uma grande mentira. O segredo é parar e analisar, fria e racionalmente, todas as informações:

1- Eu não estava exatamente debaixo do chuveiro. Eu estava um pouco mais à frente, devido ao direcionamento da água.
2- Eu não tateei atrás do Sorinan, porque eu sabia que ele não estava ali. Isso ocorre porque eu não tenho o depreciável hábito de tomar banho em sua companhia. Logo, a teoria que me taxa de "viciado louco" é infundada.
3- Eu não uso Sorinan. Uso Neosoro. Às vezes, Multisoro.
4- Eu não tenho shampoo anti-caspa, haja visto a ausência de caspa neste rico couro cabeludo.

A única verdade nessa piadinha é que eu quase morri sufocado no banho. Se me baseasse apenas em verdades, a piada sairia mais ou menos assim:

"Quase morri sufocado tomando banho. Desejei ardentemente meu Neosoro, mas ele estava no quarto. Tive uma vontade louca de cheirar meu shampo anti-quedas que uso no meu rico couro-carecudo, mas mantive firme minha consciência, muito embora a falta de oxigênio estivesse me exaurindo e aguentei até o fim do banho.

Enxuguei-me com cuidado e corri pelado até a cabeceira da minha cama, onde meu Neosoro aguardava-me fielmente. Tive a impressão de vê-lo de calcinha fio-dental vermelha, mas creio que isso foi fruto de uma alucinação causada pela falta de oxigênio em meu cérebro, aliada a uma provável crise de abstinência."

Mas não fiz essa piada no Twitter, porque tem bem mais de 140 caracteres aí. Então preferi mentir pra não perder a piada.

segunda-feira, 12 de abril de 2010

Substituam as agulhas

Perdoem-me por qualquer erro de digitação nesse texto. É que estou com um braço seriamente lesionado. Hoje à tarde fui ferido com gravidade por uma brutal agulha, ao ser vacinado contra a gripe H1N1 Influenza A Suína de nobre coração que vai todos os dias ao bosque recolher lenha.

Meu braço ficou com uma marca de sangue horrorosa. Se alguém estiver olhando para o meu braço a uma distância menor que meio metro, é capaz de enxergar um ponto vermelho-sangue a olho nu. Um absurdo. Falo da marca da tortura, e não da nudez do olho. Este é livre pra ficar pelado caso esta ideia lhe passe pela telha. Ou pela córnea.

Não é novidade para ninguém o asco que tenho de agulhas, este medieval, arcaico e ultrapassado instrumento que finge ser uma bênção da humanidade, mas que é um instrumento de tortura. E não venham dizer que medo de agulha é coisa de viado. Achar normal ou até prazeiroso que um ferrinho fique te furando é que é coisa de viado. Brrrr.

Enfim, fui vacinado. Uma agulha cruel perfurou meu braço, e o de tantos outros cidadãos inocentes, unicamente porque a humanidade é preguiçosa e acomodada, não se permitindo pensar em alternativas menos bárbaras para vacinação, extração de sangue e enfeites coloridos ou metálicos pelo corpo. Eu mesmo, momentos antes de ser metralhado pela impiedosa agulha, tentei - em vão - sugerir algumas alternativas às moças que manusearam o antiquado e perfurante instrumento metálico.

Perguntei, primeiramente, se não havia uma versão da vacina em gotinhas. Lastimavelmente, não há. Fica, então, a ideia às autoridades de saúde nacional. Abriria, inclusive, a possibilidade de uma campanha de vacinação muito mais atraente. Pensemos: uma vacina de gotinhas poderia contar com o simpático Zé Gotinha como garoto-propaganda. Gota-propaganda, no caso. Com uma agulha, que simpático ser teríamos como garoto-propaganda? O Zé Agulhinha? Caríssimos: agulhas não atraem a atenção de crianças, nem de cabeludos barbudos de 26 anos.

Alguém argumentará que o sabor da vacina deve ser terrível, o que inviabiliza a possibilidade de ser administrada via oral. Pois lhes digo: isso não é desculpa para uma humanidade que se acostumou a utilizar chá de boldo para amenizar os efeitos de uma simples dor de barriga ou de uma mera ressaca.

Ainda assim, pensei nessa possibilidade: as moças que aplicavam a vacina não iriam administrá-la via oral por causa de um possível gosto ruim. Sugeri então que a solução anti-gripe-porca fosse adicionada a um saboroso suco, quiçá de laranja, ou mesmo à uma saborosa caipirinha tradicionalmente brazuca. Essa ideia foi descartada por uma das moças:

- Nem pensar. Depois de tomar a vacina, tem que ficar 24 horas sem beber nada alcoólico.

Ora! Além de ter meu braço metralhado, ainda tenho meus direitos de degustar cerveja tolhidos por causa de uma vacina? Pensei se a tal vacina teria seu efeito anulado ou mesmo produzisse um efeito colateral grave se eu ingerisse alguma bebida alcoólica, mas não tardei a perceber que essa ideia não tem muito sentido. Sabe-se que o álcool é um líquido eficaz na tarefa de matar germes, bactérias, fungos, rastros de bom senso analítico de beleza alheia, motoristas sem noção e outros bichinhos nocivos à nossa saúde. Aliado à uma fórmula que previne a Influenza A, teríamos um exército praticamente imbatível correndo em nossas veias, em prol de nossa saúde!

Fica, pois, novamente a dica: adicionar a fórmula da vacina a líquidos consumíveis. Eu, por exemplo, acharia interessante ser vacinado contra a Influenza A tomando chimarrão. Afinal, o amargo é um velho, inseparável e fiel amigo.

Eu sei, vocês dirão que eu estou exagerando, já que sou doador de sangue. Mas a própria doação de sangue pode ser repensada, com o objetivo de eliminar a agulha do procedimento. Por exemplo: se estou bem informado, e se não é uma lenda babaca (se for, dane-se, quero escrever esse parágrafo em paz, me deixem), há uma técnica de yoga onde a pessoa faz certos movimentos com a barriga que permite uma melhor digestão, e oferece até a possibilidade de comer mais, mesmo depois de satisfeito!

Pois bem: e se existisse uma técnica de yoga que, após alguns movimentos do abdômen, permitisse expelir sangue pela uretra, sem prejuízos à saúde? A agulha estaria eliminada!

Poderíamos, também, criar um sistema de colheita de sangue a domicílio. Por exemplo, digamos que eu esteja na cozinha, preparando um almoço, cortando distraidamente, sei lá, cebola ou tomate, e de repente ZAP! Um corte grande aparece no meu dedo. Lamentaríamos, xingaríamos e só então nos dirigiríamos ao telefone.

- Alô, é do Hemocentro? Eu cortei o dedo aqui e tá saindo bastante sangue. Quero doar. É A positivo.

Infelizmente, tudo isso é um doce sonho da minha mente. E sonhar não impediu que meu braço fosse impiedosamente furado por uma agulha, com o único intuito de me tornar imune a uma gripe que surgiu em porcos. Quer dizer que agora eu não preciso mais usar camisinhas com porcos? Oh, estou tão animado que quase dormi enquanto escrevia essa frase.

Posso comer bacon à vontade, inclusive estragado? Opa, assim tá melhor.

terça-feira, 6 de abril de 2010

Apreciador contumaz

Ele era um apreciador contumaz de cerveja.

- Se eu quero mais cerveja? Ora, contumaz, melhor. - sempre dizia.

quarta-feira, 24 de março de 2010

Do céu ao inferno

Os mais incautos ou os menos agraciados pela sorte de nascer em Pelotas não sabem, mas a noite pelotense sempre reserva surpresas para seus habitantes. Eu escrevo bonito demais, diz aí.

Noite úmida e nem tão fria na cidade. Um Palio de cor marrom meio areia-caganeira, carregando umas 4 moças, pára em um cruzamento. E eis que uma das moças, no banco de trás, abre o vidro e berra para o único transeunte da rua (eu):

- Tu é meu sonho erótico!

Viro-me para apreciar o rosto da gentil donzela, mas não consigo ver muito mais que o sorriso da dona da voz, uma loirinha, dentro de um carro em movimento, que logo some pela rua transversal a que eu estava. Fico realmente impressionado. Como eu escrevo bonito!

Um turbilhão de pensamentos minha cabeça. O que será que ela viu em mim? Será que meu andar está mais gracioso? Será que meu desodorante está fazendo o efeito que aparece na propaganda? Será que meu cabelo resistiu ao vento e ficou impecavelmente hipnotizante? O que será que ela bebeu e fumou?

É lógico que eu posso pensar que fui avacalhado ironicamente, porque meu caminhar não é lá muito elegante. Eu diria que se estivesse num concurso de modelos e a primeira prova fosse o desfile, eu seria desclassificado no segundo ou terceiro passo dado na passarela. Mas não, não penso que fui avacalhado. Afinal, de quando em vez meu ego também necessita de uma massagem terapêutica.

Sigo caminhando, torcendo para o tal Palio areia-caganeira passe por mim de novo, o que me daria a chance de conhecer minha pretendente e contar-lhe as novidades: lista de convidados do nosso casamento, um padre com agenda livre para abençoar-nos semana que vem, essas coisas. Mas o Palio não passa. Se sonhar não custa nada, a moça é uma tremenda pão-dura, porque só se limitou a sonhar eroticamente comigo. Mas nem isso tira meu título de "Bonitão da rua" - a despeito da total ausência de concorrentes na rua.

Uma quadra depois, o carro que passa por mim é um... um... sei lá, não lembro. 20 ou 30 metros adiante, o motorista do dito carro manobra para colocar o veículo dentro de sua garagem e pára - mas não abre o portão. Sigo caminhando, o carro segue parado em frente ao portão que segue sem ser aberto. O sujeito só abre o portão, via controle remoto, depois de eu passar por ele.

Decerto o rapaz achou que eu, no alto do meu metro e pouquinho, estava pronto pra correr portão adentro, roubar seus pertences, dar uns catas não-autorizados em sua filha, depois na esposa, limpar a geladeira e fazer sua conta de telefone ir à extratosfera com uma ligação para um telessexo de São Tomé e Príncipe. E ainda encontrar tempo para chutar o cachorro e xingar o juiz de algum jogo que provavelmente estava sendo reprisado no SporTV.

Numa quadra, uma moçoila diz que eu sou o sonho erótico dela. Na outra, um rapaz julga que eu tenho talento físico para ser um assaltante em potencial.

Fui do céu ao inferno em poucos minutos, em poucas quadras.

quinta-feira, 11 de fevereiro de 2010

O revés de Joãozinho

Não há dúvidas. Joãozinho é uma criança que nenhum casal gostaria de ter como filho. É o tipo de criança que faz pais e mães caírem em depressão, desespero e choro; faz qualquer pessoa madura se jogar nas drogas, lamentando-se: "onde foi que eu errei?".

Apesar de ser tão novo - não passa dos nove anos -, a vida de Joãozinho é mundialmente conhecida. Sua biografia escolar e pessoal é largamente relatada em piadas, que alavancaram outras personalidades infantis como Juquinha.

Joãozinho é terrível. Seus pais não o largaram na sarjeta mais próxima por temerem represálias não apenas do Conselho Tutelar, mas também do próprio Joãozinho. Não sei vocês, mas eu nem quero imaginar do que esse piá seria capaz se fosse movido pelo desejo de vingança. Resta saber se ele vai se vingar do revés que acaba de sofrer de seus pais.

Sim. Joãozinho acaba de sofrer um revés. Tudo começou naquela bela tarde de sol, quando ele estava entendiado, sem grande imaginação, quando resolveu fazer o que mais sabe: tirar as pessoas da sua tranquilidade. Dirigiu-se até a sala, onde seus pais assistiam SuperNanny, em busca de uma luz salvadora, e fez um pedido aos pais:

- Pai, mãe, quero uma mochila nova.
- Uma mochila nova, Joãozinho?
- Sim.

Um pedido simples, aparentemente inocente. Porém, de um instante para o outro, transformou-se em um desejo no mínimo insólito.

- Que mochila, filho?
- Ah, uma bem diferente. Quero que seja do Harry Potter, porque eu gostei muito de ler o livro.
- E quando tu leste o livro?
- Nunca. Mas isso não interessa. Como eu dizia, quero que seja do Harry Potter. E tem que ser do Sonic, também. É meu game preferido. E tem que fazer referência ao Pelé ou ao Maradona. Algo que tenha, assim, o número 10. E, como eu sou um menino muito politizado, quero que tenha algo do Obama. Quero prestar minha solidariedade ao negão.
- Que vocabulário rebuscado. Onde tu aprendeste isso?
- Lendo Harry Potter.
- Mas tu não leste...
- Não interessa. E aí, quando vou ter minha mochila nova?
- Mas onde diabos eu vou achar uma mochila dessas, guri? - protestou o pai.
- Como é que eu vou saber? - retrucou Joãozinho. - Isso é tarefa de pai. Pais é que fazem tudo e que são heróis.
- Mas...
- Nah! Enquanto eu não tiver minha mochila, nunca mais volto pro colégio. Ou melhor, volto. Mas aí eu dou um jeito de contar pra professora o que vocês fazem no quarto, e como é a vista do papai abaixando no banheiro pra catar o sabonete. - Dito isto, Joãozinho recolheu-se aos seus aposentos. Sua tarefa - incomodar - já estava devidamente cumprida.

Os pais estavam aterrorizados com a chantagem. Foram para o quarto, mas não dormiram. Ficaram pensando em tudo. Na privacidade que perderiam. Em Joãozinho, que estava cada vez mais impossível.

- Querido, não sei mais o que fazer com essa criança.
- Pois é.
- Acho que vou chamar a SuperNanny. Viu que hoje ela...
- Não. Não quero passar vergonha em rede nacional.
- Mas onde vamos arranjar uma mochila daquelas?
- Deixa. Eu dou um jeito.
- Como? Que jeito?
- Deixa comigo. Eu dou um jeito.

Na manhã seguinte, Joãozinho ficou recolhido em seu quarto, onde almoçou em frente ao computador, jogando Sonic pela primeira vez na vida. Seu turno no colégio era à tarde, e pouco antes do horário de aula, ouviu seu pai berrar seu nome. Solícito como ele só, desceu as escadas, cantando vitória, sabendo que não iria para a escola, exibindo seu sorriso radiante, quando...

... estaqueou ao fim dos degraus. Aos poucos, ficou boquiaberto e nem parecia que, instantes antes, havia um sorriso irreverente e sádico por ali. Os olhos não piscavam. Pelo contrário: abriam-se cada vez mais, e estava fixos em um ponto. Por um instante, o guri aparentou ser atingido pela bola de gelo do Sub-Zero. A boca, agora completamente aberta, não conseguiu pronunciar nada inteligente.

- Mas... mas...
- Vamos. Tás atrasado pro colégio.


- Mas... mas...
- Vamos. Já arrumei teu material.
- Mas...
- Não enrola, guri. Ou te dou uma tunda.

E foram. Pela primeira vez na vida paterna, o pai se sentia triunfante. Joãozinho passou os dois anos seguintes explicando para os coleguinhas - para Juquinha, inclusive - o porquê daquela mochila. O pai só permitiu a troca quando a imagem do Sonic e o "Obama" estavam irreconhecíveis pelo desgaste.

A SuperNanny havia sido poupada.

domingo, 17 de janeiro de 2010

John, o destemido

Abençoada seja a internet. Não é de hoje que o cyberespaço chama a atenção do mundo e não é à toa que revolucionou o planeta. É graças à internet que, em tempo real, recebemos exemplos de coragem, força, valentia, superação e tantos outros valores que podemos carregar para as nossas vidas. Só na internet ganhamos acesso à representações teatrais de anônimos que ganham proporções bíblicas.

Como é o caso de John.

John é, antes de mais nada, o nome que entendi ser berrado no vídeo abaixo, lá por 1min e 40seg. O tal vídeo já é um clássico internético e certamente os que me lêem já viram. Se não, convido-os à assistir o drama de John, que teve sua conta em "World of Warcraft" cruelmente apagada por sua própria mãe.

Seus olhos não encheram de lágrimas só de imaginar essa triste situação? É, os meus também não.


Em primeiro lugar, podemos notar uma forte presença de amor fraterno. O irmão de John, comovido com o drama do rapaz, trata de gravar a cena, para que uma das maiores representações da história artística não se perca no interior de um quarto isolado.

Sim, senhores. É uma das maiores representações da história artística. Jamais vi, em toda a história do cinema, alguém representar tão bem um ser humano afetado pela maldição do lobisomem. A imagem capta o exato momento em que John é atingido pelos raios da lua cheia, se vocês não perceberam.

Em segundo lugar, John mostra com clareza o que é ter vontade e coragem de se atirar em um abismo ou em uma cachoeira. Isso é coisa para poucos, como o acrófobo Harrison Ford em "O Fugitivo". Mas John não tem fama suficiente para ser requisitado para gravar uma cena numa cachoeira, então ele faz isso no interior do seu quarto, no ápice de sua raiva. E tem a sorte que sua cama esteja ali, impedindo que ele esparrame seu focinho no chão do próprio quarto.

Posteriormente, John demonstra ser um rapaz educado. Mesmo sozinho, ele se esconde para se despir. Não tira a roupa na frente de ninguém - nem dele próprio. E acaba revelando um segredo: uma cueca de coraçõezinhos. Quem nunca sacaneou alguém dizendo "você tem uma cueca de coraçõezinhos"? Então. John é a personificação dessa brincadeira.

Um bom filme dramático costuma ter, entre suas cenas, alguns takes com alto teor erótico. John não esquece desse detalhe em sua atuação e tenta introduzir um controle remoto no próprio rabo. Apesar de aparentemente ter esquecido de tirar sua cueca - de coraçõezinhos -, John demonstra ter chego rapidamente ao orgasmo. Reparem: ele tosse e tenta retomar o fôlego logo após abandonar o controle.

E vocês notaram que, pouco antes de tomar o controle em mãos, ele imita o King Kong? Pois então, PARECE o King Kong, mas não é. Na verdade, aquilo é apenas a externação de seu desejo reprimido, prestes a ser libertado. Puro romance.

A seguir, ele pega um tênis e bate repetidamente em sua própria cabeça, vociferando contra a própria porta. Alguém aí consegue citar UM exemplo de ato mais destemido? Sua intenção é clara, ao menos para mim: sem World of Warcraft, ele se mostra disposto a ser chutado na cabeça diversas vezes. Quem de vocês seria tão corajoso? Eu confesso que jamais terei essa coragem.

E o que dizer de sua representação de uma convulsão em cima da cama? Eu não tenho palavras para elogiar tamanho preciosismo. Em seguida, alguém chama seu nome. Reparem na força extrema que ele faz para conter sua raiva e não descarregá-la no ser humano mais próximo. Soberbo! Que rapaz de nobre coração! E não falo aqui dos coraçõezinhos em sua cueca.

Lógico que, educado como poucos, ele vai atender o chamado. Mas não sem antes terminar de descarregar sua raiva na forma de um violentíssimo soco, capaz de não apenas quebrar sua mão, mas também de alterar a órbita do nosso planeta. Para a nossa sorte, a cama estava lá e amorteceu esse impacto que poderia nos levar à extinção.

John lutou contra o mundo. Jogou-se no abismo que era sua cama, não se importa em usar cueca de coraçõezinhos, fez amor com um controle remoto, dá violentos socos em um colchão.

Caríssimos: incomodo em lhes perguntar por que vocês ainda não estão aplaudindo John?